Delirium

Delirium Carlos Patricio




Resenhas - Delirium


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Marselle Urman 29/06/2015minha estante
Karla, eu entendi que o conto foi ambientado na Áustria por causa da relevância do histórico de crimes hediondos do tipo que existe no norte europeu (talvez por causa do fenômeno da "depressão branca", não sei dizer). Embora eu concorde que os momentos de inserção das citações não tenham sido felizes, achei que foram importantes para o contexto do primeiro conto. Sobre o telefone sem fio, embora realmente careça uma explicação da doença, acho que não é o foco da estória e sim o suspense emocional. Como eu disse na minha resenha, embora ele tenha muito a amadurecer - coisa que só virá escrevendo - acho que ele tem a qualidade mais importante para um escritor - as idéias originais. Abraço,


augustoguhpedagogo 03/07/2015minha estante
Acho que a Karla não entendeu o conto Telefone-sem-fio nem a intenção dele. Dizer que a fofoca não importa no conto não faz sentido algum. Recomendo que o releia.
Sobre o Doutor Sádico, acho que a crítica também é infundada, pois se deve antes conhecer países do tipo, em que se fala mais de uma língua, para ver como lá funciona. Um amigo me contou de sua viagem à Luxemburgo, por exemplo, onde todos habitantes falam as três línguas oficiais ? alemão, luxemburguês e francês ? e acabam revezando-as, mas dando preferência ao luxemburguês para conversas corriqueiras, o alemão usado mais para a escrita ? placas, jornais, etc ? e o francês como língua ?mais chique?, usada em restaurantes e coisa e tal. E para quem presta atenção, o fato de o conto se passar na Áustria é percebido por diversas razões que a história tem de se passar sim em um país do tipo; se não, nenhuma história pode se passar fora do Brasil que mereceria reclamações apenas por esse fato. Além disso sobre a crítica ao fato da Clarice ser citada, acho que a Karla deve ter lido com pressa ou sei lá, rs, porque, apesar de o personagem adorar escritores mórbidos, nesse trecho ele pega um livro no chão que ?trata-se de uma compilação de citações de personalidades notórias e grandes nomes da literatura mundial?, apenas ? nada de mórbida (ou Dante, Nietzsche e James Joyce tem algo que lhes remete à imoralidade?). Portanto, a meu ver, uma reclamação ou crítica baseada em uma leitura com falta de atenção não é muita válida.
Já quanto ?A questão de todas as questões?, concordo que realmente é um conto que se pode tornar maçante para aqueles que não são apaixonados pelo tema do mistério da existência e as mentiras da religião; porque, para os que são, o conto é bem interessante


Karla 05/07/2015minha estante
Antes de qualquer coisa é importante lembrar que uma resenha é de cunho pessoal, portanto a minha opinião sobre o livro é literalmente minha. Não li o livro pensando que as ideias precisam amadurecer ou que o autor é novo na área, afinal se nós formos ler todo livro com essa ressalva, seremos obrigados a relevar tudo, afinal todo autor já teve um primeiro livro. O julguei pelo que ele é, e não pelo que um dia poderá ser.

Pelo que eu saiba na Áustria não se fala português, então a mistura de dois idiomas tão distintos me causou estranheza, sim. Obviamente que escritores brasileiros podem e devem escrever histórias que ocorram em outros países, desde que detalhes principalmente relacionados ao idioma sejam observados. Além de que o conto ficaria muito interessante com as peculiaridades do nosso país (PARA MIM, OBVIAMENTE).
Sim, ainda continuo achando totalmente fora de contexto a citação da Clarice Lispector, parece que foi um traço do autor jogado de forma indevida no conto.

O conto Telefone sem fio não demonstra de forma alguma as influências da fofoca na vida da personagem principal, os boatos são paralelos durante um período muito grande em que o Ricardo não aparece, e o desfecho dele que deveria ser relacionado com as fofocas, não é, mas sim com a doença. Afinal sair de casa moribundo pra saber sobre o amigo dele, não contextualiza com a história.


Dani - Bibliotecária Leitora 28/01/2016minha estante
Karla, concordo com você em várias de suas opiniões. Imaginei que só eu tivesse encontrado algumas confusões no conto A questão de todas as questões. Fiquei muito cansada ao lê-lo, pelo debate, pelas citações, pelo sarcasmo.
Gostei de sua resenha!


Israel 03/01/2017minha estante
Karla, concordo com você em gênero, número e grau. Parabéns pela resenha lúcida!


Gabiê Zomg 19/09/2017minha estante
Não interessa se o autor seja novo ou não. Sempre é bom ter todos os tipos de criticas construtivas para que ele consiga crescer. Parabens pela resenha!




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Pandora 14/01/2016minha estante
Tinha decidido, ao contrário do que tem acontecido com minhas últimas leituras, não fazer nenhuma resenha, pontuar ou comentar sobre este livro. Mas lendo sua resenha, me sinto plenamente contemplada. Não abandonei o livro no conto mencionado, mas confesso que do conto eu desisti. Não tenho problema em abandonar um livro, mas sendo este de contos, queria ter a oportunidade de ler os outros. Também não queria ser injusta com o autor, que tem potencial e está apenas começando. Excelente resenha!




Carla 13/10/2015

Um livro muito bem escrito!
Diante de "Delirium" tive a oportunidade de conhecer a obra de mais um brasileiro aspirante a escritor.
A Editora Página 42 nos trás através de Carlos Patricio, um exemplar bastante atrativo em páginas amarelas. Diagramação e capa impecável, assim como as ilustrações internas que iniciam cada conto. As orelhas não ficaram de fora.

Em relação a obra:
O livro é dividido em 8 contos e cada um deles possui sua peculiaridade.
DOUTOR SÁDICO (5 Estrelas) da a partida e iniciamos a jornada com o melhor conto de "Delirium". Hans Mozart é um psicopata dos mais repugnantes e diante de toda a sua inteligência, ele busca saborear suas vítimas no "aconchego" de seu lar. Uma casa impregnada por tormentos e terríveis sofrimentos. Por lá, todo tipo de crueldade já se fez passar. Agora, um novo "hóspede" chegou, e Hans mais conhecido como Doutor Sádico, busca atormentá-lo da pior forma possível: Seu comparsa está a caminho com sua adorada filha.

TRUCO! (3 Estrelas)
Um conto bastante previsível, mas que não chega a perder o seu encanto.
Amigos participam de sua jogatina quando um bandido enlouquecido invade a residência.

AGONIADO (3 Estrelas)
O final me pegou de surpresa, pensei que seria uma coisa, mas foi outra.
Apesar de ter sido o conto que menos me agradou, não é de se jogar fora.
Julio sofre de uma tremenda ansiedade e após incansáveis tratamentos, ele ainda continua aprisionado em seu mundo aterrador. Será ele capaz de vencer tamanha dor?

TELEFONE SEM FIO (3 Estrelas)
A realidade nua e crua.
Ricardo conhece Mayra em uma folia de carnaval, e no embalo do momento o jovem embarca numa viagem sem volta.

A QUESTÃO DE TODAS AS QUESTÕES (5 Estrelas)
O segundo melhor conto na minha opinião e achei simplesmente "questionável".
Uma viagem deliciosa através dos questionamentos existenciais de um médico que busca de todas as formas encontrar respostas concretas para todas as supostas contradições. A religião é o foco da sua obstinada jornada em busca da verdade.

O OUTRO MUNDO DE HENRIQUE (5 Estrelas)
Me "diverti" bastante com este conto, onde Henrique busca refúgio nos braços de uma outra realidade: a virtual.

POUCO ANTES DA VIRADA (5 Estrelas)
Uma doença terminal relatada pouco antes do final.

LINDOS SONHOS DOURADOS (5 Estrelas)
Um conto extremamente tocante marcado por cicatrizes profundas que só o tempo é capaz de curar. Será?
Um filho "rejeitado" tenta afogar suas magoas da pior forma possível.
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Allison Feitosa 14/07/2014

Ler Delirium foi como conversar com uma pessoa que sabe um pouco de tudo e nunca fica sem assunto.
A variedade de assuntos sem temas específicos tornam-se uma obra em que tudo se encaixa mais cedo ou mais tarde e a diversidade de temas enriquece os contos de maneira bem traçada.

Em Doutor Sádico encontramos temas bem pesados e atuais. Mentes psicopatas que começam a desenvolverem-se ainda na infância (levantando uma grande questão e impasse dos estudiosos do assunto). Cheio de referências e debates à arte e literatura o conto nos trás episódios que desencadeiam reflexões e mergulham fundo na mente de sádicos. O debate é o ponto alto do conto, deixando a narrativa de ação em segundo plano. Consegui me chocar com algumas cenas que o autor narra no livro e o sentimento de repulsa que creio ter sido intenção do autor, consegue ser palpável por nós nas páginas do conto.

''- O grande Isidore disse em seus escritos que queria ser um animal selvagem, um tigre, para que pudesse matar e não ser considerado mau! Já eu, pelo contrário: ser mau é coisa que me agrada sem igual! - disse uma noite o Doutor Sádico, gargalhando.'' Pág. 25

O segundo conto é chamado Truco e traz um tema corriqueiro: a violência e os assaltos, que hoje são comuns com pessoas de qualquer tipo, faixa etária e classe social, mostrando que todos estamos vulneráveis e na maioria das vezes nunca conseguimos saber qual será nossa reação em um momento desses. Diferente do primeiro que mostra a essência crua e áspera do ser humano, ''Truco'' mostra alguns elementos sobrenaturais e o quanto o medo nos transforma ao ponto de agirmos sem pensar. É um conto rápido e com um final bastante peculiar.

O conto que vem em sequência não poderia ter um título melhor: Agoniado. O sentimento de agonia é passado de personagem para leitor e se você se identificar minimamente que seja terá a mesma sensação. Abordando sobre a depressão (o mal do século) como grande vilã e que causa (ou por consequência) de uma ansiedade latente do ser humano em meio a agitação da cidade.

''A ansiedade é um sentimento degradante, vago, indefinido... Minha mente não para, não descansa um só instante. Um turbilhão de pensamentos desnecessários atrapalha minha concentração, acelera meu coração e adiciona tiques nervosos às minhas já toscar manias.'' Pág. 64

CONTINUA EM... http://cemiteriodospostsesquecidos.blogspot.com.br/2014/07/delirium-carlos-patricio.html

site: http://cemiteriodospostsesquecidos.blogspot.com.br/2014/07/delirium-carlos-patricio.html
Cibele.Marques 28/07/2015minha estante
Já quero *----------*




Mara 09/11/2015

Um brinde aos nossos delírios!
Antes de mais nada, o livro de Carlos Patrício é gostoso de ler, porque é uma mistureba boa. Há prosa bem escrita do autor, há inúmeras citações, desde poetas, escritores e filósofos reconhecidos, assim como letras de bandas de rock.
Fico feliz em acompanhar o surgimento de tantos autores brasileiros tão competentes. Carlos Patricio é novinho, mas já estreia com contos não só delirantes, mas também orgasmáticos, deliciosos, críticos e ao mesmo tempo sensíveis.
Que esse seu livro seja só o começo de uma longa carreira autoral, que com certeza acompanharei de perto.
Vida longa aos delírios porque eles são catárticos!!!
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Marselle Urman 16/06/2015

Perturbações
Não sei se foi o autor ou o editor quem escolheu "Doutor Sádico" para abrir essa coletânea, talvez por ser o conto mais cruel e chocante do volume ( apesar de implausível enquanto realidade, leva uma licença poética que também foi concedida aos Livros de Sangue de Clive Baker) no entanto não achei uma boa escolha.
Porque os contos são realmente ecléticos e se o leitor espera que sigam a linha do primeiro, se equivocará - felizmente a meu ver.
Patrício tem um turbilhão de boas idéias, ainda falta amadurecer o estilo e aprofundar as personagens. Geralmente versam sobre acontecimentos extraordinários no cotidiano de meninos comuns de periferia.
O que mais me agradou aqui foi "Lindos sonhos dourados", apesar da apologia que me pareceu não intencional no contexto do conto.
Prefiro não comentar o "A questão de todas as questões " apesar de seus postulados básicos.

A trilha sonora desse livro é muito boa. Sim, porque tem muito boas citações, especialmente musicais. Só acho que os momentos de inserção não foram muito apropriados, mas ainda vale.

16/06/2015
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Cristina moa 22/08/2015

A realidade por trás da ficção
Bom... pra ser sincera esse livro foge de tudo que to acostumada a ler, e ao mesmo tempo me familiarizei com cada história(que são várias) como se eu estivesse numa montanha russa da vida real, me fazendo refletir sobre os altos e baixos da vida.
Totalmente Insano e ao mesmo tempo muito Coerente, essa Coletânea Brasileira maravilhosa com certeza vai pro meu acervo de livros preferidos.
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Jordana Martins(Jô) 15/09/2015

Delirium
Não é sempre que ganho presentes e muito raramente livros e livros com dedicatória do autor muito menos. Enfim ganhei este livro, pois de acordo com quem me presenteou disse ser a minha cara, além de o livro ser muito bem recomendado. A expectativa e a realidade dessa vez andaram juntas. Delirium é um livro de diversos contos. Vou citar cada um antes de dar minha opinião final.
O primeiro conto é “Doutor Sádico”, que me fez dar uma rápida olhada em 120 dias de Sodoma do Marquês de Sade (nunca mais olharei pra esse troço outra vez), o conto é muito bem construído, as formas de torturas (que por sinal aprecio bastante), a mente doentia do doutor e do desespero do seu torturado fez deste conto peculiar. Onde o psicopata tem uma divagação com a sua vítima. O desfecho foi ótimo. O conto além de contar com personagens distintos também conta com várias citações dos livros apreciados pelo psicopata. Muito instrutivo.
“Truco”: fez-me ver que bebida, amigos, bandido e desespero não são muito bem vindos juntos dentro de determinada situação. Um conto que chega ao terror. Seu mistério e o seu desfecho foi algo que me surpreendeu. Se você não enxerga no escuro querido (a) é melhor se preparar para o pior.

“Agoniado”: Este me fez dá umas risadas, além de certa agonia pelo personagem. Ansiedade é um mal que deve ser tratado, pois se não é capaz de dar um jeito nisso, pode ter certeza a sua vida vira um inferno. Mais o que mais chamou minha atenção era o sentimento de esperança que o personagem tinha. Realmente a esperança é a última a morrer em alguns casos.

“Telefone Sem Fio”: Nada pior do que uma fofoca pra apimenta a vida de quem não precisa dela pra ser arruinado. Fato é nunca conte algo para alguém que não é de confiança. Pessoas são seres desprezíveis capaz de inventar algo só pra apimentar uma história, causando transtornos e conclusões precipitadas.
“A Questão de Todas as Questões”: temos a batalha das palavras do assunto que sempre nos aconselham a não discutir religião x ciência. O desfecho não teve um Wins exato, cabe a você tirar suas próprias conclusões. Um debate muito bem escrito e que aponta justamente todas as nossas dúvidas e questionamentos. Escrito com maestria e brilhantismo. A minha opinião sobre a fé é ou você tem ou não tem. Se você a questiona você não a tem.

“O Outro Mundo de Henrique”: mostra o que uma vida entediante pode nos levar a encontrar coisas para temos um escapismo da realidade. Pode ser algo prazeroso coo pode acabar afetando nossas vidas de tal maneira que nos vemos presos em outra realidade.
“Pouco Antes da Virada”: é um poema, de aspecto melancólico. Nunca fui fã de lamentações, pois elas me levam aquele pior sentimento “a pena”, foi o que senti pelo protagonista adoentado e lamurioso. Lembrou-me os poemas simbolistas, que além do teor melancólico temos a musicalidade sombria.

“Lindos Sonhos Dourados”: Leva-nos a conhecer a odisseia do jovem Guliver, filho mais velho rebelde por opção, para pelo menos dar razão as inúmeras reclamações de seu pai. Mostra exatamente como o jovem pode ser equivocado nas suas decisões e julgamentos. Quando jovens sempre nos achamos os reis da razão. E também é um bom tapa na cara dos pais. Eles nem sempre sabem demonstrar o que pretendem com suas ações e isso acaba por muitas vezes magoar o filho e o tornar um rebelde.

Todos os contos te fazem refletir de alguma forma. E essa talvez tenha sido a intenção, ele não escreveu aleatoriamente. Algo que encontrei nos contos eram as citações que nitidamente representavam o personagem. Como a do Doutor Sádico e Lindos sonhos Dourados com suas citações musicais. Tirei algo de cada um dos contos, sejam lições, pensamentos ou julgamentos, mas o importante é que tirei. O bom de alguns contos é que o fim fica por conta da nossa própria imaginação. É interessante,é instigante e com certeza é recomendado. Ao autor obrigado pela dedicatória e ao amigo obrigado pelo presente.
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Helena 15/10/2015

São muitas emoções!
Delirium é uma coletânea de oito contos que seguem o padrão suspense/terror, mesclando originalidade, críticas e diversidade. São situações e personagens diferentes, mas com uma característica em comum: o terror. Interpretem como quiser, pois o terror pode aparecer de várias formas e com as mais diversas faces.

Antes de começar a falar dos contos, vamos falar da diagramação linda desse livro. Vocês sabem muito bem que não sou de falar de diagramação, a menos que a mesma mereça ser mencionada. E essa merece. MUITO. Folhas negras e ilustrações em P/B - que são lindas - no início de cada conto. Numeração das páginas na lateral da folha, também de uma forma diferente. Realmente, o diagramador está de parabéns!! (oremos por mais diagramações assim)

Antes de mais nada queria dizer que: NÃO PULEM O PREFÁCIO. Sei que algumas pessoas não tem o costume de ler essas partes, mas, gente, come on! São partes importantes do livro. Parem com isso!! Principalmente, porque o desse livro, apesar de curtinho, é muito bem escrito e merece ser lido. Tá bem? Então, tá bem!

Voltando... Como eu disse anteriormente, temos oito contos compondo esse livro. Tais contos são incomuns, originais e agressivos de uma maneira construtiva. Mas, vamos ao que interessa: conhecer um pouquinho os textos desse livro.

Doutor Sádico
Um conto pesado, com cenas fortes, que te leva por uma viagem dentro da mente doentia e nojenta de um psicopata.

Imagina começar um livro de contos e logo no primeiro ter as suas estruturas abaladas? Pois foi exatamente o que me aconteceu. Doutor Sádico nos mostra um pouco sobre como as coisas são processadas dentro de uma mente insana. A perversidade e repulsa que esse personagem carrega consigo é viciante. Viciante de uma forma que te faz querer saber mais sobre o que ele pensa, do que ainda é capaz e, principalmente, se a sua loucura tem limites. Além disso, as referências literárias presentes nesse conto são sensacionais e mostram pesquisa e conhecimento por parte do auto.

Aliás, preciso dizer que esse foi o meu conto favorito?? Haha
.......
Leia a resenha completa:

site: http://www.cafecomlivroo.com/2015/10/delirium-carlos-patricio.html
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Paulo Silas 30/05/2015

Uma reunião de contos do autor, os quais abordam os mais variados temas em cada história. Ao todo são oito, onde em cada qual há um diálogo (intrínseco ou expresso) do autor para como leitor.

Em "Doutor Sádico" o leitor conta com uma excelente e tenebrosa história que segue a linha de terror de Stephen King. Há um perturbado cometendo as mais diversas e inimagináveis barbáries na Áustria, e o caminho do protagonista (ou será o próprio sádico, em verdade, o protagonista?) se cruzará à duras custas com aquele, resultando numa verdadeira luta pela sobrevivência. Destaque para o diálogo presente no debate entre vítima e agressor, cujo discorrer existencialista prepara o leitor para uma abordagem mais profunda que o autor retoma em outro conto.

"Truco" é um conto curto, numa narrativa bastante regionalizada e com um final arrebatador. "Agoniado", que também conta com poucas páginas, retrata um dia de um cidadão que sofre de extrema ansiedade.

"Telefone Sem Fio", outro conto bastante regionalizado (ponto para a literatura brasileira divergente), narra a história de um rapaz que chama para morar consigo uma mulher que conheceu numa festa de carnaval. As consequências de tal ato pouco pensado vão para além daquilo que já é esperado pelo leitor.

Tem-se na sequência o ponto mais alto da obra: "A Questão de Todas as Questões". Aqui o autor utiliza como pano de fundo uma história simples, para que nela possa situar o seu verdadeiro objetivo, a saber, dialogar com o leitor acerca da questão das religiões e crenças. O que mais chama a atenção na exposição deste conto é a forma utilizada de desconstrução de argumentos, já que inicialmente uma primeira sustentação é destruída, para que logo em seguida a mesma linha argumentativa utilizada para desmistificar a primeira é refutada num novo diálogo, tal qual num processo dialético.

"O Outro Mundo de Henrique", um conto frugal, expõe a necessidade de fuga da realidade calcada em uma realidade virtual (um jogo de videogame). Na sequência, "Pouco Antes da Virada" é um curto poema.

Finalmente tem-se "Lindos Sonhos Dourados", uma história dentre as que mais ocupa páginas no livro. O relato de um jovem que, por suas razões (desacreditadas posteriormente), opta por abandonar a boa vida (mas nem tanto) que leva e seguir o seu próprio e tormentoso caminho (regrado à festas e bebedeira), culminando numa desastrosa experiência com os efeitos do ácido lisérgico, leva o leitor a fazer uma introspectiva acerca do próprio relacionamento familiar.

Um livro bem escrito, repleto de citações. Os contos, em sua maioria, cativam e agradam. O convite ao delírio, proposto pelo autor, está aberto.
Recomendo!
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A Biblioteca de Gaia 12/01/2016

Esse é um livros que aborda vários temas da vida humana. O primeiro conto, tenho de confessar que achei BÁRBARO!!! Não sou fã de contos de terror, mas a história do Dr. Sadico me deixou tensa e extremamente curiosa. Simplesmente amei!!! Fiquei fascinada com o talento do autor ao criar um personagem com tanta frieza e astúcia em seus argumentos chocantes as crenças religiosas, e ao comportamento humano diante desses dogmas.
As demais histórias não perdem em nada. O autor trabalha temas cotidianos de forma filosófica e inteligente, mantendo a simplicidade nos argumentos e um raciocínio lógico indiscutível!
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leosilva 19/08/2015

Inteligência x criatividade
Antes de tecer meus comentários sobre “Delirium”, de Carlos Patrício, gostaria de falar um pouco sobre inteligência e criatividade, sem nenhuma pretensão de querer ensinar qualquer coisa a alguém, mas cumprindo meu desejo de explorar um pouco mais este espaço. Quando escrevemos certamente usamos o poder do nosso intelecto combinando, em maior ou menor grau, doses de inteligência e criatividade. Por mais que seja difícil conceituar inteligência, creio que possamos trabalhar com a seguinte definição de Teaman: “Inteligência é a capacidade de conceituar e de compreender o seu significado”. Criatividade, por outro lado, “consiste em encontrar métodos ou objetos para executar tarefas de uma maneira nova ou diferente do habitual, com a intenção de satisfazer um propósito.” (http://conceito.de/criatividade#ixzz3jI67JF13 ) Temos, portanto, dois elementos-chave que se destacam em um texto dentre dezenas de outros elementos. Você pode facilmente dizer que um texto é ou não inteligente, assim como consegue sentir que o autor estava ou não inspirado, se ele foi ou não criativo. Você pode ser extremamente inteligente e nem um pouco criativo quando escreve. Pode também ser muito criativo e nem um pouco inteligente. Enquanto escrevo gosto de pensar que misturo um pouco de cada, buscando um equilíbrio que torne o texto, ao mesmo tempo, um produto com importância social e uma forma de lazer e diversão. Patrício é criativo e inteligente, embora eu acredite ser ele um pouco mais do segundo do que o primeiro (na maior parte do tempo). As informações presentes nos contos de Delirium demonstram intensa pesquisa, diversas referências a cultura pop contemporânea e altas doses de erudição, tecidas, na maioria das vezes, com doses suficientes de criatividade. Não custa lembrar que: 1) Ninguém gosta de ser criticado – muito menos autores; 2) Publicar um livro normalmente é um sonho, e por isso criticas negativas doem tanto; 3) As críticas ao meu livro também me atingem. Fingimos que não, que é para nosso bem, mas ninguém gosta de ser criticado, logo, comumente não vemos críticas com bons olhos (digo isso enquanto escritor). Mas, de qualquer forma, vamos lá.
Comprei o livro diretamente do autor no bom e velho sistema de confiança, e ele veio autografado. Carlos Patrício é muito simpático e o livro é muito bonito, bem diagramado e finalizado. Não sou especialista em contos, de forma que prefiro ler romance porque acredito que, no caso de narrativas mais longas, o autor tem tempo e instrumentos para criar uma relação mais íntima com o leitor, tão necessária especialmente nos dias de hoje, onde as opções de leitura são as mais diversas possíveis. De qualquer forma, posso dizer que a leitura foi muito agradável durante a maior parte do tempo (só não foi mais, como melhor explicarei adiante, por excesso de inteligência dos textos). Vou falar mais especificamente do conto “Doutor Sádico”, que retrata, de certa forma, o lado (mais) perverso do ser humano, tema recorrente da literatura e do cinema. É o melhor conto do livro, mas confesso que não fiquei horrorizado ou assustado ou surpreso com as coisas narradas porque, há algum tempo, eu fiz uma pesquisa sobre a Deep Web e li algumas coisas até mais terríveis do que o conto apresenta. Meu objetivo é escrever um romance com esse pano de fundo assim que tiver tempo, mas, enfim, o tema é bom, falar da natureza humana é sempre interessante, especialmente quando se trata de distúrbios psicológicos. Quando li o conto senti uma identificação imediata com o autor e com a história, uma força invisível me ligando a eles. Contudo, quando a história acabou, fiquei meio sem sentir nada. O resto do livro fluiu, mas não tanto quanto o conto que o inicia. Os pontos positivos do livro são exatamente esses: as histórias fluem facilmente, são inteligentes e criativas, bem escritas, redondinhas, polidas e agradáveis. Mas sentimos que falta algo. Não poderia ser sincero nesta resenha sem compartilhar minhas comparações com o autor. Arrisco-me a dizer que somos muito parecidos, com a diferença de que sou mais sutil e tento ser o menos didático possível, sem deixar de explicar algumas coisas. O emprego de notas de rodapé é um ótimo recurso, mas seu uso exagerado parece cansar o leitor. O excesso de erudição, o didatismo e a racionalidade exacerbada comprometem qualquer texto literário, exigindo do autor muita criatividade para evitar chatear o leitor. Da mesma forma, contextualizar a história com informações e cultura pop é interessante, mas seu excesso torna o texto cansativo. Pessoalmente desaprovo o excesso de citações distribuídas pelos contos. Para mim uma citação de abertura já seria suficiente. Da mesma forma, explicar o significado de uma palavra ou termo em nota de rodapé é uma coisa, apresentar muitas informações e dados tornam a leitura muito cansativa. São tantas explicações que me arrisco a dizer que Patrício tem tara por erudição. Excesso de inteligência. Por todos os motivos já listados, os contos apresentam altos e baixos, são inconstantes e tornam o estilo do escritor indefinido. Da mesma forma o excesso de citações (algumas delas deslocadas ou de difícil apelo popular) rompem com o ritmo da leitura, cansando o leitor. Destaque positivo para “Lindos sonhos dourados”, que possui uma ótima premissa, ainda que se perca um pouco durante a narrativa, talvez por sua extensão desnecessariamente grande. “Telefone sem fio”, apesar de ser muito interessante, me parece uma narrativa um tanto quanto vazia, sem propósito. “A questão de todas as questões” é um conto longo e aborrecido sobre Deus e que, apesar de se resolver de forma pacífica, parece ser apenas um subterfúgio para se discutir questões religiosas. Ao mesmo tempo, as informações apresentadas neste conto são maravilhosas e nos levam a refletir verdadeiramente sobre o tema. “O outro mundo de Henrique” é desnecessário, assim como “Pouco antes da virada”, que destoa com o resto do livro e me parece sem propósito. Não tenho uma opinião sobre “Truco” e “Agoniado”.
Acho que falta a Patrício menos racionalidade e mais sentimento. Ele é inteligente, competente e instigante. Porém, não consigo conceber a escrita como uma atividade que não apele, de alguma forma, para o sentir – sem sentimentalismo barato. Mesmo um dos autores mais viscerais que já li, Stephen King, não abre mão de um ou outro momento bastante emocionante em seus textos, capaz de arrancar lágrimas do leitor (ver o desfecho de Mr. Jingles, em “À espera de um milagre”; Ralph em “Insônia” e “O corpo”, que foi adaptado para o cinema como “Conta comigo”). Acredito que seja preciso criar esse elo sentimental com o leitor, de forma a envolvê-lo com a história, tornando a escrita mais pessoal e íntima. Afinal, se desejamos conquistar leitores, precisamos treinar nosso coração para sentir mais do que simplesmente escrever. Além da leitura dos livros que citei em minha resenha, recomendo também a leitura do meu último romance, “Céu de Inverno”, (http://www.clubedeautores.com.br/book/185994--Ceu_de_Inverno#.VdTr-ZZ2Spk), disponível no Clube de Autores, e que fala sobre uma escritora que busca inspiração em sua cidade natal após uma crítica destrutiva, além da magia que é escrever.
Já que Carlos Patrício gosta tanto de citações, despeço-me com a minha favorita e que se encaixa muito bem nesse contexto: “Mas não se pode só racionalizar, John, também é preciso sentir.” (Dra. Ellie Sattler, Jurassic Park, filme homônimo do livro de Michael Crichton)
Abraços e até a próxima
Andreia 14/09/2015minha estante
"vc escreve 'mais fluido'? puxa,resenha pesada e difícil de ler! isso é ser sutil? não passaria da primeira pagina do seu livro"...kkkkkk




Raphael Rasse 16/01/2016

Delirium
Recebí este livro de maneira inusitada. Do próprio autor.
Nota-se desde o início que se trata de um escritor com muita ambição e muita criatividade além de possuir uma qualidade rara nos tempos atuais. Ele sabe sobre o que está escrevendo. Não chega a ser massacrante como a maioria dos especialistas é. Não. È um especialismo leve. O tipo de especialismo que pode nos instigar a querer ser um pouco mais especialista em algo.
A obra em questão trata-se de uma série de contos sem relação entre os próprios e que oscila entre os caminhos que chamam de estilo. Passa por épocas diferentes, países/estados diferentes e por poucos ou muitos personagens envolvidos nos contos.
Com personagens distintos e com tramas interessantes, a leitura vai se desenrolando de forma tranqüila graças á linguagem simples e dinâmica, primordial, em minha opinião, para contos.
Destaque para “Telefone sem fio”.
Parabenizo o escritor pela obra e pela coragem de ser um jovem escritor no Brasil. Esse país de gênios da literatura e, kafkiquianamente, povoado de pessoas que não querem ler.
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Samara Pimenta 08/05/2016

Resenha no youtube
Venham conferir a resenha do livro "Delirium" no canal "Hoje é dia". ;D

site: https://www.youtube.com/watch?v=zBl88PjjXdw
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Dani 26/09/2014

Definitivamente DELIRANTE!
Creio que foi um dos livros mais fortes, digamos assim, que li até agora. E não me arrependo nem um pouco de tê-lo lido. Todo o enredo dos contos me prenderam cada vez mais a leitura. Confesso que o impacto com as histórias foi tão grande que fiquei um bom tempo sem conseguir iniciar outra leitura. E é um livro para mentes abertas, para ler e mastigar as informações e assim criar suas próprias ideias. Um verdadeiro estimulante de ideias e conceitos. Apreciei muito essa leitura e super recomendo.
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