Admirável Mundo Novo

Admirável Mundo Novo Aldous Huxley




Resenhas - Admirável Mundo Novo


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Evelyn Ruani 11/04/2011

DESAFIO LITERÁRIO 2011 - Tema: Ficção Científica / Mês: Abril (Livro 2)
Admirável Mundo Novo me deixou inquieta assim como 1984 de Orwell. Ainda que este último tenha me afetado de forma bem mais opressora, Huxley não ficou muito atrás. Já nos primeiros capítulos o autor nos apresenta um mundo inimaginável (porém provável) onde as pessoas são condicionadas biologicamente e psicologicamente a existirem em concordância com as leis e normas sociais da época que não possuíam as éticas religiosas e apegos morais que regem a nossa atual sociedade. Quando algum indivíduo desse futuro sente desconforto, dúvida ou incerteza, consome uma droga chamada soma que dissipa esses problemas e deixa a pessoa feliz. Além disso a sociedade é organizada por castas e os indivíduos já são atencipadamente determinados e condicionados a serem parte de uma delas.

No início do livro é mostrado, como exemplo, o condicionamento de crianças da casta Delta, uma das mais baixas, onde as crianças de oito meses levavam choques ao se aproximarem de livros. A lição tinha o intuito de criar um ódio instintivo ao livros que duraria a vida toda, pois não se podia permitir a pessoas de casta inferior desperdiçarem o tempo da Comunidade com livros, além de haver sempre o perigo de lerem coisas que provocassem o indesejável descondicionamento de alguns dos seus reflexos. Simplesmente chocante. Informações tão chocantes como esta, ou até piores já são expostas logo nos primeiros capítulos!

O conceito de família, pai, mãe, irmãos são vistos como vulgares e inomináveis para estes novos indivíduos. O governo se opõe a tudo que é intenso e prolongado, por isso não há namoro ou casamento, ou qualquer coisa que possa fazer os indivíduos sofrerem emoções violentas. Como o corpo necessita da adrenalina destas sensações, o governo distribui drogas que causam o efeito no organismo sem que assim seja necessário o sofrimento. Além disso, o governo proporciona algum lazer, como os cinemas onde a platéia, conectada a terminais sensoriais, acompanham os filmes conhecendo as sensações, o paladar e os cheiros que saem diretamente da tela.

Nesta sociedade futurista, tudo é resolvido com o uso da droga SOMA, distribuída também pelo governo a todos os indivíduos que estejam com depressão, dúvidas e frustrações em relação à vida. As pessoas são sempre felizes, têm tudo que desejam, não tem medo da morte e nunca adoecem.

Neste contexto somos apresentados ao personagem Bernard Marx. Um indivíduo da casta Alfa Mais, a mais alta, que se sente insatisfeito com o mundo onde vive. Grande parte se deve ao fato de ser diferente fisicamente dos outros indivíduos de sua casta, mais altos e mais bonitos do que ele. Ele se apaixona por Lenina, uma mulher da Casta Beta Mais, mas não quer ter apenas um relacionamento superficial com ela, como é o imposto pela sociedade. Bernard é psicólogo e começa a questionar até que ponto a felicidade e o comodismo daquela sociedade é realmente bom o suficiente para ser feliz. Em uma viagem à trabalho para uma espécie de reserva histórica, onde pessoas vivem como no passado, aos moldes da antiga sociedade (que seria a nossa atual), ele encontra uma mulher que fazia parte da civilização (que é como chamam o futuro condicionado em que vivem) e seu filho, John.

Para a civilização, conceber de forma natural é um ato vulgar e inaceitável, mas Bernard vê uma possibilidade de conquistar o respeito dos indivíduos de sua casta, se levar ambos para a civilização e apresentá-los como exemplares dos seres selvagens (como chamam os que ainda vivem no passado). Linda é, desde sua chegada, rejeitada pela sociedade por ser uma mãe natural e além disso não ter a estética e beleza das mulheres geradas na civilização. John também é visto como algo berrante, mas cria um certo fascínio e curiosidade entre os civilizados.

O livro possui uma mensagem muito profunda e acho importantíssima a sua leitura, assim como 1984 de Orwell. Afinal, não é tão improvável que cheguemos a um futuro desse tipo. Fiquei bastante impressionada e admirada da genialidade de autores como Huxley que escreveram sobre temas tão atauis há muitos anos atrás, afinal o livro foi publicado em 1932. Gostei muito também das ligações que o autor faz, através do personagem John (o Selvagem) das passagens da história com citações do autor William Shakespeare que inspirou inclusive o título do livro, pois é uma das fala da personagem Miranda do livro Tempestade.

Também é bem interessante perceber as ligações que Huxley faz com personagens reais, como é o caso de Henry Ford, que na sua obra se transformou numa figura messiânica para o Estado. Os indivíduos de O Admirável Mundo Novo trocam os comuns, para nós, Oh, Senhor, Nosso Senhor e Pelo amor de Deus por Oh, Ford, Nosso Ford e Pelo amor de Ford. Algumas vezes Freud é citado no lugar de Ford, remetendo a ligação entre psicanálise freudiana e o condicionamento humano.

Admirável Mundo Novo é uma obra de leitura obrigatória e portanto, altamente recomendada!
Léia Viana 11/04/2011minha estante
Linda resenha Lyani. Esta obra é a descrição perfeita de uma sociedade controlada e alienada, totalmente aceita por todos que nela vivem.
Huxley descreve o nosso mundo sem deixar de ser sensível. As diversas citações das obras de Shakespeare deu todo um encanto a narrativa. Parabéns por está linda resenha.


Ariane 15/04/2011minha estante
Parabéns. Belíssima resenha! Fiquei com muita vontade de ler.


Amanda 17/02/2012minha estante
Não entendo como Freud pode ser relacionado a condicionamento humano, e já vi esse erro em mais de uma resenha. Watson e Skinner são responsáveis por esse ramo da psicologia, não Freud. Talvez a relação seja que Freud relatou que os problemas da sociedade atual seriam relacionados à família e à moral sexual.


Vanessa bibliotecária 15/03/2012minha estante
Deu vontade de ler de novo!!!


Ádila 02/06/2012minha estante
Tem uma música de Pitty que se chama "Admirável Chip Novo" :) deve ter sido inspirada nesse livro.


Cristiane 20/06/2012minha estante
A relação de Freud no livro é somente em relação ao sexo. Da possibilidade do ser humano fazer sexo pelo prazer, não só pela procriação. Condicionamento já vem do Pavlov.


Gerson 27/10/2012minha estante
Gostei muito do livro. Pena que tem um ritmos meio amarrado pois envolve muitas descrições de como é este "Admirável Mundo Novo". Mas temos que lembrar que este é um livro de 1932 e com toda certeza foi revolucionário. Da minha parte, o que mais gostei foram os diálogos dos capítulos Dezesseis e Dezessete, mas é claro, tem que ler o livro todo para entender o que é dito.


Aline Stechitti 09/12/2012minha estante
Eu li 1984 e ele se tornou meu livro preferido, agora preciso urgentemente ler Admirável mundo novo! hehe! Ótima resenha! Adorei!


Diná 29/04/2013minha estante
Gostei da resenha Lyane, muito completa e sua análise é bem legal. Só acho que você deve lembrar que os padrões não são meramente impostos, Bernard não mantem algo fixo com Lenina porque ele não consegue ter( já que foi condicionado para tal).
Assim, é algo mais forte que a imposição... Se fosse algo imposto, as personagens poderiam romper isso; mas não podem porque estão presas nesse ciclo.
Mas o livro me causou a mesma impressão... È inquietante e atual, mesmo sendo "velho". Já leu Farenheit 451? É bem inquietante também.


rapha 27/08/2014minha estante
Gostei muito da resenha, estava em dúvida quanto ao livro, mas fiquei muito curiosa para lê-lo. Adorei!


Joe 09/07/2015minha estante
Comecei a ler agora...
Sinto que preciso compartilhar minha visão a respeito.
Parece no mesmo patamar de 1984!


ARafaelaGodoy 16/08/2015minha estante
Parabéns pela resenha tão bem escrita!
Eu tenho um pouco de receio de não gostar de livros "antigos", não sei porque não consigo me interessar pelos Clássicos. Sua resenha é maravilhosa e me deixou muito interessada em ler o livro. Vou ter que ler para tirar minhas próprias conclusões! Beijos e mais uma vez, parabéns!


Robson.Moreira 06/11/2016minha estante
Excelente livro! Parabéns pela resenha.


Edy Marques 02/01/2018minha estante
Excelente resenha, me despertou ainda mais o desejo de ler essa obra.




Rômullo 05/03/2010

Admirável ou Abominável Mundo Novo ?
Imagine uma sociedade treinada. Completamente organizada. Onde todas as instituições que conhecemos (Família, casamento, amor, fé, Deus) simplesmente não existissem. Não haveria vontade livre ou escolhas, abolidas pelo pré-condicionamento; a servidão seria algo aceitável devido a doses regulares de felicidade química (através de uma droga chamada "soma"); ortodoxias e ideologias seriam ministradas em cursos durante o sono. Desde pequeninos, talvez até como clones, seríamos condicionados a ter um estilo de vida funcional e que se adequasse ao meio. Seríamos dividos previamente em castas superiores ou inferiores, ou seja, classes sociais.

Esse é o retrato do "Mundo Novo", da obra de Huxley. Ou seria da sociedade atual?

Não é a nossa sociedade tão consumista e manipuladora quanto a de Huxley? Não são os nossos meios midiáticos que procuram destruir essas 'instituições'? As nossas escolhas e nosso raciocínio crítico não estão sendo tirados dia após dia? Muitos já tomam o "soma" (o que é 'soma' senão o ópio do povo, os shoppings, e por que não dizer o álcool, a maconha, LSD, o crack ? As semelhanças são muitas.

No entanto, o "Mundo Novo" se aproxima também da perfeição: o Estado tenta garantir o Bem-Estar da população, não há doenças, guerras, fome, não há disputas por amor (você teria a mulher/homem que quisesse), ninguém fica velho (tanto fisicamente quanto intelectualmente).

Se lhe fosse dada a escolha, o que você optaria: nossa sociedade, cheia de defeitos, injustiças, e tudo mais que há de ruim, ou uma sociedade planejada, voltada para o "bem estar social", onde o todo é o que importa, e as particularidade são suprimidas?

Realmente, é difícil de responder. Toda essa perfeição do Mundo Novo tem seu preço. Em troca da felicidade, a supressão da verdade, da ciência. As pessoas deixariam de ser seres humanos e passariam a ser máquinas superepecializadas. A vida individual, uma das coisas mais valiosas que o homem conquistou com o processo evolutivo, seria anulada pela vida coletiva (nada que lembre o socialismo...).

Mas onde está o problema? Talvez o preço da verdade não seria tão caro se a fome, a miséria, as guerras, injustiça fossem abolidas da face da Terra. Que importa sabermos que a Terra é redonda? Que importa conhecermos a complexidade da Filosofia? Que importa tudo isso, se a felicidade é algo distante para uma grande parcela da população? Valeria a pena trocar o conhecimento pela felicidade?

Um certo filósofo disse uma vez que "feliz é aquele que vive na ignorância"...

A escolha é nossa!

"O Homem ainda faz parte da Natureza. Ele não pode anulá-la, pois ela vive dentro dele próprio. Ele ainda pode voltar a ser o que era antes de se "destacar" de seus "irmãos", se é que chegou a ser alguma coisa."

"Quando as portas da percepção forem abertas, todas as coisas surgirão diante do homem como verdadeiramente são: infinitas."

Aldous Huxley
Talassa 05/03/2010minha estante
Texto muito bom.

Só tenho que discordar em duas coisas. rs



Primeira, acredito que as drogas atuais estão longe de ser aquelas quimicas que você citou (alcool, maconha e cia). A meu ver, as drogas muito mais incisivas na população são: o consumo, o poder, e porque não a ignorância?

Não digo a ignorância clássica, a de não saber do que se tem.



Mas digo da que se ignora o que se tem, ou seja, sabe que se tem mas finge não se ter.

Tanto quanto ao lado natural quanto ao lado humano também.



Segundo.



Claaaaaaaaaaaro..quem sou eu pra discordar, maaaas assim. Não faço muito parte dessa coisa toda de "feliz aquele que vive na ignorância"... Poorque pra mim, ignorancia não é só o ato de nao saber, é também ato de ignorar. de não QUERER saber. O que é pior.

Acho que devemos saber de tudo pra fazermos nossas escolhas.



Claro que tudo seria mais simples se a pestinha da Pandora não tivesse aberto aquela caixa, rs, mas já que foi aberta que saibamos escolher nossos caminhos.

E com a devida sabedoria.

Afinal, somos ou não somos "Homens que pensam que pensam" ?



Feliz é aquele que não ignora e que por isso soube e sabe escolher.





Beijos.


AStefan 06/03/2010minha estante
Bom, estou com a Talassa tb nesse aspecto das drogas.. Entorpecentes não são nada mais do q reflexos da sociedade atual. As verdadeiras dorgas, mano! da nossa sociedade é o consumismo, a mídia massiva e a passividade da população atual em aceitar tudo q é enlatado e enviado pra cá. Toda sociedade é condicionada. A nossa também, obviamente. Só não é um modelo tão desenvolvido quanto o descrito no livro. Não é a toa q desde crianças vemos televisão, temos q nos ajustar às normas sociais, queremos isso e aquilo, q muitas vezes não precisamos. Ele só mostra uma alternativa e metaforiza a revolução q estava vivendo.



Quanto à ignorância, discordo dela.. rsrs



Se eu pudesse escolher agora entre viver uma vida descontraída, sem pensar em política, religião, daonde viemos, para onde vamos, sem me importar com nenhuma questão importante, e ser feliz assim mesmo, eu aceitaria a ignorância numa boa, até pq não saberia q há uma outra possibilidade, assim como no livro. Seria a minha realidade, o meu mundo perfeito, e o considero melhor do q esse em q vivo hj.



Mas infelizmente ou felizmente, resolvi escolher a pílula vermelha e pensar e me importar com as mazelas deste mundo, e tentar fazer alguma coisa para mudar para melhhor, qualquer q seja a minha opinião.



Preciso confessar que quando comecei a ler esse livro, a idéia de condicionamento até q me pareceu razoável, só no desenrolar do livro q vi coisas q me desagradaram, principalmente a existência de povos primitivos. hsuahsuhasuhauhsa, deveriam estar todos destruídos!!! Muahahahahaha


Talassa 08/03/2010minha estante
rsrs.

Arthur, você é um chato! =P

rs



Não, de verdade.

Quando eu quis dizer a ignorancia, claaro que eu tambem preferia morar num mundo perfeito, com bosques e arvores com passaros etc e tal. O problema é que ele não existe.

Me refiro ao mundo que temos hoje

E com ele a gente tem qe ter acesso a tudo o que pode se saber sobre o mundo ( nao me refiro a essa coisa toda de lixo tecnológico) pra gente poder escolher que mundo queremos.





"Queremos saber,

Queremos viver

Confiantes no futuro

Por isso se faz necessário prever

Qual o itinerário da ilusão

A ilusão do poder

Pois se foi permitido ao homem

Tantas coisas conhecer

É melhor que todos saibam

O que pode acontecer"



Gilberto Gil



Adriana F. 10/01/2011minha estante
Gostei da resenha. Só o fato de vc fazer o link com a sociedade atual já está de bom tamanho!!! Um dia farei a minha, mas como é um livro mto especial, tenho medo de não conseguir escrever à altura! hihihihi


Têco 15/12/2011minha estante
Cara, resistir é persistir. Cada individuo é uno. E tem a verdade, sua verdade. Que a sociedade o quer oprimir sob certa situação, e o quer defender sobre outra. Na superficialidade "o homem é o lobo do homem" (interessante ver a letra da música Pitty que tem esse trecho, o próprio álbum é muito bom e a romântica, para quem continuou a acompanhar a obra dela, vê uma beleza, que, "putz", sem mensurar, dela), interessante ver a obra "O Idiota" de Dostoiévski no trecho onde se conta a historia da mulher que é apredejada, humilhada, perseguida, na sua vila, por circunstâncias sociais (as páginas são riquíssimas). Há um paradoxo grande, o homem pode ser guiado pelo seu comum, "conviver", "guerrear", pode ter algo distinto da sociedade e ser reprimido pela sociedade por medo dele próprio ser reprimido ou ser diferente, evoluir (evolui se fizer ao contrário, resistir, com luz e amor frente a escuridão; serenidade, consciência, ligado em tudo, ligado na verdade). A humanidade flutua e transborda entre um inconsciente mascarado coletivo e um estado de comunhão... Será isto? Isto é o exposto pra quem enxerga em um nível... Um outro, talvez o mais ocorrente e o entre os "estados de consciência" ("ser", liberdade)(que são os oscilantes e não muito ocorríveis entre o homem comum e hipócrita, que pode surgir em instantes de ser quem é e criatividade), do homem comum hipócrita e social, estado este onde aparecem as diferenças e sob a base de ódio, inveja, cobiça, poder... Um outro é o que vê sob a ótica da espiritualidade mais avançada, que é de não esperar nada do mundo, não agir pro ele, apenas estar, apenas ser... mas é pra quem atingiu este nível de evolução e assim o acaba comunicando isto... pra quem quer estar em torno dessa espiritualidade e busca, o vêem para si o mundo com destemor, entusiasmo, alegria, desprendimento compromissado, juventude, vitalidae, exuberânica, humildade, "admirando o admirável" e aqui vem a crítica do livro pela minha parte; ele fala em fundamentalismo, mas será que a dessas instituições, "sociedade", ou valores, ética, não tem um quê de fundamentalista? Um espiriualista como Krishnamurti não acredita na instituição família, no Estado, mas é uma espiritualidade realmente iluminada, para iluminados. Eu acredito em conhecer e ter consciência desta espiriualidade, mas agir em prol do coletivo, da ética, da razão, dos valores mais tocantes (que não vem do nada, vem de uma construção, de uma cultura, de uma evolução espiritual e evolucionista, de respeito ao mestre, ao ancestral, as constituições físicas, idade, repouso)... porém acredito mais no íntimo... no meu íntimo... no de qualquer pessoa... no indivíduo... na particularidade de cada um... lá o divino está mais a frente e desenvolvido... e o oposto disto é o medo social coletivo, comum a "escuridão" (qualquer não luz, falta de parcela dela), falta de consciência, presença, em que fracóides humanóides simulam, disfarçam, "tiram o time", mostram até algo seu, mas com um medo da opressão social a evolução do amor, do agora, mostrando um insconsciente coletivo de milhares de anos de guerras, de condicionamentos, de pressões, de sociedades, até do mau e muito dele, se agarrando numa ética que se alguns casos assim feita, o agarrar a ética é ao medo, por não terem a vista ao evoluído individual, ou pelo menos o seu íntimo negar por máscaras suas e pressões de fora. E em muitos casos, o de pessoas não envolvidas e bem distantes do caso fica muito fácil pra elas não pensarem, se levarem pela onda, leva, maioria, não terem consciência, percepção e por muito atingido por um coletivo e até estar nele agirem em função dele, mas também claramente revelando um medo inconsciente coletivo e fuga, "sou diferente", "não sou amigo dele, só até tal ponto", "sou frouxo". Amanhece um carnaval com algumas pessoas na rua, todo mundo comprimentanto veementemente todo mundo que vai saber um pouco da liberdade. Se joga (literalmente) pra entrar num ônibus com umas duzentas pessoas querendo entrar pra um bairro violento, vai sentado na cabeçeira da cadeira fazendo samba. "Eu queria ver a verdadeira liberdade, sem medos, paranóias ou cabreragens". Escuta Sabotage cantar e falar em humildade e revolucionar a humildade como cultivável. Vê ele cantando "viver livre no extremo, ir de encontro ao vento". Você for levado aonde quiser estar, "certeza que a sede, adrena na veia, me levam aonde eu quiser estar". Vê quem produz mais e sobe e desce qualquer ladeira sem medo. Concluo este comentário assim. Cada um é cada. O mais fácil é se esconder. O livro trás conhecimento, forte, direcionado, algo que ele concentrou... mas de forma ainda paradoxal, nada pode ser generalista completamente ou se pode não é o fundamentalismo que ele fala, mas algo bem diferente. Lendo entendo este bem diferente, mas é o maior dom comum de cada. Não dá pra levar pra politíca, pra sociedade e nem até pra ética, o que se tira é uma conclusão espiritual, e claro que pode aprender (e aprende) de sociedade, política, mídia, pressão, medos, interesses, medo de poder, de dominância, medo de sua máscara e hipocrisia, ao mundinho junto reunido ou uma agência jornalística. Pessoas podem te manipular e de uma forma muito assustadora e degradante.


Li 03/06/2012minha estante
você chegou a ler alguma obra de shakespeare com que aldous husley se baseou para escrever o livro?


Rômullo 04/06/2012minha estante
Na verdade, não. rs


Cristiane 21/06/2012minha estante
Um mundo perfeito seria legal. Mas aí você pensa na liberdade, nas escolhas, nos erros. Sei lá, não teria graça ver todos perfeitos, magrinhos, jovens. A graça desse mundo está nas imperfeições.
Prefiro viver em um mundo com todas as inquietações existentes, mas um mundo que me possibilite questionar, pensar independentemente. Muito ruim viver nessa dependência do mundo perfeito que o livro mostra.




Geyme Lechner 19/09/2012

Autor: Aldous Huxley

País: Inglaterra

Género: Ficção Científica

Lancamento: 1932

Faz mais de 15 anos que tenho “Admirável mundo novo” na estante da minha casa, e faz pelo menos uns 10 que cometi o sacrilégio de começar a lê-lo e abandoná-lo, sem nunca ter ultrapassado a página 20. Acho que fiquei marcada com a tentativa da primeira leitura, na idade porra louca, onde acreditei que essa obra seria um chute no saco, e ao invés de prazer, me traria um belo aborrecimento.
De tanto ouvir falar sobre o tal mundo novo de Huxley, resolvi encará-la, e dessa vez, sem abandonos.
Confesso que as primeiras páginas são meio loucas, você não sabe sobre o que o autor está falando, em que tempo ou em que lugar do mundo ele nos coloca... Mas ultrapassadas essas “barreiras” iniciais, a obra toma fôlego e você quer muitooo descobrir (e até mesmo viver, nem que seja só um pouquinho) o tal “Admirável mundo novo”, desse autor emancipadíssimo ao seu tempo.

“Admirável mundo novo” é um prognóstico pessimista do futuro, tendo como base a ridicularização da fé, do ser humano e da ciência. Por um lado a ciência (ultra moderna) e por outro, a vida humana como se conhece: Insanidade de um lado, demência do outro. O status “salutar” do individuo, tendo uma sociedade baseada na fé exagerada em um sistema ou em um deus (nesse caso: Ford) é um patamar impossível de ser atingido. Estamos tão propensos à loucura, quanto a envelhecer e morrer. A alienação do ser humano é diagnosticada, como caminho, meio e fim.

“A sanidade é fenômeno raríssimo!”

No futuro prenunciado da obra, a máquina deixa de servir ao homem e o homem passa a servir à máquina em um sistema de escravidão alienada.
O homem, dividido em castas sociais (programado psicologicamente desde o nascimento para aceitar aquilo que é: inferior ou superior, inteligente ou estúpido...) não se debate contra a parede em nome de nenhuma ambição. Felizes! Sem nunca reclamarem ou lutarem por poder. Conformes! Os sentimentos e paixões estão controlados. Nesse ambiente estável de beleza e estereótipos, nada assusta tanto quanto a imagem de um obeso. O obeso sim pode assombrar, intimidar e causar gargalhadas em uma multidão inteira (ele é "diferente").
O “selvagem” (não criado em laboratório), condenado a limitação de suas crenças e a fé na sanidade do ser humano, acaba atingindo sua própria demência. A insanidade por fim vence a loucura, ou ao contrário. Ao selvagem que se opõe ao sistema controlado, dois caminhos lhe são apresentados: A utopia ou NADA!

A obra foi escrita em 32, mas segue tão atual como se tivesse sido escrita ontem, ou ainda (acredito eu), amanhã! É uma ficção absurdamente brilhante, excessiva, e ainda que para alguns pareça absurda, é ao mesmo tempo real. Identificação, profecias capazes de virem a realizar-se... Talvez não agora, de súbito, mas quem sabe em um futuro não tão longe, em algum “Brave New World”!

“De modo nenhum acalente sua má ação. Rolar na sujeira não é o melhor meio de se limpar”.


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Felipe Siqueira 07/01/2009

Admirável antevisão...
Admirável Mundo Novo é ficção científica que, apesar dos 76 anos que se passaram desde que foi escrito, não se tornou datada ou envelheceu. Ainda hoje causa espanto como Huxley, filósofo de formação, conseguiu antever com tanta precisão a revolução genética que vivemos na virada do século 21.
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Debora_beyer 24/08/2009

Humm... não tão bom quanto eu imaginava...
Tá certo, tratando-se da questão "visão de futuro" ótimo, perfeito. O livro é magnífico. Adorei!

O problema é a tal história do selvagem... Sei lá, achei que não precisava. Acabou se tornando uma leitura massante no final, enquanto todo o resto do livro é muito bom.

Mas valeu!
Rosie 12/04/2011minha estante
Estou nas 10 páginas finais e concordo. Tudo bem, ele precisava do conflito... mas poderia ter sido abordado de outra forma.

Eu achei o começo meio massante e o final segue o mesmo caminho. E o personagem que eu estava adorando no início justamente por ser conflitante com o resto da sociedade apresentada, o Bernard, não só se rende como acaba perdendo o rumo.

Mas o tema do livro e as reflexões oferecidas são muito boas.


Jean-Pierre 20/07/2012minha estante
Achei justamente o contrário. A "leiturabilidade" de um livro que fala sobre uma sociedade onde todos seus individuos são predeterminados seria certamente maçante. A aparição do Selvagem deixa as coisas vagamente mais emocionantes, pois ele é nascido em um local incivilizado, tem uma educação totalmente herética e é levado para o núcleo da sociedade em questão.




Cida 05/06/2014

Cansativo
O livro mostra que uma sociedade perfeita, na verdade, não é tão perfeita assim. Para que ela seja perfeita é necessário abrir mão de muita coisa, como o livre arbítrio. As pessoas, mesmo antes de nascer, já são condicionadas a viver da maneira que será imposto e fim. Não há crimes, não há doenças, não há tristezas, as pessoas são lindas e magras e param de envelhecer aos 35 anos de idade. Que ótimo, não é mesmo? Mas também não existe a família, o amor, a fidelidade, o desejo de fazer algo diferente na vida. Tudo isso se deve a uma droga chamada Soma (vivem drogados 24 h por dia e qualquer sentimento que apareça e que não deveria, eles tomam mais Soma) e as mensagens de indução realizadas durante anos, ou seja, lavagem cerebral. Ah, e também tem a promiscuidade e a falta total do pesar quando alguém morre.
A ideia da história é maravilhosa, mas a maneira como foi escrita é maçante, cansativa. Por diversas vezes eu fiquei tentada a desistir da leitura, mas eu gosto de terminar tudo o que começo. Mas é um livro que eu leria em 1 semana (pelo seu tamanho) e acabou levando 3.
O personagem John (o selvagem) é terrível! A mania dele de ficar recitando trechos dos livros de Shakespeare lhe deram um ar de louco. E a maneira como ele foi recebido na "sociedade civilizada" foi completamente "nonsense". Pra mim, todo esse trecho deveria ser mudado.
mpin 06/12/2017minha estante
Sim, a obra é fantástica, especialmente o diálogo entre o administrador-geral e o selvagem, quase no final. Mas tem vários momentos em que também tive essa impressão, de que o livro ficou com algumas gordurinhas a mais. A analogia entre o romance de Lenina e o selvagem com Shakespeare é só um dos momentos em que o livro dialoga com a obra do famoso dramaturgo. Só me pergunto até que ponto esse paralelo, digamos assim, com a obra shakespeariana era necessário para o andamento da história.

Outra coisa esquisita na composição da personagem do selvagem era a mistura de cultos que ele fazia, cultuando deuses de religiões monoteístas e politeístas. Oi? Outra coisa: embora o futuro do livro, na narrativa pelo menos, alegue não ter religiões ou formas de culto que encontrem paralelo com isso, há um capítulo, no meio da obra, em que ocorre um evento social, um culto que lembra em alguns aspectos como o pessoal do Santo Daime se reúne para professar sua fé. Soou meio contraditório para mim. Não sei se foi a intenção de Huxley, mas o próprio confessa as limitações de seu livro logo no prefácio.

Em pesquisa rápida no Imdb, vi que o livro ganhou uma adaptação como filme para TV. Não sei se chegou ao cinema, mas se for o caso, não é uma obra que dialogaria bem com a sétima arte, diferente de outros clássicos de ficção científica.




Shaftiel 13/01/2009

É uma obra-prima! Sim, critiquem e critiquem! Pode ter gente que fale mal dessa obra, mas para mim são blasfemadores! :P

Admirável Mundo Novo é literatura de verdade. Não é um best-seller que vende mundo e anos depois ninguém nunca mais ouvirá falar! Não! Ele, na verdade, é um desses clássicos e um clássico que previu o futuro, resistiu ao tempo para testemunhar o quanto sua profecia estava correta.

Nesse livro, a Terra se transformou em um mundo onde as crianças são geradas em laboratório e criadas em castas, cada uma com uma função. Desde pequenas, elas são educadas e recebem inúmeras mensagens subliminares para desenvolverem pensamentos padrões e se sentirem felizes com seu status.

A propaganda, a sede de consumo, a manipulação mental e a pressão da sociedade, assim como o desejo pelo novo e a estupidez das idéias da moda estão todas presentes no livro. É uma leitura para se degustar e amar, para se retirar informações e para sair um pouco do padrão de consumo literário que temos hoje em dia. Aqui não existe uma receita de bolo. Há uma grande diferença entre receita de bolo e estilo. Esse livro tem estilo.


U.F. 24601 05/02/2011

Admirável Gado Novo
Êeeeeh! Oh! Oh! Vida de gado! Povo marcado, Êh! Povo feliz!...

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Analisando a obra, podemos dizer que tudo gira em torno de Henry Ford, o “Ó Deus”, é substituído por “Ó Ford”, as cruzes do cristianismo cortada a ponta, formando um “T” faz referencia ao Ford T, primeiro carro feito em série, vale dizer, que até mesmo os adjetivos usados para as pessoas, são estilo automotivo, por exemplo, “pneumático(a)”

Observei a artificialidade dos objetos, por exemplo: pseudomarroquim, pseudomarmore, pseudossangue, pseudochampanha, ... As comidas sintéticas, os sentimentos sintéticos, tudo é falso.
Não posso deixar de falar do melhor chavão: “Cada um pertence a todos” e do Orgião-Espadão (sim, isso é referente a orgia e espada/genital masculino), que no final se transforma em Orgião-Espadão Sadomasoquista.

Atualmente temos quase tudo o que cita o livro, (para o processo Bokanovsky: temos o clone; para o soma: temos as drogas em geral; para o sistema de castas; temos a desigualdade social) porém menos aperfeiçoadas.
“Para a fuga da humilhação, do mundo, apenas um comprimido de meio grama de soma, e pronto” (conceito hipnopédico) nos fazem lembrar das pessoas, e muitas das vezes nós mesmo, quando tentamos "fugi do mundo" ou esquecer alguém, por meio da bebida, e das drogas.

Saindo da resenha séria, e indo para a pilhéria, não posso omitir o grande paradoxo, em que a civilizada, Lenina, quer liberar pra todo mundo, em contrapartida o não civilizado, Selvagem, quer recitar Shakespeare :P
Guilherme Roque 11/02/2011minha estante
Gostei da sua forma de retratar o livro.

Engraçado como fui gostar desse livro. O li a primeira vez para uma prova de Língua Poruguesa na faculdade. No início queria matar a professora pela indicação. Achava ele muito chato, mas foi só no começo. No decorrer da leitura meu interesse começou a aumentar e um capítulo me interessava mais que o outro, queria saber o que aconteceria com o John, o Selvagem.

Agora, que até a gente precisa de umas pílulas de 'Soma' de vez em quando... Ahhh... Isso precisa!


U.F. 24601 11/02/2011minha estante
Como seria bom esse "soma" *-*

Um aspecto que vejo frequentemente é a comparação deste livro com o "1984 - George Orwell", mesmo os dois sendo distópicos, e falarem basicamente sobre a alienação do povo, sobre as consequências das tecnologias, e dos poderosos no poder, enfim, eles abordam aspectos diferentes, enquanto "Admirável" faz uma alerta contra o controle mental, "1984" denuncia não apenas uma sociedade que poderá vim ser, mas que existe, não com teletelas, mas com espiões, com torturas, com 'evaporações' de vizinhos, com filhos denunciando pais, que era o caso de Stalin na URSS, ou seja, se for comparar qual é o melhor, temos que ver em que sentido primeiramente, eu particularmente, gosto mais do "1984" por ter mais ação, e até mesmo por causar terror, pois quando notamos que realmente isso acontecia na antiga União Soviética, ficamos nauseabundos, e o que é pior, ainda pode estar acontecendo, por exemplo, na Coréia do Norte.


Cristiane 21/06/2012minha estante
Huahahah Muito engraçado seu comentário em relação à bonitinha, mas ordinária, Lenina. O Selvagem é o último romântico nessa terra de devassos.




romalopes 24/08/2009

Será?
Depois que li, passei meses com as imagens do livro na cabeça. Só pensava: O que disso tudo já não está acontecendo?
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Padronizado 13/11/2014

RESENHA: ADMIRÁVEL MUNDO NOVO - ALDOUS HUXLEY
O livro começa já interessante, passa as primeiras páginas formando no leitor uma ideia de como a sociedade se constrói naquela época futurística, cativando o leitor com uma descrição rica em detalhes que atualmente seriam absurdos, brincando com as noções de moral e ética. Sempre passando uma noção de relatividade aos nossos conceitos mais sólidos.
Com o desenrolar da trama, vão sendo reveladas algumas informações impactantes, porém nada tão estonteante quanto ao que o leitor vai encontrar no momento em que alguns dos personagens visitam a "Reserva de Selvagens", e a partir daí a história muda completamente. Os personagens vão sendo melhor entendidos depois deste ponto e então as falhas da tão perfeita sociedade se tornam cada vez maiores.
Além da história e das descrições de um mundo completamente novo, acontece um choque entre conceitos e visões de um mundo obsoleto e o presente mundo novo, uma verdadeira briga, e tudo tão real e possível que não te deixa parar de ler. E por último, um final nada esclarecedor, cheio de dúvidas, perguntas e suposições.
Um narrador onisciente, exageros, citações de Shakespeare e um tema não muito popular na época, fez deste um livro singular. Pai da distopia, originou livros como 1984, a saga Sprawl e até Divergente. Então fica a recomendação para quem quer ler mais romances distópicos sem nenhum arrependimento ou receio de uma história ruim: Admirável Mundo Novo.

site: http://blogpadronizado.blogspot.com.br/2014/11/admiravel-mundo-novo-aldous-huxley_95.html
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Coruja 11/04/2011

Se fosse para comentar esse livro numa única linha, eu diria o seguinte: “ele é brilhante... mas quando terminei, senti vontade de me jogar da janela”.

Não estou brincando. Embora Admirável Mundo Novo seja uma obra excepcional – em muitos sentidos – ela me deixou absurdamente deprimida. A despeito dos meus comentários volta e meia cínicos, a verdade é que sou uma otimista: esforço-me para não pensar o pior das pessoas, por acreditar que a humanidade ainda tem esperança.

Aí você lê um livro como esse e começa a refletir sobre a escolha do selvagem: o direito de sentir e, por conseqüência, à infelicidade (afinal, nas palavras de Da Vinci, ‘Onde há muito sentimento, há muita dor’); ou a insanidade de uma civilização totalitária em que as pessoas são programadas para o consumo, a negação de quaisquer vínculos emocionais e à estagnação.

Huxley criou sua história em 1931. Ecos do sistema que imaginou para a manutenção do status quo de sua sociedade ‘perfeita’ podem ser encontrados na Alemanha hitlerista: eugenia, perda do individual em face do Estado, propaganda como forma de controle das massas.

No livro, após um evento conhecido como a Guerra dos Nove Anos, os Estados Nacionais foram abolidos em prol de um Estado único. As pessoas não nascem - a idéia de mãe e pai é até mesmo indecorosa -, em vez disso são cuidadosamente cultivadas em laboratório, sendo, desde o princípio, condicionadas para se tornar aquilo que o Estado deseja que se tornem.

Os fetos dos indivíduos destinados à classe trabalhadora têm álcool misturado ao sangue com que são alimentados, de forma a terem o desenvolvimento físico e mental atrofiados. As crianças são condicionadas através do método de Pavlov e educadas moralmente através de hipnopédia (aprendizado através da escuta de mensagens pré-gravadas durante o sono).

As pessoas são divididas em categorias ou castas. Temos os Ípsilon na base da cadeia produtiva, seguidos dos Delta, Gama, Beta e Alfa, cada qual usando cores identificadoras – não que isso seja necessário numa sociedade governada por estereótipos.

A educação moral inculcada nas crianças incluem a necessidade eterna de consumir, a prevalência do Estado sobre o indivíduo e o comportamento promíscuo, com vistas a obliterar emoções, sentimentos e crenças.

Ou melhor, existe um único sentimento permitido: felicidade – mas uma felicidade vazia, que é, na verdade, a ausência de uma consciência individual. E, se isso ainda não for o suficiente... então basta tomar comprimidos de soma – e com isso fugir da realidade.

Não é à toa que a contagem do tempo aqui se dá antes e depois de Ford, uma vez que Henry Ford foi o responsável pela criação das linhas de montagem e do modo de produção em massa.

Existem, contudo, algumas colônias de “selvagens” pelo mundo, lugares vigiados, cercados e miseráveis. É lá que encontramos John, que nasceu por acidente, filho de um alfa e uma beta. Não foi condicionado desde criança àquilo que é considerado o ‘normal’. Pelo contrário, sua educação se baseou num velho volume de peças de Shakespeare, de forma que ele conhece Deus, fidelidade, amor.

Aliás, é de Shakespeare que vem o título do livro. Como John, Miranda, de A Tempestade jamais teve contato com a sociedade. Tal isolamento a tornou ingênua, de forma que ela vê apenas o belo e não a maldade – o mesmo que ocorre a John no princípio.

MIRANDA: Ó maravilha! Quantas criaturas adoráveis existem aqui! Quão belos são os humanos! Ó admirável mundo novo, onde habitam semelhantes pessoas!
Miranda tinha seu pai para protegê-la. John, contudo, não tem nenhum refúgio, ninguém para quem pode realmente se voltar. Não no final. E é por isso que Admirável Mundo Novo acaba por assumir ares de tragédia, sem qualquer esperança de mudança ou melhora.

Como crítica social, o livro é completamente atual. Como previsão, Huxley não poderia ter feito melhor com uma bola de cristal: há algo de muito, muito familiar na sociedade perfeita, no admirável mundo novo – o que explica a depressão de que falei lá no começo. Ainda assim, é uma obra que vale à pena ler e refletir, a fim de que nós, também, não nos tornemos seres humanos etiquetados e anestesiados para tudo aquilo que não fomos condicionados a notar.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
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Thiago 25/01/2014

Não gostei
Não sei se foi por causa da tradução, mas a historia não conseguiu me envolver nem um pouco.
Achei a leitura muito cansativa!
Guilherme Amaro 18/03/2014minha estante
Concordo e ainda tem a cara de pau de dizer que esta no nivel de 1984 e Revoluçao dos Bixos? nunca esse livro admiravel mundo novo é um verdadeiro lisoo


Arcor 05/02/2017minha estante
O mundo apresentado e os conceitos são muito bons, mas a forma como a história é contada é horrível, tanto Bernard como John são personagens fracos para carregar a história, foi isso que estragou totalmente o livro.




everton2040 14/12/2009

Chato e sem graça
Comecei a ler, achei meio "bobo", sei lá...Sempre me disseram que era um livro bom que mostra a realidade do mundo moderno, e com uma visão crítica, mas quando comecei a ler achei muito sem graça, e desanimei...
Quem sabe pelos comentários aqui, eu volte a lê-lo e dessa eu consiga terminar.
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Phelipe Guilherme Maciel 28/12/2017

Uma distopia cujo controle da sociedade se dá através do prazer. Nada poderia ser pior!
Leia essa resenha por conta própria. Não será possível falar o que pretendo se não revelar partes estratégicas do enredo. Logo, se você se preocupa com spoilers, essa resenha não é para você.

Estamos acostumados a ler distopias onde o futuro é sombrio, terrível, com controle estatal poderoso e violento, mas este não. Admirável Mundo Novo, lançado no entre guerras, especificamente em 1932, é uma distopia onde o Estado domina o povo pelo prazer.

Huxley estava curioso com o processo de industrialização que ocorria no mundo, a revolução de conhecimento, industria cada vez mais presente, a era de Ford. E justamente por isso, ele imaginou um futuro onde os seres humanos são criados por máquinas de reprodução, e não existe mais a necessidade do aborrecimento de ter pai e mãe.

Neste universo, a dor e a velhice não existe, a morte não é algo que se deva temer e nem sofrer. Aborrecimentos, grandes paixões, grandes sofrimentos, tudo isso são inconvenientes que podem ser suprimidos com 1 comprimido de Soma.

As pessoas nascem em tubos de ensaio e são programadas no nascimento para fazer os trabalhos braçais (Ipsilons), os intermediários (Gamas, Betas, etc) e os grandes pensadores e líderes (Alfas e Alfas+). Através da hipnopédia, aprendem que devem dar valor para a sociedade, como se eles fossem um mero pequeno organismo deste grande organismo que é a sociedade. Logo, ninguém aspira ser nada além do que foi programado para ser.
Desde crianças, são estimulados a fazer sexo promiscuamente, a viver em grupos gigantes, e sempre consumir. Nada deve ser reaproveitado e nada deve ser remendado. Ninguém deve se ocupar em tarefas que não demandem o gasto de dinheiro, e não devem ficar ociosos. Se algo te aborrecer, deve tomar um grama de soma e ir curtir a vida.

Isso não seria um mundo perfeito? Oh! Admirável mundo novo, que encerra criaturas tais!

Esse verso de Shakespeare, que nomeia o livro e é uma das primeiras grandes falas do "Selvagem" John, é apenas uma do grande mar de poesia shakespeareana que entraremos em contato nesse livro.

Para Bernard, um Alfa+ meio fora da curva, esse mundo não é assim tão maravilhoso. Mas achei interessante o modo como o personagem rapidamente se sentiu devidamente encaixado no mundo quando deteve o poder que teve em suas mãos ao levar John para a "Civilização".

Este Selvagem é o ponto alto do livro, que em seus dramas de consciência nos mostra que esse mundo realmente é totalmente sem liberdade, uma vida calada sob um condicionamento poderoso e altas doses de droga, controle estatal, amor falso, fuga, mentira.

Controle estatal na verdade só se evidencia quase no final do livro, quando vemos a autoridade máxima deste lugar censurar um livro de ciência que ele próprio percebe ser maravilhoso, mas subversivo. Não se pode colocar em risco a ordem geral do planeta.

O diálogo dos últimos capítulos do livro são sensacionais, entre o Administrador e o Selvagem, um dos grandes momentos da literatura, a meu ver. O momento que John decide firmemente que este mundo é terrível, é extremamente tocante....

"_Eu gosto dos inconvenientes.
_Nós, não. Preferimos fazer as coisas confortavelmente.
_Mas eu não quero o conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autentico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.
_Em suma_, disse Mustafá Mond_, o senhor reclama o direito de ser infeliz...

_Pois bem, seja! Retrucou o selvagem em tom de desafio. _Reclamo o direito de ser infeliz.
_Sem falar no direito de ficar velho, feio e impotente. No direito de ter sífilis e câncer. No direito de não ter quase nada a comer. No direito de ter piolhos, no direito de viver com a apreensão constante do que acontecerá amanhã. No direito de contrair febre tifoide, de ser torturado por dores indizíveis de toda espécie.
Houve um grande silêncio.
_Eu os reclamo todos. Disse o Selvagem.
Mustafá Mond deu de ombros.
_À Vontade, respondeu."


Admirável Mundo Novo é um livro torturante. Mesmo querendo te oferecer todo o prazer do mundo.
Salomão N. 28/12/2017minha estante
Livro fortíssimo, seja pela poética do autor(contestação via Shakespeare) ou pelos temas abordados na obra. Existe um ensaio do próprio Huxley chamado "Regresso ao admirável mundo novo", que infelizmente não está mais em catálogo aqui no Brasil. Pelo o que eu sei esse ensaio é uma comparação explícita da atualidade em que Huxley vivia com o romance que ele já considerava profético.
Sem dúvidas Huxley era talentosíssimo.


Phelipe Guilherme Maciel 28/12/2017minha estante
Sim, totalmente. Usar Shakespeare para contestar os questionamentos dos civilizados foi uma obra de arte. Mostra que ele era um grande leitor. O livro é muito profético e podemos dizer que vivemos bastante do que foi descrito ali. Pessoas que passam a vida inteira desempenhando funções mas que não conseguem explicar sequer os fundamentos das coisas... Pessoas que sabem ler mas não conseguem entender o que está escrito sequer em linhas gerais. Pessoas que buscam o prazer infantil o tempo todo e desvalorizam os laços duradouros... O uso de drogas como fuga da realidade, e a idiotização que os governos impõem ao povo via televisão, radio, etc.
Isso é uma das coisas que mais incomodam nessa leitura. Não é algo tão longe assim da realidade.


Phelipe Guilherme Maciel 28/12/2017minha estante
Estou no final da faculdade de Direito e minha monografia versa sobre bioética e limites da responsabilidade médica, e percebi nesse livro que já naquele tempo ele discutiu isso. Quais os limites da biomedicina? Aquele tempo houveram muitas pesquisas com genes, e uma das criticas do livro é essa. A outra, é a coisificação e o consumo exarcebado. Huxley se mostrava muito consciente sobre a questão de que tudo em excesso faria um grande mal. Ele era contra a superpopulação, e dizia que paises superpopulosos seriam automaticamente menos livres, pelo peso dessa exarcebação.


Gustavo 28/12/2017minha estante
Vou colocar na meta 2018


Craotchky 28/12/2017minha estante
Hum, quanta coisa para ser discutida sobre esse pequeno livro. Adorei tua ideia inicial dizendo que o controle por prazer é o pior possível. Mais ou menos essa ideia me levou a dizer, na minha resenha, que essa é uma distopia meio utópica. O que mais me inquietou é que a argumentação contra essa sociedade se dá devido a falta de liberdade, mas ela só é sentida por nós, leitores. Se nascêssemos nela provavelmente não sentiríamos falta tendo em vista que nunca tivemos ela. É a questão que levanto na resenha: É possível sentir falta de algo que nunca tivemos?
Ah, pena eu ter lido esse livro antes de ler Shakespeare; não pude aproveitar tanto as referências.


Phelipe Guilherme Maciel 28/12/2017minha estante
Filipe, ótima questão você levantou. Veja o Bernard. Ele não se sentia bem nesse mundo, pois ele era um diferentão que não conseguia ser respeitado, possuir as mulheres que queria, ter uma alta posição. Na falta disso tudo, ele queria fugir de sua realidade, mas quando ele teve poder, fama, luxo, mulheres, ele rapidamente se adequou a esse mundo.
Isso que e perturbador demais. Porque realmente seriamos como aquele grupo de Betas horrorizados ao ouvir o Selvagem dizer que soma era veneno.
Realmente inseridos nesse mundo, grande parte de nós adoraríamos esse condicionamento.
E por isso essa falta de liberdade e tão gritante. Quando somos oprimidos, pelo menos somos livres para se revoltar e apanhar.
Em Admiravel Mundo Novo, nem isso nos é oferecido.


Phelipe Guilherme Maciel 28/12/2017minha estante
Agora, podemos realmente sentir falta de algo que nunca tivemos? Acho que a sabedoria popular responde bem: O que os olhos não vêem, o coração não sente.

Viver ali realmente não é ruim. Vc ama sua casta, seu serviço, e sua vida. Se vc nao se encaixa, vai para uma ilha viver com todos que nao se encaixam... Sem grandes traumas... Abra mão apenas da ciência, do amor real, doa sentimentos reais. Viva num emulador pra sempre.

Acho que Huxley queria criticar os rumos que a sociedade estava tomando sobre o consumismo desenfreado, a idiotização das massas, e o avanço da ciência sem barreiras. Acho que o ponto que ele queria chegar é bem esse... Devemos avançar tanto assim, a ponto de vivermos essa sociedade líquida que Balman sempre falou, em questão dos relacionamentos? Avançar a pontode eliminar laços fraternos, a divindade, deixar de temer a morte, e nos tornar espécies de robôs humanos, vivendo em busca dessa alegria enlatada?

Acho que realmenge só partindo da premissa de que estamos no hoje e podemos vislumbrar esse admiravel mundo novo e que ele se torna algo distópico.


Craotchky 29/12/2017minha estante
Claro, para quem vive lá e quase uma utopia. Ninguém abriu mão de nada pois para abrir mão de algo seria preciso ter tido esse algo; ninguém eliminou os laços fraternos, a divindade e outras coisas pois nunca tiveram. Mas então, qual tua preferência entre as distopias? Eu prefiro a de Huxley...


Phelipe Guilherme Maciel 29/12/2017minha estante
Ainda preciso ler 1984 e Fahrenheit 451 pra definir meu preferido entre as distopias classicas. Lerei esses 2 em 2018 e te falo.


Salomão N. 29/12/2017minha estante
Não li o do Bradbury, mas entre 1984 e Admirável Mundo Novo fico dividido.
Acho as ideias do 1984 melhores mas o texto do Huxley melhor... mas lembrando que estética literária é algo muito pessoal, né.


Phelipe Guilherme Maciel 29/12/2017minha estante
Acho que a do Bradbury deve estar bem próxima a do Huxley, pois ali o povp também quis abrir mão dos livros para viver uma vida despreocupada. Mas ali, o povo sabe bem do que abriu mão para ter a vida que tem. Fico muito curioso pela leitura. 1984 por sua vez é pelo menos o mais famoso entre as distopias classicas. Eu pretendo ler os dois neste 2018. Ai terei propriedade para pensar em qual e o melhor. Mas ja li a Revolução dos Bichos, e ressalvadas as complexidades da escrita, realmente Huxley é superior nesse quesito


Craotchky 29/12/2017minha estante
Achei que você já tivesse lido 1984, por isso perguntei. Detestei a distopia do Bradbury - para a qual fiz resenha. Achei muito, muito mais fraca do que as outras duas citadas, mesmo que tenha algumas boas ideias.


Phelipe Guilherme Maciel 29/12/2017minha estante
Resenhas que criticam grandes classicos são as que eu mais gosto. Vou buscar a sua quando estiver para ler o livro




Samuel Lemos 09/04/2010

Um livro realmente futurista?
Assustadoramente real!
Um futuro tão próximo que questionamos se não é presente, o o mais incrível: Imaginado em um passado relativamente distante!

Competição e capitalismo feroz!

Uma sociedade doente, num mundo em que eles precisam voar, mas não estão prontos sequer a andar!

Letras são proibidas...
Nada de Shakespeare, Voltaire ou Nietzsche!

Mais e mais remédios e compensações para esquecer o próprio nome, afinal, para quê pensar se o Estado faz isso por você?

Produção! - O Estado precisa do seu trabalho; Divisão de classes! - não se misture com qualquer um - Intolerância! - Como alguém pode não ser feliz num sistema em que só temos que ser obedientes e receber porções de ração e drogas que nos deixam felizes?

Uma história feita a décadas e mais décadas atrás... O que nos leva a pensar: Qualquer semelhança com o presente, é mera coincidência?

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