O Conto da Aia

O Conto da Aia Margaret Atwood


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Resenhas - A história da aia


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Grace 17/02/2019

Fundamentalismo político-religioso
Comecei a ler ele ano passado em meado de maio e parei. Retomei a leitura dele e finalmente terminei. O que eu achei? Qual a percepção que ficou? Achei ele atemporal. Me lembrou muito a Idade Média, por que? Porque fiz uma pequena associação com Inquisição, suas punições, suas fogueiras, suas forcas.Composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça a doutrina. Também fez relembrar nos séculos passados que a mulher não passava de mera procriadora (o que ainda vale para algumas sociedade no mundo atual) estava ali como mero objeto, ou melhor,um objeto poderia ter mais valor que elas. Mulheres cadastradas de qualquer pensamento próprio, liberdade, sociabilidade, lazer, prazer e afins. Eram coagidas pelo medo. Eram como mercadoria e descartáveis. Tudo isso faz pensar como as religiosas podem se tornar um " seita totalitária" que prega um hegemonia de superioridade. Um caminho onde vários iram sofrer e serão mortos por não agir conforme tal regimento de ditadura. O livro está para a reflexão e extração de seu conteúdo.Por exemplo: as lavagens cerebrais feitas por algumas religiões ...O fato é que o livro me fez pensar muito mais ainda em fundamentalismo político-religioso e que ele está sempre batendo na porta e espionando. Só a espera de uma brecha. Me bateu a curiosidade sobre a crença religiosa da escritora devido. Recomendo o livro.
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Felipe 17/02/2019

Tocante
" ..espero que fiquem de pau duro e sofram mais tarde em seus cartéis por não poderem extravasar com substitutas ( é proibido) ou sozinhos ( é sacrilégio)..."
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Mi Hummel 16/02/2019

O conto da Aia: um retrato social? #desafio1livropormês
"Demos-lhes mais do que tiramos, disse o Comandante. Pense na dificuldade que tinham antes. Não se lembra dos bares de solteiros, a indignidade dos encontros entre desconhecidos do colégio? O mercado da carne. Não se lembra do terrível abismo entra as que podiam conseguir um homem com facilidade e as que não podiam? Algumas delas ficavam desesperadas, passavam fome para ficar magras, enchiam os seios de silicone, mandavam cortar pedaços do nariz. Pense na infelicidade humana. (...) Da maneira como fazemos, todas elas conseguem um homem, ninguém é excluído. E depois, então, se de fato se casassem, podiam ser deixadas com uma criança, duas crianças, o marido podia simplesmente achar que estava farto e largá-las, desaparecer, elas tinham que viver às custas dos serviços sociais do governo. Ou então, o marido ficava por lá e batia nelas. Ou se tivessem emprego, as crianças ficavam em creches ou eram deixadas aos cuidados de alguma mulher brutal e ignorante, e tinham que pagar por elas próprias, de seus miseráveis e pequeninos salários. (...) Da maneira como fazemos estão protegidas, podem realizar seus destinos biológicos em paz. Com pleno apoio e encorajamento.(...) O que foi que deixamos de levar em conta?
Amor, respondi.
Amor?, disso o Comandante. Que tipo de amor?
O que se apaixona, disse eu.
(...) Ah, sim, li as revistas, era isso que elas vendiam, não era? Mas vejas as estatísticas, minha cara. Será que realmente valia a pena se apaixonar? Casamentos arranjados sempre tem funcionado igualmente bem, se não melhor."

Este foi o segundo título que escolhi para o desafio 1 livro por mês. E, basicamente, o mundo mergulhou em um caos de resíduos químicos, legando à população jovens inférteis ou fadados a produzir crianças com deformidades físicas. Então, surgem aias cujo papel é gerar filhos de homens selecionados pelo governo. E, com pano de fundo religioso.

Sem dúvida, um livro interessante pelo que propõe. O trecho que escolhi e que descrevi no início da resenha é um dos que mais me chamou a atenção. A justificativa do Comandante - bastante hipócrita já que o sistema mantém um mercado de carne para desfrute das altas patentes, como ele mesmo mostrará à sua aia - e a busca pelo amor, outra eterna necessidade feminina. Acho que seria mais interessante se ela tivesse dito: liberdade. Pois, com liberdade você escolhe seu próprio caminho e pode buscar, ou não, um amor. Não uma pessoa imposta à você para fins biológicos. Bem, foi o que pensei no momento.

É difícil pensar no cenário de O conto da Aia como um futuro. Futuro para mim quer dizer evolução. A proposta do livro é uma sociedade bastante retrógrada e dominada pelo medo. Meio idade média, com Tias dominando as aias com discursos religiosos e esposas figurativas para os homens manterem seu orgulho. O mais interessante: a dominação é, em grande parte, causadas pelas próprias mulheres. Marthas, Tias, Aias e Esposas...Divididas pelo orgulho de sua posição.

Enfim, é um livro interessante e que dá ensejo a diversas reflexões sobre a sociedade. Eu devo dizer que adorei o final. Achei uma sacada bastante boa por parte da autora.
A leitura é enriquecedora e...Assustadora.
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Rafaela.Natalia 13/02/2019

Fazia tempo que não lia um livro com uma realidade que ao mesmo tempo que parece distante, durante a leitura me parecia tão atual, tão vívido, nas noticias de jornais, no nosso atual momento político e o mais importante sobre o valor da mulher na sociedade seja na ficção e na distopia ou na vida real.
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O livro é narrado em primeira pessoa pela Aia Offred (Of de pertence à Fred seu comandante) vou explicar melhor, as Aias são destinadas únicas e exclusivamente a procriar, já que são férteis. Acontece que nessa distopia o mundo está totalmente mudado, o governo foi derrubado e as religiões atacadas, se construiu então uma nova sociedade, onde as mulheres são vistas como inferiores, sem capacidade de opinar, de ler, se expressar, se vestir da maneira que quiser ou viver uma vida que seja da sua escolha.
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As mulheres então são separadas por grupos, as Marthas são empregadas, as tias são instrutoras que ensinam as Aias, As Esposas administram o Lar e as Aias reproduzem. .
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As mulheres agora em sua maioria são inférteis devido a poluição e a radiação, então quem é fértil tem como dever reproduzir para aqueles que não podem, e óbvio aqueles que tem mais poder e mais dinheiro, como sempre na historia da sociedade.
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Então através de Offred conhecemos tudo sobre esse novo mundo e como era sua vida antes de se tornar uma Aia, e acredite ler os relatos dela foi muito nauseante e triste, mesmo se tratando de uma ficção, sendo mulher me senti ofendida do começo ao fim do livro, e em alguns momentos em particular sofri muito, como por exemplo, o ato sexual com a presença da esposa, tudo mecânico e automático, as partes das punições, e as partes que a protagonista queria apenas ter a oportunidade de ler algo.
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A narrativa é fluída e muito bem desenvolvida pela autora, que trabalha muito bem a distopia dentro da trama, despertando a imaginação durante toda a leitura, e o melhor nos mostrando o quão nossos direitos, nossa liberdade, nosso futuro são frágeis e instáveis.

site: https://www.instagram.com/diariodeleiturasdarafa/
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Vaninha 13/02/2019

"Lamento que haja tanto sofrimento nesta história. Lamento que esteja em fragmentos, como um corpo apanhado num fogo cruzado ou desfeito em pedaços à força. Mas não há nada que eu possa fazer para mudá-la."

É sério! Essas distopias escritas ainda no século XX me fazem tremer de medo. São muito realistas e altamente possíveis.

Há uns três anos eu li 1984, do George Orwel, e as fake news estão aí para provar que o homem tinha razão. Ele pode não ter previsto o meio (afinal, ele não poderia saber que a internet seria usada para disseminar notícias em tão grande volume e tão rapidamente) mas ele previu o fato.

Esse livro, pelas consequências recaírem principalmente sobre as mulheres, me impactou ainda mais. Uma seita extremista dá um golpe e assume o poder, implantado um governo teocrático, altamente militarizado e prometendo um mundo pautado na moral e nos bons costumes, mas, na realidade, o que vemos é uma sociedade repressiva, de pessoas infelizes e acuadas, pautada na violência e no falso moralismo.

Nesse mundo, as mulheres não passam de objetos sem vontade própria. Destituídas de sua liberdade, da independência financeira, do poder de escolha. Proibidas de sair sozinhas, de trabalhar, de escolher com quem se casar, proibidas de estudar e de ler (isso também era proibido aos homens fora da cadeia de comando, afinal, aqueles que não pensam e que são treinados apenas para obedecer dão melhores soldados).

Nesse cenário, o pior papel coube às aias. Elas não são donas do próprio corpo. Seus corpos pertencem ao estado. São vistas apenas como úteros. Disponíveis para qualquer homem que puder solicitar seus serviços, caso suas esposas não consigam conceber. Muitas delas têm filhos dos quais foram separadas. Se não conseguirem engravidar, se tentarem fugir ou se rebelarem de alguma forma contra o sistema podem ir parar no muro: mortas e penduradas a céu aberto para servir de exemplo e de aviso para as outras.

Muitos outros foram parar no muro: médicos que fizeram abortos, cientistas que criaram e aperfeiçoaram métodos contraceptivos, pessoas que professavam outras religiões, homossexuais, mulheres inférteis, idosas, professores, intelectuais e outras pessoas que não aceitaram se submeter ao regime.

Se você parar para observar e pesquisar um pouco, vai ver que muito do que ela mostra no livro já aconteceu ou está acontecendo no mundo e essa percepção torna a leitura assustadora.

A história é contada de forma não linear. Confrontando a realidade dos dias de Offred com as lembranças da vida que ela tinha antes do golpe. É doloroso acompanhar a agonia, a ansiedade, o medo, a desconfiança e o pior, aquela pontinha de esperança que insiste em se infiltrar nos pensamentos dela. Um livro que vale a pena ler para refletir.
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Mundo da K 12/02/2019

Por Karla Chiacchio - @mundodak
Um alerta! É isso que esse livro é, um alerta.

Uma distopia onde as mulheres perderam todos os seus direitos e foram distribuídas em castas.
As Esposas que são casadas com homens importantes e em sua maioria, inférteis.
As Econoesposas que são casadas com homens de cargos inferiores.
As Marthas que cuidam dos serviços domésticos nas casas das Esposas.
As Aias que são como barrigas que aluguel, férteis, elas servem somente para a procriação e são distribuídas como uma mercadoria entres as famílias ricas.
E as Tias que são as tutoras das Aias e as ensinam como devem se portar.

No livro conhecemos a história de uma Aia e vemos de perto como é viver no limite dessa sociedade opressora e totalitária. Uma narrativa dolorosa, difícil e muito real.
É assustador ver como vários acontecimentos estão tão próximos do nosso dia a dia. Por isso considero esse livro como um alerta.
Não que vá acontecer tudo exatamente igual ao livro, ele está longe de ser uma previsão do nosso futuro, mas são tantas semelhanças...
Governo teocrático, utilizando a Palavra de Deus como desculpa para oprimir, mulheres diminuídas, homossexuais assasinados, mulheres competindo entre si, mulheres sendo usadas como objetos, mulheres culpando outra mulher pela a violência que ela sofreu, como se alguém tivesse culpa de ser violentado.

No meio desse relato, buscamos desesperadamente por uma resistência, por uma esperança, mas Offred, a Aia não é uma heroína, ela não tem mais esperança e aceita. Aceita por medo do que pode ser pior, ela prefere ser calada, maltratada, subjugada, ela não quer morrer, por pior que seja, ela quer viver.

E é aí que vem a grande questão, o que você faria? Você resistiria e arriscaria a sua vida? Ou você ficaria com medo e aceitaria um futuro terrível? Um futuro onde você não é mais você, você não tem voz, direitos, vontades e pensamentos, você apenas existe e serve.

Volto a dizer, um alerta! Não podemos deixar isso ou algo pior acontecer.
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mabs 11/02/2019

Esperava mais, mas não é uma leitura ruim.
Eu estava morrendo de vontade de ler o Conto da Aia. A empolgação pela promessa do enredo, o entusiasmo para concretizar a leitura que almejada há tanto tempo, ou talvez as altas expectativas me fizeram ficar presa em uma lentidão de descrições que eu não queria saber. A primeira metade do livro não traz acontecimentos surpreendentes, ela conta histórias. Não foi uma leitura maçante, pelo contrário, foi fluída e leve, mas sem grandes emoções. Na parte empolgante, surpresa! O livro acaba.
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Felipe 11/02/2019

Uma Obra Ímpar
Comecei essa leitura sem ter assistido nada da série, apenas conhecendo, levemente, um pouco desse universo e de toda a comoção que havia causado, o que me fez chegar a esse livro transbordando de curiosidade e ansiedade, e, em partes, ele não decepciona.

Todo o universo, bem como a sua construção, é de um cuidado quase espantoso. Todas as pessoas têm o seu papel nessa sociedade perturbadora. Tudo é muito bem explicado e muitas vezes algumas semelhanças com a realidade chegam a assustar de verdade, nos deixando com a pulga atrás da orelha em relação ao que vamos colher após a situação política e religiosa do mundo.

Por vezes a leitura assusta e embrulha o estômago em maior escala do que muitos livros de terror. Aqui, Margaret Atwood criou algo quase sem precedentes, uma distopia cruel, deprimente e assustadoramente real.

Entretanto, nem tudo são flores.

Achei a escrita muito confusa em algumas partes, principalmente na questão dos diálogos, que alternavam de estilo a torto e a direito. Além disso, por diversas vezes, a leitura se torna deveras arrastada, com a narradora dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar nenhum.

Nesse sentido, fica a impressão que 100 páginas a menos poderiam ter feito bem a esta obra, secando e podando partes que não acrescentaram verdadeiramente a historia e dando enfoque aos acontecimentos que talvez o merecessem.

Mas enfim, os pontos negativos não tiram o mérito dessa narrativa marcante e desse universo macabro e, ao mesmo tempo, extremamente preocupante. Vale a leitura, ainda mais se você for um grande fã da série ou não tiver ideia sobre o que ela trata.
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Sofs 09/02/2019

Genial
Sou uma fã de distopia e a Margaret Atwood foi capaz de trazer o gênero com um tom diferente. Leitura fácil, mas extremamente marcante e motivadora de diversas reflexões sobre poder da religião e o patriarcalismo que ronda as civilizações ocidentais desde muito tempo. Impactante em todos os sentidos, mas que me marcou profundamente pela narração íntima da Offred. Recomendo a leitura.
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Mari 09/02/2019

Uma distopia cada vez mais semelhante com a realidade
O livro fala sobre uma realidade em que as pessoas - em especial as mulheres - perdem sua liberdade em prol de um regime totalitário teocrático. Isso nos EUA. Pense! Que ousadia dessa Margareth escrever sobre a implosão da democracia justamente na casa desses caras. Enfim. Um desabafo sobre como ela foi corajosa pra caramba.
Não acho que estejamos indo no caminho exato do livro - óbvio que ele cria uma situação quase impensável em relação ao papel das aias - mas não estamos tão longe em termos de perda democrática (falo isso diante de uma conjuntura global, não apenas nacional). Vale a leitura!
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Eliana 08/02/2019

Atual
Temas como opressão ao feminino, onde muitas mulheres são colocadas ao serviço exclusivo da procriação, com o intuito de beneficiar apenas uma elite privilegiada, apropriação de crianças pelo Estado, opressão a toda forma de pensamento cientifico com enaltecimento do pensamento religioso, que basila toda forma de comportamento que a sociedade, em tese, deve seguir.
Esta distopia é assustadoramente atual se levar em consideração a crescente onda da ultradireita conservadora ao redor do mundo que prega o obscurantismo de ideias, o autoritarismo, a violência como forma de controle, a opressão a minorias e a redução a liberdades individuais.
Na década de 80 Margaret Atwood inspira-se em regimes teocrático e ditatórias do passado para escrever um conto sobre as percepções e angústias de uma aia, que passou pelo processo de perda de direitos. Porém o que ela não esperava era que sua obra fosse espelhar, de forma tão próxima o futuro.
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Iago 07/02/2019

Demais!
Sensacional. Arrepiante. Real. Um livro que nos faz refletir e imaginar um futuro possível, e talvez bem próximo. O clima de tensão, de ser espionado, faz com que o leitor sinta mais como a personagem se sente. Os insights que a Offred tem do seu passado, os pensamentos que ela tem sobre si e sobre o mundo e os seus conflitos interiores nos fazem entender o que se passa dentro dela e como ela está reagindo interiormente a tudo o que está acontecendo. As analogias e comparações que a autora faz em vários momentos, para facilitar o nosso entendimento dos detalhes, são demais. Acho interessante, como educador, as formas que as Tias educam as Aias para que elas aprendam o que deve ser aprendido, de uma forma que realmente entre na mente delas, com repetições, exercícios, entre outros métodos. Esse livro é um alerta para o nosso tempo, avisando-nos de como o mundo pode mudar de uma forma sutil, porém destruidora e de como uma interpretação errada de um texto religioso pode causar muitos estragos.
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Emili 03/02/2019

Livro x série
Vi a primeira temporada da série e gostei e depois descobri que havia o livro, parei de olhar a série e comecei a ler. E, pelo primeira vez, a obra literária não foi tão boa quanto a adaptação. No livro eu senti falta de alguns acontecimentos e da perspectiva de outros personagens. O lado positivo do livro é que podemos sentir junto com a personagem todas as suas emoções com mais profundidade, já que isso é um dos poderes da escrita, diferente da série que não compreende isso tão bem.
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Mari 03/02/2019

Angustiante e perturbador
‘O conto da aia’ é uma distopia (ou não?) da autora canadense Margaret Atwood, que fez um trabalho magnífico na construção de uma sociedade que, ainda que fictícia, é capaz de reavivar nossos medos reais.

A narração em primeira pessoa nos mostra a República de Gilead, outrora Estados Unidos, um regime teocrático que foi se instalando no país aos pouquinhos afirmando ser a solução para o problema da baixa taxa de natalidade, buscando na Bíblia as bases para o sistema e condenando assim os métodos contraceptivos, os relacionamentos homossexuais e até mesmo os casos em que a própria mulher optava por não ter filhos, partindo sempre da premissa de que era a única forma de salvar as mulheres e a grande dádiva da maternidade.

A República de Gilead é dividida de forma a estruturar “castas” ou classes com funções bastante específicas. Existem os Comandantes, homens no poder; as Esposas, administradoras dos lares, esposas dos comandantes; as Marthas, responsáveis pelas tarefas domésticas; as Aias, mulheres em idade fértil cuja função é única e exclusivamente a reprodução; e as Tias, responsáveis pela educação das aias para a submissão. As mulheres, mesmo as Esposas, ocupam a posição mais baixa da sociedade, sendo proibidas de ler, escrever e opinar sobre quaisquer assuntos.

A narradora é uma das Aias, uma das milhares de mulheres que foram sequestadas e passaram a ser mantidas como escravas sexuais através das quais nasceriam as crianças a serem criadas pelos Comandantes e suas Esposas. A personagem passou a ser chamada de Offred (“of Fred”/ “do Fred”), como demonstrativo de a quem pertencia. Ao longo do livro Offred conta um pouco da vida (?) na casa do Comandante e das cerimônias que o regime imposto pelos radicais cristãos instituíram. Uma delas é a chamada Cerimônia, na qual uma aia é violentada pelo Comandante, em presença da Esposa, visando a gestação. Seus flashbacks sobre o “antes”, tudo que antecedeu a tomada do poder pelos Filhos de Jacó, misturam-se com relatos de sua nova condição.

O livro é extenso e a narrativa com tantas idas e vindas no tempo em alguns momentos me deixou um pouco entediada. Apesar desse ponto negativo, o livro não perde sua principal característica, que é ser, na maior parte do tempo, angustiante – principalmente por sua proximidade com a realidade.

É uma leitura que nos faz refletir sobre o que fazemos e o que permitimos que aconteça, ainda que sutilmente, em nossa sociedade. Sobre o quanto é volátil ser mulher, correndo o risco de ter os seus direitos arrancados quando aqueles no poder se sentirem no direito de toma-los. Recomendo que se leia com atenção, afinal toda ficção tem um pé na realidade.


site: https://bibliotecaparticular.home.blog/
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