Auto da Compadecida

Auto da Compadecida Ariano Suassuna




Resenhas - Auto Da Compadecida


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Renata CCS 01/03/2013

O AUTO DA COMPADECIDA é uma obra merecedora de numerosos elogios
O AUTO DA COMPADECIDA é um clássico do teatro brasileiro e virou minissérie de televisão e um filme para o cinema, ambas ótimas versões que recomendo assistir. Mas a leitura é sempre insubstituível: lendo esta peça, podemos sentir sua força poética e popular, a simplicidade dos diálogos, os vários tipos de personagens nordestinos, e vemos também o tipo bem brasileiro neles, que é o de "dar conta do recado" com o famoso "jeitinho" brasileiro.

Os protagonistas são Chicó e João Grilo, que são dois empregados de uma padaria, cujos patrões cuidam melhor da cadela do que dos funcionários. Quando a cadela morre, a mulher do padeiro exige que João Grilo e Chicó peçam ao padre que benza sua cachorra antes do enterro. Para conseguir que o padre realizasse o enterro, João Grilo diz que a cachorrinha era uma cristã devota e que deixara em testamento 10 contos de reis para a igreja. O bispo fica chocado quando descobre, mas logo aceita ao saber do dinheiro. Chicó apaixona-se por Rosinha, a filha do Major Antônio Morais, e junto com João Grilo elaboram um plano para provar que Chicó é corajoso e assim conseguir a permissão do major para poder se casar com sua filha. Em uma de suas armações eles se encontram com o cangaceiro Severino que invade a cidade com seus homens e faz com que seu subordinado mate o padre, o bispo, o padeiro e a esposa. Na hora da execução de João Grilo e Chicó, João Grilo engana Severino com uma gaita mágica que ele diz que pode ressuscitar os mortos. Severino decide morrer para visitar seu padrinho Padre Cícero e depois voltar com o poder da gaita, então pede ao seu guarda que o mate. O subordinado vendo que seu chefe não voltava, mata João Grilo e Chicó consegue fugir. Todos os mortos se encontram no purgatório para o julgamento final e, após uma discussão acirrada com o Diabo, João Grilo consegue a presença de Nossa Senhora que sugere ao filho, Jesus Cristo, que envie Severino diretamente para o céu, pois ele não era responsável pelos seus atos, já que foi uma vítima de uma infância difícil. O padeiro e sua esposa também seguem o mesmo caminho, já que se perdoam antes de serem assassinados. O mesmo acontece com o padre e o bispo, pois na hora da morte perdoaram seus agressores. João Grilo ganha uma segunda chance e a permissão de voltar para a Terra.

Com muito humor o autor fala da miséria humana, da mesquinharia das pessoas, do racismo e da luta pelo poder. Revela também os costumes regionais e o caráter religioso dos cristãos. Ariano Suassuna escreveu de forma irreverente, mostrando a vida no sertão nordestino e a fé simples de um povo. Simplicidade é o sinônimo deste livro delicioso. É um clássico de nossa literatura! Leitura mais que obrigatória.

J@n 02/03/2013minha estante
É uma peça poética e popular. A simplicidade dos diálogos e a caracterização dos personagens tornam esta obra única na dramaturgia brasileira. Adoro Ariano Suassuna. Para mim, ele é o "cara"!


Renata CCS 05/03/2013minha estante
Olá J@n, eu tb adorei esta obra. A adaptação cinematográfica ficou bárbara também (como grande fã, imagino que tenha assistido).


J@n 06/03/2013minha estante
Assisti sim e achei que ficou incrível, muito fiel ao original e com atores perfeitos. Notei que vc não leu outras obras de A.S. e, como grande fã, vou tomar a liberdade de indicar algumas (posso?) Tenho certeza que irá gostar.


Renata CCS 06/03/2013minha estante
Olá J@n, aceito sugestões sim e fico muito grata! São tantas as obras de Suassuna que realmente preciso de algumas indicações. Obrigada!


sonia 28/10/2013minha estante
Ler o livro, assistir o filme, e admirar-se de que a obra é do autor quando muito jovem ainda.




Phelipe Guilherme Maciel 01/09/2016

A Grande Obra do Teatro Nacional. Desculpe, Nelson Rodrigues...
A grande obra do teatro nacional. Este livro é o ponto alto da cultura nordestina mais simples, do povo sofrido sertanejo. A obra é bem diferente da versão que todos conhecem da versão televisionada estrelado por Matheus Nachtergaele, Selton Mello e Fernanda Montenegro. Na versão do cinema, além de O Auto da Compadecida, trechos de outros livros do grande Ariano Suassuna foram incorporados, como o livro "O Santo e a Porca" e "Torturas de um Coração".
Ariano bebeu diretamente na fonte das crendices populares e da literatura de cordel para fazer O Auto da Compadecida. O Gato que descome dinheiro, o julgamento no céu, entre outros célebres momentos da peça, são já histórias muito antigas do povo nordestino.

Esse livro dá para ser lido em 1 dia apenas, mas a mágica que deve é retirada, dura para sempre. Hoje me sinto muito mais brasileiro, e um pouco nordestino, pois este livro é puro orgulho.

Ariano Suassuna, você foi o mais porreta dos porretas.
Alana 30/01/2017minha estante
sim, sim sim!!! Foi um livro que peguei emprestado pra ler, mas tenho a intenção de adquiri-lo e poder ter ele ao meu alcance sempre.


Phelipe Guilherme Maciel 30/01/2017minha estante
E a edição da Agir é toda carinhosa, um livro muito bem feito, que vale a pena ter mesmo. O que Ariano Suassuna e Jorge Amado passam do nordeste, homem nenhum consegue passar. Eles te transportam para aquele reino de felicidade simples. Da mesma forma que Graciliano Ramos consegue te fazer experimentar a aridez da terra, o suor da testa e o sal das lágrimas.


Fábio 14/02/2017minha estante
Tenho lido muitos livros estrangeiros, mas logo espero adquirir novamente livros de autores brasileiros, esse em especial por ser um clássico da nossa literatura!


Phelipe Guilherme Maciel 15/02/2017minha estante
Fabio, também desconsiderei muito a literatura nacional depois do Ensino Médio. Priorizei a literatura americana, principalmente a literatura fantástica e ficção científica. Hoje estou relendo os grandes clássicos brasileiros e me redescubro! Também estou gostando muito dos contemporâneos, como o Milton Hatoum por exemplo. Vale a pena, demais!




Li 02/06/2011

DESAFIO LITERÁRIO 2011 - JUNHO - PEÇAS TEATRAIS *OFICIAL*
Sinopse: : Auto da Compadecida é uma peça teatral em forma de auto, em três atos escrita e em 1955 pelo autor brasileiro Ariano Suassuna.
É um drama do Nordeste do Brasil. Insere elementos da tradição da literatura de cordel,de genero comédia apresenta traços do barroco católico brasileiro, mistura cultura popular e tradição religiosa. Apresenta na escrita traços de linguagem oral por demonstrar na fala do personagem sua classe social, apresenta também regionalismos pelo fato de a história se passar no nordeste e o autor ter nascido lá.

Bom, por causa do colégio, onde eu era obrigada a ser atriz e ainda participar da produção (se eu não precisasse representar, não teria problemas com esta parte), tenho verdadeira ojeriza ao tema. Desde aquela época nunca mais coloquei os olhos num texto deste tipo, apesar de gostar do teatro em si.
Enfim, escolhi o auto da compadecida pois gostei do filme de Guel Arraez...

A base da história é sobre hipocrisia e corrupção na igreja, ou pelo menos eu entendi assim... Suassuna se baseou em livros de Cordel e usou elementos da cultura nordestina (apesar d´eu não conhecer alguns abordados, acho que deve ser coisa dos estados mais lá para cima, rs) para dar corpo ao texto, tudo com muita ironia.
A peça tem uma estrutura diferente e algumas coisas foram acrescentadas no filme de Guel Arraez, e falando sério, prefiro o filme por alguns motivos: O autor sugere que o cenário da peça seja como um picadeiro de circo e que tenha um palhaço como “mestre de cerimônia” e representante da sua pessoa, além de que os atores aparecem como eles mesmos no começo e no meio da peça, as mudanças de cenários são na frente do público, sei lá... Eu ficaria desconfortável e acharia a coisa toda muito bagunçada! E, fora o de soleil e o imperial da China, detesto circos e palhaços em geral, admito.

Esse trecho é do começo da peça, quando o palhaço explica o mecanismo do espetáculo:
“ PALHAÇO
Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre e tem direito a certas intimidades.”

Praticamente todos os livros que leio têm críticas à igreja católica (ou pelo menos a seus membros), é muito engraçado, porque juro que não escolho os livros pensando nisso.

*http://desafioliterariobyrg.blogspot.com/*
Larissa 03/06/2011minha estante
Eu so' vi o filme e gostei muito, escolhi O Santo e a Porca do Ariano Suassuna para ler este mes. Boa escolha.


naomi 05/06/2011minha estante
eu li pro desafio do ano passado, gostei bastante.:)


Viquinha 10/06/2011minha estante
O filme é bom...a peça não li. Mas tenho a impressão que deva ter uma toada boa, gostosinha. Também como você, não sou uma boa apreciadora de circos, especialmente dos palhaços. Acho meio sem graça. Agora, me preocupa o fato de que as tarefas compulsórias gerem tanto ojeriza na gente e acabem por influenciar nossos gostos. Até mais ver, garotinha.
Beijões


Evelyn Ruani 30/06/2011minha estante
Li,
Eu também li esse livro para o desafio e gostei bastante viu! Adorei os diálogos, e as critas são ótimas e inteligentes! Esse me surpreendeu, apesar de não gostar do gênero teatro!
Bjos




lucas 01/07/2010

O auto da compadecida,uma historia mais que engraçada,uma historia verdadeira.
As aventuras de Chicó e João grilo ,emocionante,engraçado,filosofico,nele se aprende a ser alguem bom o quanto antes ,pois voce nao sabe o que vai acontecer no julgamento final.Perfeito para todas as idades.
vitoria 08/07/2010minha estante
deve ser legal o livo!
já vi o filme é legal!


Rafael Moss 22/10/2010minha estante
Infelizmente não achei nada emocionante, engraçado, tampouco filosófico.
Essa peça é evidentemente falha.




Ana Letícia Brunelli 10/10/2017

É a primeira vez que considero a versão para o cinema melhor do que o livro. Mas, se o filme O Auto da Compadecida, do diretor Guel Arraes, é o sucesso que é, isso se deve, antes de mais nada, a este texto maravilhoso de Ariano Suassuna.
Preciso confessar que não gosto muito de ler texto em forma de teatro, e que fiz a leitura deste livro imaginando que fantástico teria sido, também, se o autor o tivesse escrito em forma de romance.
Mas, deixando de lado a forma do texto, o que precisa ser destacado neste caso, é a sagacidade de Ariano Suassuna ao criar personagens e histórias que, além de trazerem todo o brilho da cultura nordestina, representam de forma bem humorada os vícios e virtudes do ser humano.
Com diálogos deliciosamente engraçados e cenas divertidíssimas, é uma história quenos leva à refletir sobre o bem, o mal, a justiça e a misericórdia.

"É verdade que eles praticam atos vergonhosos, mas é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica todas essas coisas turvas e mesquinhas. Quase tudo o que eles faziam era por medo. Eu conheço isso, porque convivi com os homens: começam com medo, coitados, e terminam por fazer o que não presta, quase sem querer. É medo" - a Compadecida.
Fernanda DC 11/10/2017minha estante
ler em forma de teatro parece que quebra um pouco a história né? mas realmente é uma história divertidíssima!




Geovane 20/10/2016

Não sei só sei que foi assim!
Pois é, eu, na inocência de minha juventude, aos 11 anos por ai, assisto o filme, e decido ler o livro. Fiquei encantado com o enredo, admirado com as histórias sem sentido do Chicó, as maluquices inventadas de João Grilo, com a ganância dos membros da igreja, com a safadeza da mulher do padeiro, e com a malvadeza do severino. Lembrando ainda de todos os fatos ocorridos assim que os personagens partem desta para outra, aquilo que nossos pais nos ensinam desde criança sendo mostrado de uma forma irreverente. No decorrer da minha juventude lembrava do quanto essa história me marcou. Agora 10 anos depois, releio o livro, e percebo o quanto Suassuna foi inteligente ao criar o Auto da Compadecida. Um clássico! Suassuna nos faz uma crítica á ganância, as consequências da mentira, a pobreza do nordeste, a dominação exercida pelos que possuem mais "poder", entre outras... Esse livro continua na lista dos melhores livros que já li, e acaba com aquele gostinho de quero mais, devorei ele em poucas horas. E porque me apaixonei por essa linda história? não sei, só sei que foi assim!
Geovane 20/10/2016minha estante
Sem contar o quanto dei risada sozinho ao lê-lo!




Che 15/09/2017

SÍNTESE DA BRASILIDADE
Decidi ler essa peça com uma expectativa boa. Assisti a série televisiva inspirada nela (que agora vejo ser bastante fiel ao original) quando foi ao ar pela primeira vez, em idos de 1999, antes de ser convertida em filme no ano seguinte. Na época eu ainda estava no meio do ensino fundamental. Desde então, ficou a curiosidade de ler o original, que eu já esperava ser bom. Mas, sinceramente, não tanto. "Auto da Compadecida" já é uma das melhores peças que li, dentro e fora do âmbito brasileiro. Genial, complexa e simples - tudo ao mesmo tempo.

A peça do paraibano Ariano Suassuna beira a perfeição na sua simplicidade (sem nunca ser simplória) tangível a qualquer um que conheça minimamente os alicerces culturais da terra brasilis. Para os gringos será um espetáculo de curiosidade rara - mas pra nós, nativos, o sabor é invariavelmente mais acessível. Estão ali a 'mitologia' cristã que funda nossa religiosidade, a luta de classes plenamente arraigada no sertão com ricos mandando e pobres obedecendo, a 'lei de Gérson' e outras características fundamentalmente brasileiras adaptadas à realidade do centro do estado da Paraíba, mais precisamente na cidade de Taperoá, hoje com quinze mil habitantes, onde se passa a história.

Essa simplicidade é reforçada pela própria narrativa e pelas rubricas de Suassuna, que fez esse roteiro pensando que ele poderia ser encenado em teatros humildes, porventura sem troca de cenários, com pouco dinheiro, focado em poucos personagens (portanto, poucos atores) com papéis centrais e representativos tanto de camadas da sociedade - o rico, o 'clero', o padeiro medioclassista, os pobres trabalhadores, o outro também pobre que caiu na criminalidade - quanto de comportamentos que por alguma razão são caros especificamente à cultura tupiniquim (a mulher adúltera, o pobre malandro bom de lábia, o contador de causos, o cangaceiro, o 'coronel' que é quase dono da cidade, o religioso mercador de fé, a valorização do humor mesmo em situações de desgraça, etc).

A galeria de personagens é interessante de ponta a ponta - com destaque para João Grilo e o cangaceiro Severino, tratado aqui sem ares de julgamento moral ou de 'lição contra o crime' mas, pelo contrário, produzindo efeitos cômicos e diretos na cena do massacre na igreja. As passagens são umas melhores que as outras (chega a impressionar como o autor transitou por tantas delas numa extensão tão curta de páginas), indo do já célebre enterro do cachorro "rico" ao não menos famoso julgamento nas portas do Paraíso, capitaneado por um Cristo 'preto retinto'(sic), passando pelo impagável gato que "descome" dinheiro.

Me impressionou particularmente, no âmbito da primeira parte - toda voltada ao enterro do canino - o rancor plenamente justificado de João Grilo com o 'pet' dos patrões recebendo um tratamento melhor que ele quando estava doente de cama, assunto infelizmente cada vez mais atual e bastante característico das nossas classe média e alta: é o animal valendo (mito) mais que o ser humano, literalmente, sendo mais digno de pompas ritualísticas (funerais) do que pessoas que são enterradas como indigentes.

Li uma vez, em algum lugar, que se a ciência fala difícil sobre coisas simples, a arte busca fazer o caminho inverso. E é isso mesmo que "O Auto da Compadecida" me pareceu fazer em sua estrutura minimalista, mas imediatamente cativante em sua tragicomédia facilmente reconhecível e penetrável por qualquer brasileiro (mas que vai, sem dúvida, causar admiração e curiosidade nos estrangeiros). É um bom punhado de elementos da nossa cultura resumidos em três atos que passam voando na leitura, com a transição do apresentador-palhaço que participa ativamente do enredo, nos momentos de transição entre os atos, de modo discreto e bem bolado.

Como é que Suassuna conseguiu a façanha de resumir tão bem, em tão pouco tempo de leitura, tantos aspectos caros à nossa cultura, eu não faço a menor ideia. Só sei que foi assim. E que você também devia ler a peça pra se encantar com ela.
Rafael Bonfim 06/11/2017minha estante
Ótima resenha e sentimento nas entre-linhas.
Parabéns.




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Sérgio Filho 04/02/2015minha estante
O santo e a porca é outra peça do autor também muito engraçada.




phddelavia 26/04/2015

Auto da Compadecida - Ariano Suassuna - Editora Agir
Minhas considerações:


Não posso começar essa resenha falando do enredo, pois se você ainda não leu (ou não assistiu), deve ao menos ter ouvido falar dessa história. E eu preciso fazer isso porque a minha opinião (que será muito boa) deve vir primeiro.

Tenho esse livro guardado na estante há muito tempo e ele estava lá, se empoeirando, esperando que eu o lê-se e finalmente sua hora chegou (arrependo-me amargamente de não tê-lo lido antes). Meu exemplar é velho e puído, com a capa soltando, afanado de uma biblioteca de um colégio (algum antigo aluno me deu, deve ter sido esse aluno quem cometeu o delito, não eu, pois não furtaria livro nenhum de biblioteca nenhuma), mas é meu por direito (e por gosto).

O assunto "Auto da Compadecida" surgiu tanto na última semana numa conversa com um amigo que eu fui obrigado a pegar o meu exemplar parado na estante e ler. Leitura fácil, divertida, descontraída e muito gratificante. O livro tem 203 páginas que passam voando (se não tivesse tendo obra aqui em casa eu o teria lido em poucas horas).

Este volume está em forma de roteiro teatral, foi escrito originalmente em 1955 e encenado pela primeira vez em 1956. Eu só tomei conhecimento dessa peça quando ela foi adaptada para televisão numa minissérie da Globo (porcaria de emissora) em 1991 (assisti nessa época mesmo e foi, até hoje, a melhor coisa que já vi nessa porcaria de canal). Não sou acostumado a ler esse gênero literário, mas sou grande fã da literatura de cordel (Suassuna baseou-se nesse outro gênero para compor o Auto da Compadecida). Esse livro é tão lúdico e envolvente que você nem precisa de tempo para se acostumar ao gênero, porque, quando você se dá conta, já acabou.

Não sou nem um pouco religioso, nadinha mesmo, mas Ariano é, e muito. E, confesso, fiquei arrepiado com o julgamento final e a convocação da Compadecida. A título de curiosidade: Suassuna anota logo no início do livro que os atores que representarão, respectivamente a Compadecida e Manuel (Jesus), não são dignos do papel. Em suas próprias palavras:

"A mulher que vai desempenhar o papel desta excelsa Senhora, declara-se indigna de tão alto mister."

"O ator que vai representar Manuel, isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo, declara-se também indigno de tão alto papel."

São poucos os livros que te fazem esboçar um sorriso, mais raros ainda são os livros que te fazem dar gargalhadas, e este é o caso, muitas gargalhadas, principalmente nos causos de Chicó e nas armações de João Grilo.

Gostei tanto do livro que pretendo ler mais coisas do Suassuna, talvez até sua obra inteira!

Se ainda não te convenci a ler esse livro (ainda hoje de preferência), deixo ainda o enredo para ver se, ao menos, desperto-lhe uma curiosidade.



Enredo:


Toda a peça se passa numa pequena vila (uma minúscula cidade do sertão) que consiste em uma igreja, um pátio de igreja e uma rua para entrar e outra para ir-se embora. Ah, e um lugar para o julgamento. A história é narrada por um palhaço que também interage com os atores.

Chicó é amigo de João Grilo e ambos trabalham para o padeiro e sua esposa. Chicó é um cabra frouxo, contador de histórias; e João, seu melhor amigo, é um sujeito amargurado na pobreza, cheio de criatividade e esperteza, que remói sua infelicidade por ter sido abandonado por seus patrões quando esteve doente. Os dois vão se enrolando em tramoias e enganando a todos; o padre, Sr. Antônio Morais, o sacristão, o bispo e o frade, o padeiro e sua esposa, além de outros.

Por fim, acontece um grande julgamento. E se alguém me perguntar como é que foi, eu responderei: "Não sei, só sei que foi assim."


Sobre o autor:

Suassuna era um icônico paraibano, nascido em João Pessoa no dia 16 de junho de 1927, um sujeito que não gostava de viajar e nem de tomar café, que adorava sua terra e era apaixonado pela literatura de cordel. Projetou-se com a peça Auto da Compadecida em 1955, entre tantas outras de suas obras. Escreveu, em sua grande maioria, para o teatro, mas também publicou alguns romances e muitas poesias. Vendo suas entrevistas e lendo suas reportagens, nota-se claramente um ar matuto e espertalhão aprofundado pelo sotaque melodioso e curioso do Nordeste. Na minha opinião, Ariano foi uma combinação de seus dois famosos personagens, Chicó e João Grilo, não dá para não se divertir lendo e ouvindo Suassuna.
Suassuna era um icônico paraibano, nascido em João Pessoa no dia 16 de junho de 1927, um sujeito que não gostava de viajar e nem de tomar café, que adorava sua terra e era apaixonado pela literatura de cordel. Projetou-se com a peça Auto da Compadecida em 1955, entre tantas outras de suas obras. Escreveu, em sua grande maioria, para o teatro, mas também publicou alguns romances e muitas poesias. Vendo suas entrevistas e lendo suas reportagens, nota-se claramente um ar matuto e espertalhão aprofundado pelo sotaque melodioso e curioso do Nordeste. Na minha opinião, Ariano foi uma combinação de seus dois famosos personagens, Chicó e João Grilo, não dá para não se divertir lendo e ouvindo Suassuna.


site: http://pedrodelavia.blogspot.com.br/2015/04/auto-da-compadecida-ariano-suassuna.html
Laiane 23/05/2015minha estante
Que coincidência! Escrevi hoje no Facebook a frase "não sei, só sei que foi assim". =)




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Regi 13/06/2019minha estante
Concordo com a sua resenha.




Evelyn Ruani 29/06/2011

DESAFIO LITERÁRIO 2011 - Tema: Peças Teatrais / Mês: Junho (Livro 5)
Ariano Suassuna me surpreendeu. A leitura de Auto da Compadecida é super agradável e arrancou várias risadas. O livro foi escrito com base em romances e histórias populares do Nordeste e conta a história de João Grilo e Chicó, dois empregados da padaria da cidade. Xaréu, o cachorro da mulher do padeiro, fica doente e João Grilo e Chicó são enviados a Igreja para pedir ao padre que benzesse o bichano.

O padre a princípio não concorda e para convencê-lo João Grilo diz que o cachorro pertence à Antonio Morais, um homem poderoso da cidade. Aí a confusão está instalada. Quando o padre já está quase convencido em ir benzer o animal, chega Antonio Morais à paróquia para pedir pelo seu filho. O diálogo entre ele e o padre é hilário e muito bem desenvolvido por Ariano.

A partir dessa primeira confusão, outras se seguem num ritmo super empolgante. Aparecem o Bispo, o Sacerdote e até um Cangaceiro com seu capanga entram na história. João Grilo consegue ir contornando as situações de forma impressionante e acabam todos no céu para a hora do Juízo Final. Aparecem para o julgamento, Jesus e o Diabo e nesse ponto os diálogos são simplesmente geniais e hilários. É impossível não rir, principalmente dos argumentos absurdos, mas inteligentíssimos, de João Grilo.

Num determinado momento, João chama Nossa Senhora, a Compadecida, para ajudar no julgamento e acaba ajudando a todos, e se safando com a melhor da enrascada. O final da peça é muito engraçado e tiro realmente meu chapéu para a narrativa agradável e empolgante de Ariano.

Além disso, é interessante citar a riqueza cultural da obra que traz elementos de cordel e propõe um enfoque regionalista, abordando tradições dos romanceiros e narrativas nordetisnas. Sem contar com as lindas ilustrações de Romero de Andrade Lima. Fui realmente surpreendida.

Leitura recomendada.


Alana 22/03/2016

Não importa quantas vezes eu tenha assistido ao filme e saber as cenas de cor: o livro foi delicioso de ser lido! Saber da historia de trás pra frente em nada me atrapalhou e eu só me pergunto o porque de não ter lido antes.

Não é uma narrativa, como o próprio titulo já indica: é um auto, escrito quase inteiro em forma de diálogos e separado em três atos, que são interligados pela narração de um palhaço (sim, um palhaço!) que interage o tempo inteiro com os personagens. E não poderia ter sido de outra forma, o livro de Ariano Suassuna me arrancou várias risadas durante a leitura.

O filme possui cenas e personagens extras, mas foi incrivelmente fiel ao livro. Inclusive, foi inevitável lê-lo com as vozes dos atores ressoando em minha cabeça e visualizando claramente as cenas, da forma com que foram representados no cinema.

Apesar de cômico do inicio ao fim, o auto expõe algumas mazelas e elementos da sociedade nordestina no inicio do século XX, como o coronelismo, a corrupção e tradição muito presente na Igreja Católica à época, a pobreza do sertão e o cangaço. Tudo isso nos é apresentado numa linguagem simples e humilde, porém muito rica, bem característico do povo nordestino. Alias, a obra de Suassuna foi baseada nas próprias literaturas de cordel.

Humor do inicio ao fim, com leves alfinetadas. Nossa Senhora define muito bem, durante o julgamento, o clima dessa peça... "Quem gosta de tristeza é o diabo".
Phelipe Guilherme Maciel 30/01/2017minha estante
Na minha resenha eu comentei: Nelson Rodrigues que me perdoe, esse é o melhor livro de teatro da literatura nacional. Digníssimo! Maravilhoso mesmo.




Helen.Martins 27/03/2017

Prefiro a série
Eu li esse livro por causa de um trabalho na escola, bom o que eu achei, ele é muito rápido por ser uma peça, porém prefiro a série, talvez por que eu assisti primeiro e depois li o livro ou por que eles acrescentaram cenas, recomendo porém não espere que seja melhor que á série ou que o livro mude sua vida
Bertelli 28/03/2017minha estante
Eu achei a leitura da peça mais interessante que o filme.




Roberto Ramalho 08/01/2020

Fenomenal!
Esta peça de Ariano Suassuna, escrita em 1955 e encenada pela primeira vez em 1956, no Recife, continua mais atual do que nunca. Transformada em minissérie pela Rede Globo em 1999 (provavelmente sua entrada no imaginário do grande público brasileiro, apesar de já ter sido adaptada para filme anos antes), a peça é ácida, satírica, pungente e, ao mesmo tempo, extremamente engraçada. Chicó e, em especial, João Grilo, fazem rir pela identificação com a desgraça e a malandragem, sem a qual boa parte do povo miserável brasileiro morreria de fome. João Grilo é um dos personagens mais perspicazes e geniais que já li na literatura brasileira, quiçá mundial. Eu já tinha visto a série mais de uma vez, mas ouso afirmar que não há nada que se equipare à força do texto. Salvo algumas pequenas mudanças e adições à versão televisiva - para "encorpar" o enredo, a produção de Guel Arraes é extremamente fiel ao texto original de Suassuna, tanto que é impossível não ouvir, ou mesmo enxergar, a voz e os maneirismos dos atores de TV. Nessa sopa de tragicomédia nordestina de Suassuna, entram, sem dó nem piedade, a hipocrisia e a ganância eclesiástica, a pobreza extrema no nordeste brasileiro, além da esperteza do povo que precisa se virar para sobreviver e ser feliz. Mesmo já tendo visto série e filmes, recomendo - e muito! - o texto da peça teatral.
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Daniel 15/01/2018

A peça mais importante do teatro popular ou "só sei que foi assim"
Como nordestino, paraibano e sertanejo, não posso deixar de admirar a obra de Ariano Suassuna. O homem que elevou a cultura popular nordestina ao patamar de Arte, criando em torno de si um movimento literário inteiramente novo, com linguagem e estilo próprios.
Peça encenada pela primeira vez em 1956, a obra em si é uma miscelânea de estilos, combinando regionalismo, barroco, a tradição clássica dos Autos e diversos episódios retirados de folhetos de cordel, convertendo elementos da cultura popular em Arte.

O regionalismo de Ariano é alegre, simples, despojado, bem menos ideológico do que o regionalismo áspero de Graciliano Ramos, mas nem por isso inferior em qualidade.
A mise-en-scene da peça privilegia a pantomima e o aspecto cômico, proporcionando um ar circense indispensável para a construção imagética das apresentações.
João Grilo, personagem arquétipo do malandro em sua versão nordestina, sobrevive às agruras da pobreza e da fome graças às suas artimanhas, das quais tomam parte seu amigo e companheiro Chicó.
Nota-se, além do apelo regionalista, certa crítica social sutil na forma como Ariano constrói os personagens do Padre, do Bispo e do Major, demonstrando a hipocrisia e soberba reinantes nas classes abastadas.
Uma obra prima do teatro popular e da literatura brasileira.
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