A Metamorfose

A Metamorfose Franz Kafka




Resenhas - A Metamorfose


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Robson 28/03/2011

O pequeno grande livro de Kafka
Em poucas páginas, em um estilo ousado e objetivo, Kafka criou uma das mais perturbadoras obras da literatura mundial.


Tudo começa com a inesquecível cena de Gregor Samsa acordando e percebendo que se transformou em um inseto monstruoso. É interessante notar, que o que mais impressiona aqui é a naturalidade com que o autor retrata toda a situação de Gregor, ele o faz de uma maneira tão sucinta e objetiva que parece que estamos vendo uma pessoa sofrer de resfriado ou algo assim.


Não existe em nenhum momento aquela reação que se é esperada de uma pessoa que sofre de uma terrível transformação física, o que se vê aqui é somente a constatação de que Gregor não poderá naquele dia cumprir o ritual diário de sua vida: acordar cedo, pegar o trem e prosseguir com a sua profissão de caixeiro-viajante. Toda a situação é vista como um obstáculo que impossibilita Gregor de seguir sua vida imediata, cotidiana.


Nada na obra de Kafka é escrito sem muita tristeza e desolação, parece que o que ele realmente pretendia ao escrever o livro, era fazer o leitor acordar de um transe profundo no qual este não se da conta de que de uma hora para outra, todos os conceitos e todas as certezas que temos podem ser subvertidos sem qualquer aviso ou prevenção; é como se Kafka nos desse um tapa na cara (como quem diz: acorde para a vida ou as coisas podem mudar e você pode se ver indefeso subitamente).


Esse sentimento de impotência é ressaltado pelo próprio autor em uma carta: Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos angustiem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para florestas distantes de todos, como um suicídio. Um livro tem que ser o machado para o mar congelado dentro de nós.


Então Kafka já havia criado uma narrativa singular, cuja sensação de impotência em relação à história é sempre presente não só para Gregor, como também para o leitor.


O que resta ao leitor é ter que se conformar com a situação cujo ponto de partida ele desconhece, permanece oculto até o último momento. O que permanece é a dúvida, pois tanto Gregor quanto o leitor não sabe o porque do protagonista ter sido transformado em um inseto.


Isso pode servir como uma metáfora para a própria falta de humanidade e espírito caridoso da grande maioria das pessoas, que em certas oportunidades tratam de forma injusta ou até humilhante seus semelhantes, simplesmente porque estes causam problemas.


Isso se reflete em um trecho do livro em que a família de Gregor decide dar fim a toda a situação matando-o (por assim dizer), visto que este último não consegue ajudar no sustento da família, já que não pode trabalhar e garantir mantimentos para esta.


Esse livro funciona como uma espécie de espelho para inúmeras situações que presenciamos em nosso cotidiano, como filhos que resolvem colocar os pais em asilos, porque estes dão muito trabalho e já não ajudam (de uma forma ou de outra), sendo chamados até de parasitas, a questão aqui é a seguinte: como você pode simplesmente desprezar alguém que te ajudou a vida inteira porque tal pessoa não corresponde mais as suas expectativas, e como se sentiria essa pessoa? Se você pensou em um inseto, então estamos na mesma conversa, certo.


Parece-me que existe alguma coisa muito errada nesse utilitarismo cego; deixar uma pessoa de lado simplesmente porque não abraçam nossos anseios e expectativas; deve-se reconhecer que tal pessoa teve durante muito tempo, grande importância em nossas vidas, como no caso de Gregor, parece que o fato dele ter trabalhado e ajudado durante longo tempo sua família, não contribui em nada para este ser tratado como um mero inseto, seria o mesmo que abandonar uma pessoa doente na família ou um amigo, visto que este não pode mais lhe beneficiar, tratando-o como um nada, um inseto.


Ou o que devemos preservar em uma pessoa que nós é importante seja certamente a lembrança, de que essa pessoa é o que ela sempre foi, não o que se parece agora, tendo isso em mente é possível conviver em paz e aceitar essa situação com uma perspectiva diferente da que é mostrada no livro.


Infelizmente para Gregor e para o leitor de Kafka, o mundo que Kafka cria se mostra como sendo o mundo real: não é o mundo do era uma vez, mas do é, como se pode ler no texto, este uma espécie significação pura, tudo é o que é, sem nenhuma atenuação, como na própria vida.
Júlia 06/01/2012minha estante
O teu conhecimento sobre o autor, a obra e teu entendimento sobre o livro em específico fizeram da tua resenha a melhor que li aqui. O melhor desse livro é a forma de Gregor de agir com a situação, onde Kafka não a dramatiza do ponto de vista do homem que se torna inseto. Ele tenta de todas as formas diminuir a repulsa familiar e agradá-los com seu gosto pela música da irmã, perdão às agressões do pai, sem obter resultado algum. Ótimo livro, ótima resenha


Manini 19/06/2012minha estante
Essas edições que tem ai, tem quantidades de páginas diferentes, o conteúdo é o mesmo? to querendo comprar as edição da abril o conteúdo é o mesmo para todos, ou sofre muita alteração.


Yas 05/12/2012minha estante
Realmente é um livro muito lindo, o autor nos mostrou de uma forma um tanto inusitada como a sociedade trata algumas pessoas. Chorei só de ouvir o meu irmão comentar sobre a história!


rafael 13/01/2013minha estante
E o mais complicado de toda essa situação é que todos passam a vê-lo não só com uma parasita, mas também como uma ameaça, porque além dele ter parado de ajudar pela incapacidade, ele ainda dava prejuízo espantando a fonte de renda que seria os inquilinos no caso. O mais triste do livro é que a pessoa que mais o ajudou foi a primeira a levantar a decisão de dar um fim nele, sendo que o coitado do Gregor teve que carregar, mesmo que mostrando-se conformado, um fardo de culpa que não era dele, sendo que ele ainda se preocupava muito com a família e o auge do desfecho veio justamente do encanto que ele tem com sua irmã tocando violino...


Johnny B. 01/03/2013minha estante
Grande perspectiva... dá uma olhadinha no meu blog. http://www.bibliadekafka.blogspot.com.br/


Letícia 08/10/2013minha estante
Ótima resenha! Também adorei o livro. Uma coisa que eu achei interessante estava na introdução da edição que eu li, traduzida por Celso Donizete Cruz. Este escreveu algo para se pensar: se Gregor ainda era humano quando inseto, já era inseto enquanto humano?


Maria 31/10/2013minha estante
História triste, mas que reflete bem a essência humana no que se refere ao tratamento com o outro, sobretudo se esse outro se torna um "fardo".


mon.amour93 22/02/2014minha estante
Eu adorei a sua resenha. E sempre me vem um sentimento triste e de revolta quando leio metamorfose. Penso bastante em meus familiares, e é complicado quando se trata de pessoas com doenças sérias. Muitas vezes perdemos a cabeça...[sessão desabafo]
Enfim sua resenha expressa bem os sentimentos que eu senti ao ler.


Karol.Mendes 12/02/2015minha estante
Só de ler esta resenha já coloquei o livrinho na minha listinha! :D


Maria Isabel 26/03/2015minha estante
Simplesmente amei sua resenha, você conseguiu falar tudo o que o livro é, e isso não tem preço!


Nando 16/09/2015minha estante
A minha mente limitada só me permitia ver - ou pelo menos com mais ênfase do que as outras possibilidades - o Gregor como impotente diante de uma situação que se impôs sobre ele de forma inexplicável e sem perspectiva de mudança.
"Ah, sou um inseto, por que isso ocorreu e porque minha família mudou o modo como me trata?". Ele fica apenas a descobrir a conveniência das relações que se formam apenas por interesse, ou pelo menos assim é que se mostra.
Obviamente que em um momento ou outro do livro nota-se um pequeno resquício da consideração dos familiares, ou melhor "das" familiares, pois o pai não demonstra ou pelo menos eu não percebi - perdão, caso eu esteja errado - nenhuma demonstração de preocupação em relação ao filho.
Como exemplos de demonstração dessa pequena consideração em um momento ou outro temos a parte em que Grete, irmã de Kafka, e sua mãe - que durante o livro todo não é citado o nome, assim como o pai, revelando o tom autobiográfico da obra que todos já conhecem - retiram os móveis, então a mãe de Gregor fala algo parecido com "Será que fazendo isso" - retirar os móveis do quarto de gregor - "não estamos reconhecendo que perdemos todas as esperanças de melhora do estado atual de Gregor?" e mesmo a irmã quando cita que o fato de retirar os móveis - não tenho certeza se é na mesma cena imagina que retirando os móveis sobra mais espaço para o irmão "rastejar". Elas retiram os móveis e a Grete ainda deixa o canapé por saber que Gregor gosta de ficar ali "escondido". De certa forma vi como uma consideração ainda, mas enfim...

Excelente resenha do Robson. Só citei essa parte pra tentar complementar ou pra apresentar minha visão, mas se tratando de Kafka, o fato de ser algo quase alegórico já tira qualquer certeza em relação ao que o autor quis dizer.


Jéssica Tancredo 18/02/2017minha estante
Que resenha maravilhosa, terminei o livro sem conseguir identificar o que estava ao certo sentindo até ler isso aqui.


Sarinha 05/03/2017minha estante
Eu tentei escrever uma resenha e você conseguiu transmitir na sua resenha tudo que eu estava sentindo e não consegui expressar. ?


Robson 03/07/2019minha estante
Grato a todos os que gostaram e dispuseram de seu tempo pra vir comentar aqui. Eu não sou escritor nem nada então, se consegui me expressar da forma que o livro faz nos sentirmos então... deve ser algo bom
De qualquer forma muito obrigado a todos, de verdade mesmo




Dominique 03/08/2009

Diferente de tudo o que já li...
Estou acostumada a ler um livro e obter as respostas para minhas indagações no final da leitura. Com "A Metamorfose" foi diferente, eu acabei a leitura e milhares de indagações ficaram voando livres na minha mente.

Temos a história de Gregor Samsa que acorda um belo dia e descobre que virou um inseto (presumo uma barata). Ao invés de se preocupar com seu novo estado, ele se preocupa com a temível demissão que teria se não fosse para o trabalho e com o conforto da família, caso fosse demitido. Sua família quando descobre seu estado atual é tomada de repulsa e o excluem da vida familiar. Gregor tem que passar por todas as fases da transformação com suas dificuldades e descobertas sozinho.

Três coisas me chamaram atenção nesse livro:

* A repulsa e a negação de sua família em aceitá-lo como ele era na sua forma atual. Eles apenas viram o exterior de Gregor, não levaram em consideração que apesar de tudo, ele ainda existia dentro daquele ser.

* Seu conformismo anterior a transformação de Gregor e como as dificuldades haviam modificado o ritmo da família levando-os da apatia/prostação para a ação.

* Ao relatar seus medos, dúvidas, desejos, sofrimento, percebemos que a mudança interior de Gregor após a transformação é grande. Ele transpassa todas as fases até chegar a aceitação do que ele tinha se transformado.

Finalmente, a solidão humana é também um dos ítens a ser destacado. As dificuldades e medos que Gregor enfrentou, poderiam ter sido atenuados com a ajuda da família.
Lindenberg 11/08/2009minha estante
Muito boa resenha menina. :-) Quero ver as próximas para os outros livros de Kafka.


Vivi 11/08/2009minha estante
Um dia eu escreverei tão bem quanto você :)


Erika 15/10/2009minha estante
Simplesmente excelente sua resenha. Confesso que li A Metamorfose há muito tempo e não me lembro de tantos detalhes, mas seu texto fez-me ter vontade de relê-lo.Bem, acho que vai gostar desse texto: http://scienceblogs.com.br/100nexos/2009/10/o_segredo_de_gregor_samsa.php Beijos


Karine Coelho 02/08/2010minha estante
Tive que ler sua resenha pra contar pra minha vó. Ela quase morreu quando eu falei que vc tinha amado! E ela disse que se eu gostar ela me mata! Rsrsrs.


Luan 06/03/2011minha estante
Boa resenha? Só contou o óbvio. Nada de especial. Esquece elementos importantíssimos para a ANÁLISE, como a vida burocrática e a visão do trabalho de Kafka, a crítica à sociedade e à economia expressa na obra e outros pormenores. Isso está mais para um resumo disfarçado de opinião.


Matt 24/03/2011minha estante
Ótima resenha :)


Arc 23/02/2012minha estante
SPOILER!!!!!! Eu não acho que ele realmente aceitou o fato de ser transformado em inseto, tanto é que ele nem se considera como tal. Eu vejo a aceitação dele como a aceitação de que a familia não o queria mais.


Nando 16/09/2015minha estante
Dominique, eu também imaginava que Gregor havia se transformado em uma barata, e é o que ficou aceito por aqui, mas alguns livros citam o protagonista como um besouro, mas não muda muita coisa imagino.




Felipe Duco 26/04/2017

Só se for por obrigação...
Simplesmente não funcionou pra mim. Li no ensino médio, porém mesmo hoje não gostaria. Se fosse pra ler por obrigação, fazer uma prova ou algo assim, o faria sem problema, mas ler por prazer, sentar numa tarde de chuva e ler uma coisa maçante que não se entende 95% do que tá lendo e não passa nenhuma emoção? Vou passar longe.
Reconheço o tamanho e importância da obra. Sei do que se trata e como termina (barata + maça + pai + morte) e já estou satisfeito.
Grasielle 27/04/2017minha estante
Concordo... achei interessante no começo mas no decorrer da leitura, a pitada de humor negro me deixou angustiada. O final me deixou triste e confusa. Confesso que não entendi bem o objetivo do escritor.


Felipe Duco 28/04/2017minha estante
Eu não entendi nada depois do primeiro parágrafo. Mas aquele ditado: o livro é importante, mas passou pela minha vida e foi embora sem eu nem perceber, nem me acrescentou.


Pritt 10/05/2017minha estante
Olha vou te falar que tentei continuar lendo esse livro umas 5x mas desisti! Leitura cansativa, sem nenhuma emoção, maçante! Muita enrolação e pouca história! rs Fico me perguntando por que esse livro é tão requisistado? Ainda pretendo terminar de ler! Boa leitura é qdo se devora um livro, quando a história te prende e você nem sente as páginas passarem! rs


Felipe Duco 13/05/2017minha estante
Concordo Pritt, a gente que lê por entretenimento, não tem que ler uma coisa que não tá funcionando, que não tá dando emoção. Emoção é tudo


Pritt 15/05/2017minha estante
Exato! ?


Pritt 17/05/2017minha estante
Exato! ?


Jesse 26/07/2017minha estante
Acho que vc não sabe do que se trata, porque durante o livro, Kafka jamais mencionou que o inseto era uma barata!




Erika Lina 03/07/2016

Kafka é um barato!
Gregor vive uma vida monótona. Faz de tudo por sua família, mas descobre que é visto somente como provedor do lar quando acorda e vê que se transformou numa barata. A partir daí é desprezado, esquecido...
Vejo a metamorfose como um despertar de Gregor, ele acordou e se deu conta de que a vida estava passando e ele não vivia, enxergou o quão pequeno e insignificante ele era. Pareceu-me o despertar quando já é tarde, o momento em que se dá conta do mal mas não se pode fazer mais nada.
Excelente obra, leitura tranquila e reflexiva. Metafórico, intenso e imperdível.
Tiago.Muringa 03/07/2016minha estante
Lacrou, prima!


Erika Lina 04/07/2016minha estante
Beesha lacradora.


Tiago.Muringa 15/08/2016minha estante
Já falei que essa resenha ficou fantástica?


Erika Lina 15/08/2016minha estante
Não


Tiago.Muringa 16/08/2016minha estante
Sempre que lembro dele, lembro dessa resenha! Muito boa!


Erika Lina 16/08/2016minha estante




Dalvan.Linhares 30/06/2016

O despertar do amor pelo asco
Oi, bonitas (os)! Tudo bem com vocês?

Essa é a minha primeira resenha aqui no Skoob. Espero que gostem.

Comprei “A metamorfose” há algum tempo, mas ainda não havia lido porque achava que seria uma leitura complexa por se tratar de um grande clássico – alguns “pseudocultis” construíram essa perspectiva para mim. Pensava não estar preparado para tal obra. Todavia, o livro é muito simples e bastante compreensível. A escrita kafkiana – isso em “A metamorfose”, pois não li outra obra do autor – é muito simples! É um clássico que sem sombra de dúvidas recomendarei para qualquer pessoa.

Pequenino, singular e inquestionavelmente clássico, o livro começa com a transformação de Gregor Samsa, caixeiro-viajante, em um inseto monstruoso. O que se espera, portanto, é que Gregor entre em estado de aflição com isso, todavia, ele se preocupa é com o fato de se atrasar para uma viagem de trabalho e, por conseguinte, perder seu emprego. Fica tentando se mover e dar início a sua rotina normal. Isso se estende até a família tomar o real conhecimento do que acomete Gregor e passar o restante do livro tentando se “acostumar” com o ocorrido. Diminuindo o afeto pelo homem-inseto e desprezando-o. Deixando um membro da família, que passa por sérias dificuldades, desamparado.

Li o livro muito rápido e quando terminei fiquei me perguntando como foi possível que ele despertasse em mim tantos questionamentos e mexesse tanto comigo. De tudo que senti o que mais marcou foi o despertar do amor pelo asco que Kafka conseguiu fazer. Teoricamente, nós seres humanos – pelo menos eu – se nos deparássemos com um inseto horroroso, monstruoso, asqueroso, teríamos nojo, não iriamos nem nos aproximar. Contudo, isso não aconteceu comigo. Durante toda a leitura meu amor e afeto pelo homem-inseto só aumentou. Em nenhum momento, nem mesmo quando ele come lixo, senti nojo ou aversão por Samsa (acho que sou um bom ser humano por causa disso – você entenderá o porquê no próximo parágrafo).

Muitas são as interpretações da obra. A minha é que a transformação do homem em um inseto é apenas uma metáfora para que vejamos como tratamos nossos semelhantes. Como, por exemplo, trataremos alguém de nossa família que caia em uma doença grave. A transformação não deve ser colocada em primeiro plano, mas sim o que acontece a partir disso, como as pessoas e o ambiente fica após o inesperado. Por isso, considero-me um bom ser humano, visto que mesmo em um estado complicado e trágico minha atitude para com Gregor Samsa não mudou.

O livro com certeza me acrescentou muito e irá acrescentar a você também, assim espero. Fez-me pensar em como as pessoas que dizem me amar me tratariam em um momento difícil. Fez-me enxergar como tratamos os marginalizados, os idosos e nossos familiares em um mundo altamente modernizado e individualista.

Kafka, com uma pequena novela, desperta em nós não só o amor pelo asco, mas o amor, a piedade e a misericórdia muito maiores pelo ser humano, seja ele quem for.
Bárbara 30/06/2016minha estante
Dalvan, você despertou minha vontade de tirar ele da prateleira em que ele tá empacado e finalmente começar a ler. Continue fazendo resenhas!


Dalvan.Linhares 30/06/2016minha estante
Que bom, Bárbara! Espero que leia "A metamorfose" logo. É uma leitura rápida e prazerosa.


Jennifer Vale. 30/06/2016minha estante
Faça das palavras da Bárbara as minhas.


Isa Soares 30/06/2016minha estante
Você diz coisas tão maravilhosas em sua resenha, que me fez pensar se ele realmente merece sair da minha lista dos abandonados.


Dalvan.Linhares 03/10/2016minha estante
Isabelle, ele merece sair sim.




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newton 06/04/2019minha estante
Ótima resenha. Só uma observação: a mãe não se comporta com indiferença ou raiva.


Carol 16/04/2019minha estante
Sim e isso não foi citado na minha resenha. Falei apenas que os meus sentimentos em relação aos pais e a irmã são de Indignação/Raiva.


Carol 16/04/2019minha estante
Minha observação é que leia mais atentamente


newton 17/04/2019minha estante
Discordo. Fui bem atento à sua resenha. Nela você afirma sim que a mãe o menospreza. E há de se insistir: o livro aborda problemas envolvendo relações familiares, mas a mãe do protaginista não o despreza. Sua resenha pecou nesta parte. Mas a interpretação do texto é livre. Muito boa sorte.




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Mel 30/09/2016minha estante
Amei a resenha! Pretendo terminar esse livro esse fds ;)


Di 30/09/2016minha estante
Obrigado, Mel! Incentivo para que conclua a leitura pois, apesar de curta, ela enriquece bastante a gente. Além do mais, não é nada chata e/ou cansativa. =)


Sr CaiÔ 30/09/2016minha estante
Só a resenha já causa um efeito bem reflexivo. A história deve ser realmente bem inquietante. Resenha genial.


Di 30/09/2016minha estante
Valeu, Caio! Embora eu já tenha dito praticamente tudo o que acontece, sugiro que leia. O livro é realmente bom e instiga a reflexão.




Lindenberg 12/01/2011

Kafka foi feito para ser lido e relido várias vezes.
Foi meu primeiro contato com Franz Kafka, fico até sem jeito de escrever sobre este livro, de fazer uma resenha, são tantas interpretações possíveis, tantos pontos a serem tocados, é frustante não conseguir ver tudo o que é possível fazendo uma primeira leitura.

Cada leitor vive uma experiência diferente, única, vive um aprendizado diferente.

Para mim, Kafka mostrou um pouco da grande e silenciosa solidão humana, da incapacidade de alguns mudarem suas vidas, da dependência de outros, do valor que é dado, por nós, ao conformismo e ao conforto em todos os seus aspectos. Mostrou como um problema, no caso a metamorfose de Gregor Samsa, transformou as atitudes e jeito de viver da sua família.

O livro foi escrito em 1912 e para um melhor entendimento é necessário conhecer o momento histórico que o contextualiza, um destes momentos é a crise da Bélle Époque que antecede a Primeira Guerra Mundial. Quando Kafka o escreveu estava em meio a uma crise existencial, religiosa e racional, a chamada crise da Modernidade

A leitura é para todos, muitos dirão que é nojento, mas vejam a história com outros olhos, as vezes é preciso reler algum trecho para se extrair a nossa realidade.

Foi o primeiro, e agora lerei todos de Kafka.
Peônia 05/10/2010minha estante
Lindenberg você escreve muito bem: riqueza tanto gramatical como de ideias. Suas resenhas nos fazem querer ler o livro em questão! Ou não!!!


K 15/02/2012minha estante
Faço das minhas as suas palavras, principalmente quando você diz: "Foi o primeiro, e agora lerei todos de Kafka." :)


Marina 22/11/2012minha estante
esse grande ''livrinho'' faz a gente pensar em muitas coisas...
Por trás de uma história fantasiosa, podemos assimilar várias situações que acontece na vida real, por ex. quando alguma pessoa que antes era útil a família de repente se torna uma pessoa inválida. Isso me lembrou muito de como as pessoas colocam os pais e os avós em asilos. Se não servem mais, são descartados.
Muito triste essa realidade.


Nando 16/09/2015minha estante
Isso mesmo Lindenberg, o contexto familiar do Kafka também influenciou bastante no livro, junto com os fatores que tu mencionaste.




Daniel.Oliveira 04/09/2019

Final deixou a desejar e sem explicação..
Gostei da proposta do livro,só o final que ficou confuso,como Gregor morreu de uma pancada de uma maçã atirada pelo pai?Ninguém morre disso...Serio!
Daniele 05/09/2019minha estante
Mas ele era um inseto, imagine o peso de uma maçã jogada em um inseto.


Amanda Carneiro 08/09/2019minha estante
Ele morreu um tempo depois do ataque do pai. A maçã infeccionou ali, e então ele morreu.


Anienne 25/10/2019minha estante
Esse livro é uma metáfora. Há uma profunda reflexão sobre o descarte que damos às pessoas que sofrem mudanças profundas a partir de dças debilitantes, por exemplo, e que ficam à mercê dos outros.


Daniel.Oliveira 25/10/2019minha estante
Daniele,Amanda e Anienne obrigado por suas explicações.Me ajudou a entender melhor o final.Pq na primeira vez que li,foi um final bem confuso,como se o autor mata-se Gregor (o protagonista)por pura crueldade mesmo.Mas agora entendi,obrigado a todos vcs!




Panda 05/12/2012

Virei uma barata... o que fazer agora?
Sinceramente, minha resposta não seria "Tenho que ir pro trabalho".

Admito que não li até o fim e portanto não posso dar uma opinião total do livro, mas isto é porquê o meio como é desenvolvida a narrativa é absurdamente caótico e irreal. O cara vira um inseto e não se preocupa com como voltar ao normal, como passaria a viver, em pedir ajuda ou como se alimentar... Ele quer saber como ir para o trabalho e o que a sociedade vai pensar nele. Mais preocupado em ser demitido do que em sobreviver.

Até a data em escrevi esta resenha só abandonei 2 livros, e A Metamorfose é um deles. Caótico, irreal e grotesco.
Eduardo 06/12/2012minha estante
O livro é tão ruin assim? Sério? Eu ainda num li , mas acho que depende muito da forma como vc interpreta a história. Veja este vídeo aqui :
http://www.youtube.com/watch?v=ECBgeTordq0


Panda 06/12/2012minha estante
É o conformismo do protagonista com a situação que me deixou aflito.
Entendo porquê outras pessoas gostariam, mas não é um livro que eu vá recomendar futuramente para outros.


Jefferson 16/01/2013minha estante
Esses aspectos do livro q vc criticou são justamente a crítica q Kafka faz à sociedade. A valorização da produção sem se preocupar com o indivíduo. A descartabilidade das pessoas quando param de ser úteis, ou quando estão doentes (quando li, pensei logo nos idosos)... e a primeira preocupação dele ser como ir pro trabalho é uma ironia. Imagino q não haja uma tentativa de se voltar ao normal pq não faz sentido em relação à crítica q o Kafka faz. O livro não é pra ser romântico e ter um final feliz, como são muitos livros populares hoje, é pra se referir de forma crítica à sociedade, pra pensar.




Jacqueline 05/02/2014

Família, família...
Reli por ossos do ofício: sempre inusitado, pertubador e angustiante!

Alexandra 22/02/2014minha estante
"Taí" uma viagem na qual eu não conseguiria embarcar novamente. Angustiante... essa é a palavra.


Jacqueline 22/02/2014minha estante
Mas o cara é muito bom, né???? E faz parte do jogo, na esfera literária, incomodar... O absurdo da situação nos coloca diante de dinâmicas familiares que nos são tão próximas...


Alexandra 26/02/2014minha estante
Sim, indiscutivelmente bom.




Thiago.Franklin 02/02/2018

Defitivamente não entendi.
As pessoas elogiam muito esse clássico do Kafka, mas eu não entendi que ponto ele queria alcançar com ele. Temos uma família com necessidades de família, um cara que sustenta essa família e um dia se transforma num inseto, porque? Não faz diferença. Na verdade quase nada faz diferença,o livro começa e termina e parece que não começou nem que terminou.
Pedro.Seleri 03/02/2018minha estante
Kafka na verdade retrata o quanto nos tornamos um peso quando não contribuimos economicamente para a sociedade. A transfotmação em inseto nada mais é do que a representação disso.


Pedro.Seleri 03/02/2018minha estante
null


Thiago.Franklin 09/02/2018minha estante
Ah sim, agora entendi, obrigado, não tinha pensado no livro por essa ótica.




Cilmara 25/07/2019

Uma das leituras mais importantes da minha vida!
Quatro anos atrás eu li essa obra pela primeira vez, fiquei bem impactada já no primeiro parágrafo: "Quando Gregor Samsa, certa manhã, despertou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado em um inseto monstruoso."
Gregor, até a noite anterior a essa metamorfose, era o provedor da sua família, na verdade era o único.
O pai, já um tanto velho, vivia de roupão pela casa em uma eterna fadiga rememorarando os tempos de vacas gordas.
A mãe, uma senhora asmática, extremamente sensível, também não fazia grandes coisas para ajudar.
A irmã, uma jovem de 17 anos, que ajuda nos afazeres de casa e toca violino como hobbie.
Sendo assim, Gregor em seu trabalho de caixeiro viajante se esfolava de trabalhar para manter essa família acomodada e escorada.
É muito fácil julgar a família, vendo as coisas isoladamente, mas durante a leitura a imersão é tanta que reflexões não faltam sobre a situação de Gregor.
Você pode ver esse inseto como uma representação de enfermidades (física ou cognitiva), velhice, morte, enfim, não faltará associações com algo que você conhece.
Mas, ainda assim, creio que a riqueza dessa obra vai muito além disso, é algo que se sente...
Anos depois da primeira leitura, eu chorei em situações bem "Kafinianas", a melancolia nunca esteve muito distante, mas agora eu tinha alguém que sabia exatamente o que eu estava sentido.
Nessa segunda leitura fui absorvida assim como na primeira vez, impressionante!
Para o trabalho da @antofagica me faltam palavras, ficou impecável! As ilustrações do @mutarellilourenco, o cuidado da tradução (direto do alemão) do Petê Rissatti, tudo é percetível e chega a ser tocante ver todo esse empenho que a obra merece.
Nicó 25/07/2019minha estante
Li este livro hoje , comecei e não consegui parar ,Sensacional .


Cilmara 25/07/2019minha estante
Impossível parar depois do primeiro parágrafo, é uma aflição lançada logo ali...


Nicó 25/07/2019minha estante
Rsrs concordo.




Xandy Xandy 07/12/2017

Acordou, olhou-se no espelho e viu...uma barata!
entem imaginar a seguinte situação: vocês acordam de uma linda noite de sono e, ao mirarem-se no espelho, deparam-se não com o reflexo que estão acostumados a ver de si mesmos, mas sim com a imagem de um ser com ventre marrom, acentuadamente abaulado, com saliências arqueadas e inúmeras perninhas, ou seja, durante a noite vocês transformaram-se em uma autêntica barata!

Que desespero vocês não experimentariam diante de tal acontecimento, não é mesmo?

Pois isto aconteceu de fato com Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que vivia com seus pais e sua irmã em seu pequeno apartamento. Gregor era arrimo de família, ou seja, era ele que praticamente sustentava a casa, justamente por ser um funcionário eficiente e muito produtivo.

Todavia, agora que ele havia metamorfoseado-se em uma asquerosa barata, sua família, envergonhada por ter que dividir o mesmo teto com semelhante criatura, o privara do contato com o mundo externo, obrigando-o assim a viver em um quarto poeirento e cheio de lixo!

Para piorar ainda mais as coisas, ele passou a depender da “bondade” da sua irmã para alimentar-se…

Será que Gregor, de algum modo, conseguirá reverter sua metamorfose e voltar a ser um producente homem, ou estará ele fadado a viver até o final dos seus dias como um desprezível e nauseabundo inseto?

O resto, só lendo muito!

Kafka conseguiu elaborar, de maneira brilhante, uma história convincente e muito tocante, que força-nos ao seguinte raciocínio: “Será que valemos pelo que somos ou apenas por aquilo que produzimos?”

A história é bem curta e pode ser lida em poucas horas.

Digno de 5 estrelas.

site: https://lendomuito.wordpress.com/2017/12/07/a-metamorfose-kafka/
Maay 07/12/2017minha estante
Se transformar em um bicho que tenho medo? Sai fora! Kkkk


Xandy Xandy 08/12/2017minha estante
Pois é, amiga. A barata foi apenas um simbolismo utilizado para uma doença terrível como câncer, depressão ou qualquer outra que impossibilitasse a pessoa de ser "produtiva", tendo que passar a depender da boa vontade da família.
Bjks e lindo final de semana pra ti, amiga querida!


Maay 08/12/2017minha estante
Ah sim, interessante!
Um lindo final de semana para você também, bjs.




Luana 20/10/2019

Incrível a quantidade de correlações que você pode fazer com esse livro. Escrito de forma simples mas feroz na sua crítica social escondida, entre aspas. Ótimo livro.
Camila 20/10/2019minha estante
Amo!


Tiago Torres 20/10/2019minha estante
Estou baixando agora... vou colocar na minha lista! =) Baixei "O Processo" dele tambem, ja leu?


Luana 21/10/2019minha estante
Ainda não li "O Processo", na verdade esse foi meu primeiro livro de Kafka. :D




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