O Mundo Pós-Aniversário

O Mundo Pós-Aniversário Lionel Shriver




Resenhas - O Mundo Pós-Aniversário


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Rodrigo Pamplona 19/05/2019

Somos livres pra escolher, mas prisioneiros das consequências (Sem Spoilers)
A leitura de O Mundo Pós-Aniversário é dupla: há dois livros dentro de um único livro. A obra nos brinda com duas versões do que teria acontecido a partir de uma escolha da protagonista. É, basicamente, o livro do ?e se?: analisando as diferentes consequências de uma decisão, a autora nos apresenta a dois futuros possíveis que nos permitem analisar o desfecho de uma situação a partir de dois primas distintos: uma recusa e uma aceitação.

Talvez a única maneira de escapar de um spoiler zero nesta resenha seja enveredar pelo campo da filosofia. Porém, antes de me aprofundar no tema, permitam-me dizer que você amará este livro com a mesma intensidade em que irá odiá-lo. Talvez você torça por um dos futuros possíveis, talvez você torça o nariz para a marcha lenta do início, mas, indubitavelmente, você sairá da 542º página com muito o que pensar.

Esse livro é pura gasolina para a fogueira dos que constantemente ponderam sobre suas próprias escolhas.

Com potencial para levar à falência os fabricantes de soporíferos, o início é capaz de fazer insones caírem num sono profundo em menos de 30 páginas. Arrastado de início, o enredo só ganhou força mesmo pra mim a partir da página 175, quando a autora começa a aguçar a curiosidade com os tais futuros alternativos. Desse ponto em diante, a história segue em ritmo constante, embora a estrada pela qual enverede seja um tanto longa demais e tortuosa por vezes.

Entre os pontos positivos, o estilo de escrita da autora consegue exprimir os sentimentos de uma maneira bonita e reflexiva, indo até o âmago do que se quer dizer. Por outro lado, embora a trama e o estilo me obrigassem a continuar virando as páginas, o puritano em mim estava repetidamente irritado com a incapacidade da autora em ser sutil e discreta em algumas passagens. É preciso muito mais habilidade e inspiração para ser inteligente e sutil do que para ser claramente obsceno. E este livro era simplesmente obsceno às vezes, margeando perigosamente a vulgaridade e criando um ar de novela mexicana que, essencialmente, comprometeu o conjunto.

Dito isso ? e partindo para a filosofia ? o livro martela sobre o cármico. Seriam as nossas escolhas pré-determinadas? Teríamos o mesmo resultado independentemente dos caminhos que tomamos? Está tudo escrito ou o futuro é uma página em branco? O que teria acontecido se tivéssemos escolhido A em detrimento a B?

O livro não se propõe a responder essas perguntas, mas cria um ambiente em que nós mesmos somos levados a refletir sobre as nossas decisões. É muito interessante fechar o livro e automaticamente abrir a nossa caixa de pandora particular. Foi correto dizer sim naquela ocasião? É correto permanecer? Deveríamos fugir? Esses são alguns dos pensamentos que o livro promove. Como ferramenta para se analisar a própria vida, a autora realmente desperta muitos vulcões adormecidos na gente.

Para concluir, embora exaustivo, o livro se paga no fim. A recompensa pode não ser o que você espera, mas não é banal o bastante para descartar a importância de se refletir sobre as nossas próprias decisões e arrependimentos. Do que poderia ter sido.

Leva 3.5 de 5 estrelas.

Passagens interessantes:

?É engraçado como aquilo que nos atrai numa pessoa é o mesmo que passamos a desprezar nela? (pg. 277)

?Pode-se passar um tempo terrivelmente longo esperando a chegada daquilo que se teve desde sempre, como quem tamborila os dedos a espera de uma entrega da FedEx, enquanto o embrulho aguarda pacientemente fechado do lado de fora da porta? (pg 499)
Edu 19/05/2019minha estante
é, o último capítulo me fez concluir que o mais sábio é se viver o presente sem muito questionamento sobre 'o longo prazo', porque invariavelmente... [também não darei spoilers para seus amigos e seguidores]


Edu 19/05/2019minha estante
PS: os motivos por que "apaguei" algumas estrelas em minha própria classificação foram pelos mesmíssimos que você, com tanta elegância e doçura, apontou em mais essa adorável resenha :-)


Rodrigo Pamplona 25/05/2019minha estante
Teus comentários sempre tao gentis. Obrigado! Ansioso pelo 4321 agora! ;)




Adriana 21/04/2019

Cansativo
A ideia foi boa, mas como é muito descritivo ficou chato.
A hist´ria crível, porém cansativa de ler
Muito longo......
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Lavinia 18/03/2019

"O Mundo Pós-Aniversário", Lionel Shrivel
Irina está há dez anos em um relacionamento estável com o fiel e disciplinado Lawrence. Até que em uma noite, ela se vê tentada a beijar Ramsey, amigo do casal e jogador profissional de sinuca. Assim, o livro intercala capítulos retratando as duas realidades possíveis desde essa derradeira noite: uma em que Irina beijou Ramsey e outra em que ela decidiu não trair seu relacionamento com Lawrence.

Eu adorei essa trama e achei a forma como ela é construída muita divertida de ler. Fiquei muito envolvida em acompanhar o desenrolar dessas realidades alternativas e como estas se assemelham e se diferenciam uma da outra.

Aqui a escrita de Lionel Shriver é bastante detalhista, mas num bom sentido, as descrições da rotina banal e emoções dos personagens foram fascinantes de ler. O livro traz um retrato muito realista e intenso de relacionamentos, sem idealizações, além de apresentar uma reflexão instigante sobre o papel das escolhas nas nossas vidas.

site: @sobrepaginas (instagram)
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Natália 03/03/2019

As incertezas e dilemas de nossas escolhas
“Eu acredito que quem nós escolhemos amar afeta o que escolhemos amar em nós mesmos.”

Com sua escrita ácida e realista, Lionel Shriver mais uma vez toca em assuntos polêmicos, colocando a questão das escolhas e as influências que elas provocam em nossas vidas.

O Mundo Pós-Aniversário nos apresenta a personagem Irina McGovern, uma ilustradora de livros infantis vive um dilemas complexos e suas certezas se tornam questionáveis a partir do momento em que se depara com uma escolha: trocar o seu relacionamento estável por um desejo incontrolável por um desconhecido.

De um lado temos Lawrence: um intelectual e pacto; do outro Ramsey: um famoso jogador de sinuca.

A partir desse dilema e das escolhas de Irina, a escritora escreve duas histórias e com isso os capítulos são duplicados em duas cores: preto e branco e em cada universo Irina vive uma realidade diferente, de acordo com suas escolhas.

Com essa duplicação dos capítulos, Lionel descreve o que sucederia se Irina escolhesse Lawrence e no outro se escolhesse Ramsey. Essa escolha pode incomodar alguns leitor, pelo fato de estar lendo dois livros em um, mas esse recurso torna o livro uma obra única, original e com personagens completos.

Em uma realidade, temos personagens que tornam-se mais agradáveis do em outra e com isso os leitores vão se envolvendo com as escolhas de Irina.

O livro é um retrato da realidade conflitante dos relacionamentos vivenciados por todos, não se prendendo apenas a traição.

site: https://medium.com/@contatonrbooks/as-incertezas-e-dilemas-de-nossas-escolhas-51ad604886bc
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Dani 30/09/2018

E se?
A história é sobre Irina, uma ilustradora, que é casada com um pesquisador, que é amigo de um jogador profissional de sinuca. Todos os anos, no aniversário do jogador, o casal sai com ele para um jantar. Mas em um ano, o marido não pôde ir, e pede para Irina ir sozinha. No jantar as coisas acabam sendo diferentes, o que resulta em um quase beijo. Este é o primeiro capítulo, depois deste, até o último (que unifica as realidades) tem dois capítulos de cada: um onde ela traiu o marido, outro onde ela não traiu. A coisa mais genial, é observar como as duas realidades são parecidas ou diferentes em momentos fixos (coisas que acontecem nas duas realidades). Outro ponto, é que a autora mostra que a vida é resultado das escolhas que tomamos, que isso não é falhar ou vencer na vida, mas que sempre existirão altos e baixos. Em suma, é aquele livro onde a história é aquele "mas o que teria acontecido se eu tivesse feito aquilo?" que todos já pensaram algum dia.

site: https://all404.blogspot.com/
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Krous 24/09/2017

Mais um livro em que parecia que eu lia umas 20 páginas, mas quando via o status no kindle ainda não tinha chegado na metade do livro!
As pessoas daqui vão dizer que não é um livro para qualquer um. Vão dizer que precisa ter uma experiência de vida ou inteligente superior para apreciar essa obra de arte. Aviso: sempre que ouvir ou ler alguma crítica assim, foge porque você já sabe que se trata de algo ruim e algumas pessoas usam esse artifício para te manipular. Ninguém quer ser taxado de burro, devagar, inexperiente. Pois bem, eu nem ligo!

O estilo de Lionel Shriver segue o de Virgina Wolf, com tempo psicológico e eu, no momento, estou sem tempo de saber quando a história está no presente, no passado, na mente do personagem.

Além disso, os personagens são chatos! Daquele tipo intelectual que se acha melhor que todo mundo, blasé mesmo. Já estou cheia de gente assim na vida real - e fugindo de todos -, não vou aturar em leitura por prazer de jeito nenhum!
P. S. Brunno 13/12/2017minha estante
Esse foi um dos livros que mais reli na vida, é perfeito. Intrigante como o que agrada uma pessoa chateia outra.




Claudio 08/08/2017

Tudo que acontece é imperfeito
O mundo de Irina se divide quando ela enfrenta a decisão se beija ou não o amigo de seu companheiro. A partir deste momento passamos a acompanhar o desenrolar dos fatos tanto no caso dela resistir a esta tentação quanto se ela não resistir.

Nestes dois mundos conseguimos delinear o fato de que não há decisões corretas e sim consequências que podem ser boas e ruins ao mesmo tempo. Lionel Shriver consegue com muita habilidade construir capítulos inteiros para nos fazer sentir raiva de um personagem, somente para no próximo, sob nova perspetiva, reformularmos nossos achismos todos. Assim os personagens são profundamente verossímeis, reais, humanos - Irina, particularmente, é irritantemente passível.

O livro não é fácil, é preciso tempo para digeri-lo. Esse livro faz doer e exige maturidade do leitor. A autora aborda de forma direta a importância do sexo nos relacionamentos, independente do amor.

"Apesar do grande estardalhaço cultural a seu respeito, o sexo não durava muito, não é? Não ocupava grande parte do dia. A gratificação que trazia era fugaz. Tratava-se de um mero exercício de pôr uma coisa dentro de outra, e a mulher era capaz de experimentar mais ou menos a mesma sensação por outros meios"
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Glétsia 20/05/2017

A difícil arte da escolha e a responsabilidade de lidar com as consequências.
Confesso que não foi uma leitura que me levou a vontade de ver desesperadamente o desenrolar da história. Foi um tanto arrastada. Mas não deixou de ser provocativa e causar algumas reflexões.
O livro fala sobre decisões, nesse caso, trair ou não trair. O que ficou bem claro, no meu ponto de vista, é que não importa qual a sua escolha, coisas boas e ruins estarão sempre presentes.
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Simone de Cássia 18/01/2017

Descobri que adoro os temas dessa autora!! Ela desnuda a alma da gente... Confesso que logo no comecinho eu queria abandonar... e... de repente eu não queria mais largar!! Não olhei as resenhas antes de começar a ler, por isso levei um tempinho pra sacar as duas "versões" da história...E foi aí que me prendi ao relato sofrido da Irina! É surpreendente como a autora consegue retratar tão bem as dificuldades íntimas de todos nós, meros mortais. Ela escancara as portas das dúvidas que nos assolam no decorrer da caminhada e mostra direitinho as encruzilhadas que se nos apresentam. ... Pois é, "quem nunca?!?" Gravei dela uma frase que achei simplesmente tudo: " a perfeição sempre está na opção que não fazemos" !! Xeque mate, né? Enfim, adorei! Nota "M" de magistral !!
Claudia 18/01/2017minha estante
Que pena, esse eu abandonei.... no começo, rsss, vc persistiu e deu certo :)))


Nana 18/01/2017minha estante
Também senti vontade de abandonar no começo e depois adorei! Os livros dela são todos muito bons!!


Riva 18/01/2017minha estante
Eu adorei esse livro e logo saquei que os capítulos se bifurcavam e aí num tínhamos o que teria acontecido se a decisão tivesse sido x, e no outro, o que teria acontecido se a decisão tivesse sido y! Achei fenomenal isso!


Helder 24/01/2017minha estante
Tb adoro esta autora e acho que um dia ela ainda vai ganhar um Nobel por desnudar nossa alma como vc disse. Pelo que me lembro, o final deste livro tb é sensacional.




Juliana 21/12/2016

Este é o terceiro livro da autora que leio, e na minha humilde avaliação o mais intenso. Me identifiquei com muitas das auto avaliações e das dificuldades matrimoniais de Irina, e a forma com que a escritora conduziu a história é de uma maestria incrível. Super
Indico a leitura, foram 450 páginas de uma viagem - conflito - psicologica muito bem retratada.
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@aangeladani 28/07/2016

O momento é tudo...
Escrito em terceira pessoa, a narrativa leva o leitor por dois caminhos distintos, evocando aquela máxima do "e se", que todo mundo já se deparou um dia. Como uma espécie de bifurcação, as escolhas e as decisões são inevitáveis. Se escolher o caminho da direita, consequentemente o caminho da esquerda ficará de lado, e vice versa. Não se pode ter tudo.

Esse é o terceiro livro que eu leio dessa autora e, confesso, demorou pra que a leitura pudesse engrenar e me prender mais. Por outro lado, a forma de escrita sempre tão franca e sem enfeites,  acabou me despertando interesse. Além disso, os capítulos que se alternam entre as possibilidades da personagem principal, e os diálogos que também mudam de interlocutor conforme o capítulo em questão, também foi um recurso que eu até gostei, mas achei a leitura bastante cansativa algumas vezes, não nego. Mas o final, que cruzou as duas possibilidades de um jeito meio mordaz, me deixou com uma sensação inevitável de reflexão.

E essa forma bastante realista de expor fatos corriqueiros e normais do dia a dia, de um jeito natural e, ao mesmo tempo, meio difícil de engolir, é uma das coisas que eu mais tenho gostado nessa autora.

O mundo pós-aniversário discorre com uma honestidade amarga sobre a estranheza das relações, sobre o quanto elas podem se tornar rasas e superficiais num piscar de olhos, mesmo depois de terem sido absolutamente importantes e significativas afinal, o momento é tudo... Ou seja, deixá-lo passar, poderia ser bom e ruim ao mesmo tempo e na mesma proporção.

Citação: "E como a gente está sempre esperando que a vida comece [...] Pode-se passar um tempo terrivelmente longo esperando a chegada daquilo que se teve desde sempre, como quem tamborila os dedos à espera de uma entrega, enquanto o embrulho aguarda pacientemente fechado do lado de fora da porta."

Nota: 3/5 (bom)
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Sabrina 23/06/2016

Incapaz de produzir uma resenha na sua forma ~clássica, deixo aqui o desabafo dessa leitura arrebatadora!!

Nada de universos outros, tramas mirabolantes e/ou personagens ultra-originais. Lionel Shriver acertou em cheio ao construir personagens tão palpáveis, a ponto de, por vezes, ser desconfortável acompanhá-los. E é esse desconforto que cria um nível de empatia que não dá nem pra descrever.

Eu me vi torcendo, sentindo a dor, a raiva, o desespero, o constrangimento, arrependimento de modo alternado com cada personagem. Devo admitir que me inclinei muito a um desses personagens - algo me diz que foi justamente pela desilusão com esse personagem, embora totalmente "previsível", mas que eu desejei muito, muito mesmo que não acontecesse (mas que fez todo sentido ter acontecido), que não dei 5 estrelas, apesar de amar essa frustração peculiar que só textos realistas construídos por ótimos autores me causam.

O prazer e a empolgação de ler um livro tão bom como esse não cabe numa resenha e nem no meu tempo. Simplesmente arrebatador!
Sabrina 04/10/2016minha estante
Pensei melhor nos meus motivos das 4 estrelas e não, não eram suficientes. Livro fantástico!


Sabrina 04/10/2016minha estante
Pensei melhor nos meus motivos das 4 estrelas e não, não eram suficientes. Livro fantástico!


Ed 17/10/2016minha estante
Amo a Shriver


Lari 04/12/2016minha estante
"Eu me vi torcendo, sentindo a dor, a raiva, o desespero, o constrangimento, arrependimento de modo alternado com cada personagem." basicamente descreve tudo que eu sinto. fico com dó do Lawrence na realidade em que Irina o abandona e desprezo ele na realidade em que ela é fiel e ele a trata de forma horrenda. Não terminei de ler, mas tenho a impressão de já saber do que vc esta falando sobre a desilusão com certo personagem.




Lu, Blog Estranhos Como Eu 16/03/2016

O Mundo Pós Aniversário - Blog Estranhos Como Eu www.estranhoscomoeu.com
Não podemos esperar nada simples ou fantasioso. Lionel Shriver tem um ritmo tipicamente difícil de acompanhar, devido aos seus assuntos bruscos e sua leitura prolongada e trabalhosa. Seus personagens são fiéis a realidade, por isso muitas das vezes algo parece cruel demais. Cada livro da autora é direcionado à um tema. Aqui, ela expõe uma verdade nua e crua da infidelidade.

Nesse livro, o leitor é levado para duas histórias a partir de uma decisão: a que Irina beija um homem, que não é seu marido, e a que ela não o beija. Ou seja, temos dois mundos paralelos retratando como seria a vida da principal a partir dessas escolhas.

“Mas é engraçado como aquilo que nos atrai numa pessoa é o mesmo que passamos a desprezar nela”.

Existe um capítulo do primeiro e um do último capítulo. Do segundo ao penúltimo existem dois de cada. Os de caixa escura mostram as situações de sua vida ao beijar Ramsey, e os de caixa branca é quando ela não cede ao beijo.

A história começa com Lawrence, marido de Irina, convencendo-a de ir jantar com Ramsey, um antigo amigo dos dois. Era aniversário do homem e Lawrence não poderia estar presente. Depois de muitas objeções, ela desiste e aceita jantar com o amigo em seu aniversário.

“Era um alívio fugir da companhia de Lawrence, nem que fosse por um pouquinho; mas da própria realidade do alívio não havia como fugir, e isso a desconcertou”.

Ela não achou que poderia ser interessante, mas, durante o evento, Irina se sentiu espantosamente confortável, se agradando da companhia de Ramsey. Então aqui ela faz sua decisão.

Temos a Irina com Ramsey, e a Irina com Lawrence. Não gostei da primeira versão. Mas tem um porém: se ela não fizesse algumas coisas, outra pessoa o faria, o que significa que a infidelidade está no destino da mulher.

Em uma das versões da narrativa com Ramsey, rico e famoso jogador de sinuca, ela não esperava por problemas financeiros, porém esse é o menor dos problemas. Irina se pega muitas vezes pensando em como seria sua vida se ainda estivesse com Lawrence. Seu casamento com Ramsey lhe rendeu muitas dores de cabeça.

“Afundada na poltrona durante as primeiras rodadas do Mundial, ela teve de admitir que estava entediada. E não apenas um pouquinho. Era um tédio implacável, um tédio de arrancar os cabelos, um tédio que lhe dava vontade de se matar”.

“Essa noite estava deixando flagrantemente de encarar a ‘normalidade’ pela qual ela havia ansiado. Mas a normalidade, tal como a entendera um dia, parecia ser coisa do passado”.

Já nos capítulos claros, onde ela está com Lawrence, não é muito diferente. O homem externava inteligência e simpatia. Um exemplo de homem. Eles sabiam se comportar em público. Mas em relação ao seu casamento, ele deixava transparecer indiferença com ela muitas das vezes.

“Outros confiavam no casal como um parâmetro, a prova de que era possível ser feliz; esse papel era um fardo”.

O final, como sempre, é imprevisível. Costumo dizer que a Lionel, em todo final de capítulo, dá um soco no nosso estômago. Sabe aqueles quotes que a gente lê e pensa: “Rem!”? Então, ela faz isso. Principalmente em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Veja um quote que encontrei em O Mundo Pós Aniversário:

“(…) como era raro, nos últimos tempos, ver alguma coisa bonita na televisão”.

Associaram? Brincadeiras à parte, gostaria de finalizar com alguns alertas. O livro tem 554 páginas, há muitas sem diálogo e a leitura não é tranquila. Quem desejar ler precisa ter noção disso para poder chegar até o fim compreendendo a intencionalidade da autora. Ou seja, ele transmite, acima de tudo, a relação entre os casais formados. Podemos até reparar que não há muitos personagens. Gostaria de destacar isso. Lionel analisa e explora tudo o que diz respeito a relação Irina+Ramsey e Irina+Lawrence basicamente no livro todo. Não é como se a história em si contasse alguma coisa, mas o que importa é a reação dos personagens principais quando batem de frente com o ciúme, desconfiança, desentendimento com a família do cônjuge, falta de paciência, brigas, situações inesperadas etc.

Sou completamente apaixonada pelos livros da Lionel, no entanto O Mundo Pós Aniversário me deixou inquieta, levando-me a questionar o porquê da autora escrever certas informações. Se você já leu, deixe seu comentário opinando sobre o livro, e se não leu comente o que achou sobre a história baseada na resenha. Seu comentário é muito importante!

Espero que essa resenha tenha aguçado a curiosidade de vocês. Ressalvo que este é meu ponto de vista, assim, abro um caminho para que vocês sintam-se a vontade e comentem quando e o que quiserem, pois a opinião de todos é valida!

Obrigada pela leitura!

site: http://estranhoscomoeu.com/2016/03/09/resenha-o-mundo-pos-aniversario-lionel-shriver/
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Aline 02/12/2015

O momento é tudo
Sinopse:

Irina McGovern é uma ilustradora de livros infantis de quarenta e poucos anos que está em um relacionamento de quase 10 anos com Lawrence Trainer, um homem bastante intelectual, com um emprego promissor que lhes rende uma vida confortável. O relacionamento vai perfeitamente bem até Irina desejar beijar outro homem, Ramsey Acton, um jogador de sinuca famoso, amigo do casal e o oposto de Lawrence.

Ramsey se encontrava em jantares com os amigos de ano em ano no seu aniversário, mas devido a uma conferência de trabalho em outra cidade, Lawrence não pôde comparecer. Irina acaba indo sozinha encontrá-lo e se surpreende com um jantar fantástico e um intenso desejo de beijá-lo.

Minhas considerações:

Pra começar, a autora escreve maravilhosamente bem, faz analogias incríveis e não consigo recordar a última vez que li um livro tão bem escrito.

É um romance totalmente fora do senso comum, não tem nada de clichê, é bem peculiar e diferente de tudo o que já li.

A estória começa e pára, digamos assim, quando após o jantar com Ramsey, Irina sente o desejo de beijá-lo, logo, temos duas histórias com capítulos intercalados a partir da sua decisão, e se... A traição aconteceu ou não?! Beijou ou não beijou?!

Deste ponto, a personagem vai encarando as consequências das suas decisões, em um capítulo há o relacionamento previsível e "perfeito" com Lawrence e no outro, a "aventura" do relacionamento "conturbado" com Ramsey.

Pra quem esperava um romance 'romance', confesso que não torci para nenhum dos dois, pois em nenhum dos "universos" Irina era valorizada, mas Lionel Shriver narra as duas estórias com tanta destreza, verossimilhança e personagens tão humanos, com cotidianos tão próximos da realidade que me prendeu de maneira surpreendente.

Enfim, a dúvida do livro inteiro é esclarecida em um dos últimos parágrafos, mas no decorrer da leitura, eu já conseguia imaginar qual de fato havia sido a decisão de Irina.

Não é um livro recomendado para qualquer faixa etária, está longe de ser um romance adolescente ou um Nicholas Spark da vida. Indicaria, com certeza, para pessoas, mulheres mais maduras, pois nos faz pensar em como nossas decisões afetam a nossa vida e trata o relacionamento de forma sensata, bem real, com personagens reais, sem floreios. Resumindo, é bastante reflexivo.

Este foi o primeiro livro que li desta autora e vou correndo procurar outros.
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Mariana Destacio 29/11/2015

O Mundo Pós-Aniversário
Irina e Lawrence são casados há cerca de 9 anos, e conhecem Ramsey - um jogador renomado de sinuca - através de uma amiga de trabalho de Irina - Jude. Aparentemente o casamento de Ramsey e Jude não vai bem, o que faz com que Irina e Lawrence sejam convidados para jantar no aniversário de Ramsey. Isso acaba virando uma rotina dos casais, e quando Jude a Ramsey se separam e o próximo aniversário chega - sem que Lawrence esteja na cidade - sobra para Irina ir fazer as honras.
E então se inicia o mundo pós-aniversário.
O livro apresenta duas histórias: Irina continuando com Lawrence e Irina ficando com Ramsey. Fique meio perdida no início pela forma que o livro é escrito, pois não
pesquisei muito antes de comprar. Simplesmente quis ler outro livro de Lionel depois de "PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN". E novamente, Lionel mostra como o diálogo entre um casal é importantíssimo.

É difícil falar exatamente o que cada personagem nos faz sentir, já que eles agem de formas diferentes nas duas realidades.

Lawrence é um cara inteligente, conservador e estável. E ninguém o veria de outra forma. Com o passar do tempo ele se fixa numa ideia do que é Irina e de como deve ser um casamento, fazendo da rotina uma lei, e se retraindo diante de qualquer mudança. Esse é sem dúvida o personagem mais difícil de falar, - já que é o que apresenta o comportamento mais diferente nas duas realidades - e tive uma séria relação de amor e ódio por ele.

Ramsey parece o cara mais gentil de um lado, mas do outro ele é infantil e irritadiço. Ele ansiava por alguém que estivesse ao seu lado e o exaltasse o tempo todo, não admitindo nada menos do que isso. Mas ele falava o que Irina queria ouvir, e não a reprimia por tudo. Ele oferecia - e compartilhava liberdade.

De uma lado vemos uma mulher que parece ter um casamento feliz, mas no fundo é ignorada. E fica dividida entre frustração, e gratidão. Afinal, todo mundo tem problemas e as coisas poderiam ser bem piores. Se queixar por certas coisas insignificantes não parece certo. E do outro lado, uma mulher que anseia liberdade, mas que quando a busca, não consegue se desgrudar da vida anterior - já que poucas pessoas a apoiam na nova escolha.

Somente lendo para entender - dizer muito mais estragaria - mas basicamente o que o livro me passou:
1) Todos temos alto e baixos.
2) Só se dá valor quando se perde.
3) As vezes é preciso arriscar.
4) Deve-se aprender a viver com as próprias escolhas.

Ao final, vamos descobrindo qual das histórias é a real. E a Lionel não decepciona.

Como no outro livro que li, o dicionário do kindle se fez útil, mas já estou me acostumando com a escrita. E tem várias frases em Russo, já que Irina também é fluente nesse língua e a usa em várias situações.
Além disso, o livro é ambientado em Londres, e se passa principalmente entre 1997 e 2003, falando sobre a situação política daquela época no mundo e fazendo várias menções ao terrorismo - já que o Lawrence trabalha estudando sobre isso - tendo até um destaque sobre o 11 de setembro - e mostrando a posição dos personagens nessas situações.
Nan ® 29/11/2015minha estante
Parece bom, gostei!




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