Lolita

Lolita Vladimir Nabokov




Resenhas - Lolita


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Gu 28/01/2010

Lolita
Você tem estômago? Pois é isso o que precisará para ler esse grande clássico da literatura mderna.

Lolita é fantástico ao mostrar o que há de mais perverso na conduta humana. Você fica atordoado; raiva, pena, ansiedade, tristeza, são alguns sentimentos que despertam no leitor no decorrer da obra.
No entanto, quem disse que um livro têm que ser, necessariamente, confortante e alegre? Nabokov acha que não, e sua escrita transmite sentimentos que em nada comuta com felicidade. A não ser, é claro, para seu personagem Humbert Humbert e seus desejos obscuros e perversos. Ok, não podemos afirmar que ele era feliz, seu desejos carnais apontavam para um lugar do qual a moral vigente não admite. Ele tinha noção disso, mesmo assim não conseguia evitar.

Nabokov foi corajoso ao escrever esse livro. O tabu da pedofilia não é, com certeza, um assunto fácil de se abordar, no entanto, ele o fez com maestria. Uma linguagem rebuscada, trechos em francês, que para mim enriqueceu mais ainda a beleza da obra.

Enfim, se você sente asco de um livro através da personalidade das personagens, não leia Lolita. Mas se você sabe apreciar a riqueza de uma escrita pormenorizada, a habilidade em transmitir sentimentos humanos para o papel, sejam eles obscuros ou não, Lolita é uma boa pedida.

Deleite-se.
Mari 25/10/2013minha estante
Disse tudo! ;)


JullyB 12/10/2014minha estante
É um livro forte mas é uma realidade que pode acontecer em vários lugares do mundo, é forte.. transmite sentimentos fortes! Muitas vezes deixei o livro de tanta raiva!É um ponto de vista.. é um livro diferente.. não quer dizer que estariamos de acordo com o comportamento de Humbert Humbert.. em parte concordo com sua resenha..


Bruna 20/11/2018minha estante
A linguagem é realmente fascinante. Pontos para o tradutor.


Henrique 08/06/2019minha estante
Excelente resenha.




Luiz 29/08/2010

Ótimo livro. Personagem deplorável.
Quando li Lolita (de Vladimir Nabokov) pela primeira vez, quando eu era mais jovem, ficou muito claro para mim: aquele era o meu livro favorito. Uma história trágica, sobre a relação entre um pedófilo e uma menina de 12 anos, mas que tinha uma linguagem inspirada, que fazia tudo parecer extremamente engraçado, foram os elementos responsáveis por eu amar tanto a obra. Além, é claro, de ser uma trama bem movimentada, com elementos de erotismo e suspense.

Pois agora, alguns anos depois, resolvi revisitar a obra para saber se a opinião é a mesma. E é claro que não é.

Calma. Eu continuo achando o livro uma grande obra-prima, e certamente um dos melhores que já li. Mas agora o admiro por motivos diferentes.

Desta vez eu não ri muito com as tiradas sarcásticas de Humbert Humbert, o narrador e protagonista da obra. Elas continuam ácidas ao extremo, mas o que mudou dentro de mim foi a capacidade de encarar a história não apenas pelo ponto de vista dele, mas também pelo das pessoas com as quais ele convivia.

Aliás, hoje percebi que todo o livro é, na verdade, baseado na percepção dele, e só dele. Ou seja, há certamente coisas que ele altera, ou elimina, e conta apenas aquilo que poderia ajudá-lo a se livrar de uma condenação por assassinato.

Toda a história é, portanto, escrita de forma que se PAREÇA um caso de amor desesperado entre um homem com problemas psicológicos (mas não um monstro) e uma birrenta adolescente que se insinua a ele. Mas, se lermos atentamente, veremos que não é nada disso.

Lolita é uma fantasia da mente de um pedófilo que acredita que nunca (ou quase nunca) fez nada de errado. Tudo o que ele "sofre" nas mãos da jovem Dolores é amplificado no livro, ao passo que as suas atitudes deploráveis para com a menina são transformadas em algo leve, como se fossem uma brincadeira.

É difícil, para qualquer mortal, ter alguma reação que não seja ódio para com um adulto que se casa com uma mulher apenas por desejar sua filha de 12 anos, e que após a morte da esposa, seduz a filha (antes mesmo que esta saiba que perdeu a mãe) e a leva para uma vida terrível, onde eles ficam viajando pelos EUA e parando de motel em motel, como se fossem pai e filha, mas na verdade ele fica subornando a criança para que ela se entregue a ele (para não cumprir suas promessas depois de saciado).

Mas o que Humbert Humbert faz é transformar esta verdade em outra, tornando a obra bonita, como se um competente autor ultra-romântico estivesse narrando os fatos.

Literatura erótica por excelência, Lolita funciona como um ótimo estudo de personagens. Sim, porque o erotismo é quando usa-se as descrições dos atos do corpo para se atingir a alma humana (ao contrário da pornografia, que apela para a simples exploração do corpo pelo corpo). E não há trechos lingusiticamente chulos em Lolita, apesar de que se o leitor usar sua imaginação, saberá que o livro é bem safadinho.

Assim, por exemplo, foi com grande pena que agora acompanhei a solidão de Charlote, a ponto de apaixonar-se pelo culto Humbert, quando este era seu inquilino. Mas, mais do que tudo, tive muita compaixão pela Dolores, ou Lolita, como o narrador prefere chamá-la.

Uma menina que, órfã de pai e de mãe, se vê nas mãos de um adulto truculento, insensível e ciumento. Confusa com a vida absurda em que se encontra, ela é obrigada a tomar decisões que acabam a levando cada vez mais para o fundo do poço.

Lolita é, portanto, a história de uma vida trágica: a de Dolores Haze, uma criança que terá uma breve existência marcada por muitas desgraças.

A linguagem de Nabokov é excepcional, deliciosa e envolvente, como seria o papo de um criminoso culto e sedutor que quer ganhar a liberdade. Minha dica, enfim, é ler o romance duvidando do narrador e imaginando como seria a mesma história se fosse narrada pelo ponto de vista de outro personagem.

http://grafiasnoturnas.blogspot.com/2010/08/lolita.html
Kellen Suamy 07/09/2010minha estante
Ótima resenha, Luiz. Realmente, dependendo da idade que vc tem ao ler esse livro, pode-se chegar a conclusões diferentes. Não me simpatizei com H.H. Apesar de alguns (na maioria pessoas mais novas... adolescentes) ficarem "com raiva" de quem pensa assim. Dizer não se simpatizar com H.H não é dizer que não gostou do livro Lolita. O livro é sensacional... muito bem escrito (de tirar o chapéu)... aborda temas dificeis, tendo como narrador H.H., sem ser vulgar. É uma "senhora" obra-prima. E polêmico por gerar interpretações equivocadas. Não dá para gostar do personagem H.H. e dizer q ele foi vítima. Isso, não! Lolita... essa sim foi a vítima.
Amei a sua resenha! Foi uma resenha feita na dose certa.


Luiz 10/09/2010minha estante
Obrigado, queridas! O livro realmente é uma coisa!


Marselle Urman 26/06/2012minha estante
Tive um vislumbre dessa tua visão na minha primeira leitura ( a distorção do narrador). E a piedade pelo triste destino de Dolores. Acho que este livro tem muitas entrelinhas, agregará sempre em qualquer releitura futura.


Manuela 10/02/2014minha estante
Luiz,

foi exatamente a lógica na qual embarquei. Meu primeiro questionamento foi, "E se fosse Lolita contando a sua história". Mais ainda é tentar se colocar na situação do personagem, principalmente a própria Dolores Haze. Ainda estou degustando a obra, mas ela me vem de uma angústia tamanha que tenho que parar e ler outros pormenores, outras possibilidades.

Parabéns pela bela visão.


Ana 18/01/2015minha estante
Ótima resenha!


Nara 20/02/2015minha estante
Acabei de ler e saí a procura de uma resenha que transmitisse o que senti ao ler Lolita; no qual tenho que admitir, sentia náuseas com as descrições que Humbert Humbert fazia no começo da narrativa. Dizer que era amor o que ele sentia pela menina ou achar que Lolita foi culpada, também é uma visão distorcida. Como tu dissestes, é uma história contada pela visão de um pedófilo tentando se ver livre de uma culpa; ele mesmo admite isso. Não deixando de ser um romance bem feito, claro que tirando algumas partes desnecessárias, mas isso é a minha humilde opinião. Excelente resenha!


Natalia 11/04/2016minha estante
Muito obrigada por saber interpretar a obra e dar essa ótima resenha, por entender que o livro foi feito para PARECER uma história de amor, por sentir compaixão por Dolores e Charlotte, ao contrário de pessoas nojentas que aqui fizeram resenhas insinuando que a culpa poderia ser de Lolita.




Mariana Fonseca 19/08/2011

Entre a loucura e o amor
Lolita, ainda hoje, é vista como uma obra moderna. Uma história que para os desavisados pode parecer imoral, mas que, ao serem lidas as primeiras páginas, tudo muda de figura. Humbert Humbert manipula o leitor (como Bentinho em Dom Casmurro) - quem nunca, em alguma passagem, torceu por H.H.? -, e fica dividido entre o amor e a malícia. Não somente um caso de um homem doente, mas um caso de amor insano. Uma garota que às vezes é inocente, mas às vezes é perversa. Como um homem acaba por destruir a infância de uma garota - ou talvez tirá-la de uma mãe egoísta e de uma realidade fadada à rebeldia...? Nabokov não retrata somente um caso amor peculiar, mas também faz um panorama nacional da época.

Em questões de estilo, Nabokov mais uma vez revela-se mestre em descrições e eufemismos, que passariam batido por leitores desatentos. É preciso tomar cuidado para não ser levado pelo relato omisso de H.H., que em partes exagera e em partes esconde, tudo com maestria. Nabokov também descreve com perfeição o ambiente estadunidense pelo qual Humbert viaja com Lolita - tanto que, em partes, a descrição torna-se enfadonha.

A trajetória do relato de Humbert desenvolve-se desde um primeiro momento em que este conta sua infância e conquistas triunfalmente até a segunda parte do romance, onde esta personalidade até mesmo arrogante passa a viver em um mundo de medo e dúvidas. A ameaça da fuga de Dolores a qualquer momento tortura H.H., que acaba por confiná-la e transformar seu sonho pré-adolescente de conquista em um pesadelo.

Entramos em um mundo em que não sabemos culpar - ao mesmo tempo em que não se pode condenar H.H. por amar insanamente, não podemos culpar Lolita (que menina de 12 anos nunca se atraiu por um homem mais velho e quis seduzi-lo?). Só podemos observar e verificar o saldo nulo de uma tragédia de dois opostos que se complementam perigosamente.


E não há de se julgar o teor erótico deste livro. Ame, chore e sofra por amor e há de se entender o desespero de Humbert ao recriar sua Anabel em Dolores Haze.





Recomendo.
Nívia 05/02/2010minha estante
Muito boa resenha :)

Fiquei ansiosa para ler este livro.


Marianna 17/01/2013minha estante
Eu reconheço que o livro é muito bem escrito. Mas não torci por H.H. nem por um segundo.
Tive nojo e raiva dele o livro todo!!


MarioLuiz 16/01/2016minha estante
Achei interessante seu ponto de vista comparando o maneirismo literário de Nabokov a Machado de assis em Don Casmurro, pois foi a primeira ideia que tive durante a leitura de Lolita. Porem Lolita tem um peso moral muito mais complexo pela diferença da idade dos protagonistas. Enfim li a ambos e achei-os, embora literatura fantasticamente realista, com finais deprimentes.


Ana Kah 29/01/2017minha estante
Claro que se deve culpa ele. Ele é absolutamente culpado, até ele mesmo se impuje essa culpa. Ele estava completamente errado em fazer tudo o que ele fez.




Nanase 14/08/2009

Doentio? Sim, sem a menor dúvida. Assustador? Na maioria das vezes. E, ainda assim, simplesmente GENIAL.

Não tem como descrever esse livro. Quero dizer, ele é repugnante? CLARO que é repugnante, é a história de um pedófilo! O que as pessoas deveriam lembrar é que, por mais "nojento" que esse tipo de coisa seja, ela EXISTE, acontece o tempo todo e descaradamente, por mais que a gente prefira fechar os olhos e fingir que não vê. "Lolita" não é uma apologia à pedofilia - é uma acusação, uma verdade, uma realidade jogada na nossa cara com a maior violência possível. A leitura pode ser um pouco complexa para quem não tem o costume de ler livros desse tipo, mas é fantástico. Os personagens são bem estruturados - o leitor fica dividido entre o nojo e a compaixão por H.H.; a raiva e a pena de Lolita. Aliás, a personagem-título é perfeitamente elaborada, em cada detalhe, o que a torna humana e quase palpável para quem lê. Isso, é claro, pra não falar dos quotes e descrições lindíssimos do Nobokov. Leitura indispensável (L).
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Caroline 01/09/2014

É errado amar, mesmo que seja errado?


Antes de ler esse livro eu só sabia que Lolita era uma polêmica história de um homem de meia idade que se apaixonava por uma adolescente - ou melhor, por uma ninfeta - e nada mais. Temi iniciá-lo pois as palavras amor e pedofilia na mesma frase já me dava náuseas. No entanto, em um daqueles momentos que todo leitor ávido tem de procurar diversas listas de "melhores livros do século" ou "1001 livros para se ler antes de morrer", notei que Lolita aparecia em todas. Em todas! E, claro, pensei, por que não?

Devo, antes, dizer que li umas 80 páginas e parei a leitura, interrompendo-a por um ou dois meses. Digo isso para encorajar os que fizeram o mesmo, ainda que sem motivo, como eu. Sugiro, ainda, que não retomem de onde pararam, mas que a reiniciem com novo frescor. Valeu cada palavra.

Humbert Humbert é um professor de literatura perto dos seus quarenta anos que se muda para a pequena Ramsdale para escrever um livro. Aluga um quarto na casa de Charlotte Haze, mãe de Dolores - Dolly, Lola, Lo, Lolita - a ninfeta de 12 anos por quem Humbert se apaixona perdidamente. Per.di.da.men.te!

Tinha sido amor à primeira vista, à última vista, às vistas de todo o sempre.

O primeiro amor de Humbert foi uma garota de 12 anos, Annabel, quando ele ainda era adolescente. Ela morreu quatro meses após o início da tórrida paixão juvenil, e por isso ele tenta nos convencer de que sua obsessão por ninfetas é, de certa forma, uma busca pela Annabel perdida. Humbert casa-se com Valeria, em uma tentativa frustrada de acabar com sua obsessão por ninfetas, mas Valeria também morre! E é após esses acontecimentos que nosso narrador muda-se para Ramsdale.

A narrativa é em primeira pessoa pelo que é chamado de narrador não confiável, uma vez que Humbert conta-nos o que lhe convém, muitas vezes (ou sempre) tentando convencer-nos de suas boas intenções.

O que você deve saber - que eu não sabia - é que o narrador vai lhe manipular e, por vezes (por muitas vezes!), vai lhe fazer acreditar em cada linha que ele escreve. Julguem-me: eu não vejo o Humbert Humbert como um pedófilo pervertido, vejo-o como um homem que enlouqueceu de amor. Percebe como esse livro pregou uma peça em mim?

Não há como negar que o que Humbert sente por Lolita é amor. Um amor ilícito, mas amor; doentio, obsessivo, ainda assim, amor; possessivo, egoísta, mas amor. Apaixona-se por ela desde a primeira vez que a vê e pretende manter esse amor para si. Bem, assim ele o diz. Convence-nos de que Lolita sempre lhe provocou, que a atração era mútua e de que foi ela quem tomou todas as iniciativas.

"Senhoras e senhores do júri, não fui seu primeiro amante."

É uma leitura perturbadora, mas não me foi nauseante. A escrita é tão incrível que burlou meus pensamentos e me deixou boquiaberta aplaudindo de pé. A adjetivação contida nessas páginas é de fazer qualquer um babar, é inacreditável a capacidade de Nabokov com as palavras. Quantas vezes ele descreveu Lolita? Inúmeras! E todas únicas e fantásticas. A narrativa é rica, poética, meio hipnotizante, de uma estética encantadora.

Apesar de tudo, os personagens são extremamente irritantes, mesmo a "doce" Lolita, o que não deu brechas para que eu tivesse piedade dela. Mesmo diante dos favores sexuais exigidos pelo Humbert Humbert em troca de algumas moedas ou concessões, não consegui convencer-me completamente de sua inocência. Lembrem-se, foi o Sr. Humbert quem me contou a história!

É engraçado que há uma outra figura, Clare Quilty, e este sim é um pedófilo pervertido que dá nojo. Mais uma jogada de Nabokov?

Ao término da leitura, certa ou errada, convenci-me de que Lolita não era realmente ingênua, que não foi estuprada pelo HH e que no início correspondia aos seus flertes. Não sei dizer se ela um dia o amou - ou se algum dia foi capaz de amar alguém, tendo sido tão precocemente iniciada na vida sexual. Porém, torci para ela que fosse feliz e senti pena das lágrimas do amor incondicional, maluco e intenso do obcecado Humbert.

Para quem tem medo da leitura, aviso: as cenas não são gráficas, mas é inevitável que elas se formem na sua cabeça. No entanto, a elegância da prosa é tamanha que você vai lendo e lendo... Acima de tudo, Lolita é uma obra prima da literatura e merece ser lida, degustada e apreciada. Adorei fazê-lo e recomendo de olhos fechados - mas, lembrem-se, mantenham a cabeça bem aberta!



+


Caroline 01/09/2014minha estante
Olha, Gleidson, Humbert e Lolita me irritaram muitas vezes e tem uns trechos um tanto entediantes, mas no final das contas é excelente! Espero que você goste!


Dirce 05/09/2014minha estante
Oiiiiiiii!
Li Lolita há tanto tempo e confesso que não morri de amores. Sua resenha me fez até considerar a possibilidade de uma releitura. Quem sabe...
bjs


Caroline 07/09/2014minha estante
Oi, Dirce!!!
Quando eu comecei pela primeira vez esse livro ele não me conquistou. Então parei, e quando retomei, não sei explicar porque, adorei!! Rsrs
Se der uma chance, espero que goste mais!
Bjs


Emmanuel Feliph 03/02/2015minha estante
Vc realmente nao quer enxergar porque se deixou apaixonar pelo H.H. Talvez isso seja apenas um reflexo da sua realidade, mas tomara q na vida real isso nunca aconteça com vc, sua filha ou algum parente


Caroline 27/05/2015minha estante
Emmanuel, como assim reflexo da minha realidade?? De jeito nenhum! Nem tampouco me apaixonei pelo HH. Aliás, ele é irritante. Deixemos as loucuras na boa literatura, bem longe da realidade.


Ana Kah 29/01/2017minha estante
O problema é que isso não fica na literatura e o que muita gente ignora é que isso acontece todos os dias, e pessoas moralmente doentes com H.H. se safam justamente por pessoas que se deixam cativar por suas floreadas palavras e sua "história de amor e loucura".


Isabelle.Lima 02/02/2017minha estante
Como assim Lolita não era ingênua? Ela era uma CRIANÇA. E vc ficou com pena de Humbert? Oi?
Vc realmente caiu no conto, e era realmente a ideia do autor, enganar os leitores menos pensantes. O que Humbert sentia em momento algum foi amor, ele viu em Lolita a personificação de suas taras apenas. Inclusive, ele chegou a pensar em engravidá-la para abusar assim de sua filha e até de sua neta. É claro que a todo tempo ele tenta manipular a história, provar sua inocência, e pelo que vejo há leitores que se deixam levar. O que me leva a admirar ainda mais a obra e Nabokov, já que alcançou seus fins com maestria. Mas me sinto amedrontada ao perceber que na vida real a situação é deveras comum e as reações são idênticas. "Mas ela não era ingênua" "Foi ela que o seduziu" Argh


Isabelle.Lima 02/02/2017minha estante
Aliás, "O fato dela "dormir quase toda noite chorando", as próprias descrições da "melancolia, tristeza e imobilidade" da Lolita nos "momentos de prazer" era um indício bastante forte de que tratava-se de uma relação de abuso psicológico e sexual." como li numa resenha aqui exemplificam bem a questão, a garota foi estuprada e molestada não apenas no corpo, mas em sua mente. Não tem jeito de defender Humbert sendo possuidor de ao menos um neurônio.


David 13/08/2017minha estante
Resenha inteligente e sincera. Dei valor!




Renata CCS 27/09/2016

Dolores, Dolly, Lo, Lola, Lolita.
.
“Pela manhã ela era Lo, não mais que Lo, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.” (p.11)

Por muito tempo fiquei apenas na vontade de ler LOLITA. A sinopse não é das mais agradáveis, leitores se dividem em opiniões controversas, e a obra não tem qualquer finalidade moralista latente. Sim, é um livro que traz uma proposta polêmica: a relação de um homem de meia idade, Humbert, com uma menina de 12 anos, Lolita.

O livro é narrado em primeira pessoa por Humbert. Envolvente e muito irônico em diversas situações, ele tem plena consciência da pedofilia que comete, chegando a admitir, em diversos momentos, que foi ele o culpado por arruinar a vida da enteada. Assim como Nabokov, Humbert é um europeu residente nos EUA, e retrata o modo de vida norte-americano com muita ironia, fazendo troça das pessoas, zombando de comportamentos e situações. Isso sem mencionar as vezes que ele caçoa dele próprio. Faz uso de uma narrativa bem-humorada, e isso, sem dúvida, somou vários pontos a favor da obra.

A relação entre os dois protagonistas nada moralistas é o ponto fortíssimo do livro, que muito aguça - ou distancia - o interesse dos leitores pela obra. O romance de Nabokov ganha atenção por sua ousadia de falar de um assunto que é um tremendo tabu, e exatamente por isso, evitado pelas pessoas. Mas o livro não é apenas uma história de paixão obsessiva e ruína: é também um painel dos EUA revisitado, é uma brilhante utilização da linguagem e suas nuances, e é uma mostra perfeita de como a linguagem pode ser elevada à categoria de arte.

Você deve estar se perguntando o porquê de três estrelas depois de tantos adjetivos. Difícil explicar tantos sentimentos contraditórios a respeito do livro. Antes de mais nada, gostaria de registrar que detesto Humbert. Também não gosto de Lolita. Não gosto de Charlotte e tampouco de Quilty. Resumidamente, não gosto de ninguém daquela história. Mas gosto de Nabokov. De todo modo – e falando francamente – gostar ou não dos personagens simplesmente não tem relação alguma com a qualidade do livro, mas, talvez, tenha a ver com o que colocaria aqui como a minha relação pessoal com a qualidade da leitura: aquela ligação rápida e geralmente prazerosa com a obra, entendendo, ao menos, algumas das motivações do protagonista. No caso de LOLITA, isso não foi possível. Resquícios (ou culpa?) das minhas leituras da juventude? Talvez...

Um outro ponto que me desagradou foi seu ritmo. Nabokov arrasta demais a narrativa, parecendo não querer se deparar com o final da história. Achei muito cansativo os trechos das longas viagens, e nem mesmo a prosa poética do autor ajudou em determinados momentos que, para mim, seguiram um tanto arrastados.

A meu ver, o grande problema é que o romance é narrado apenas por Humbert: ele está no comando da história, selecionando o que será revelado, quando e como será contado. Humbert é um ser desprezível que atravessa o livro todo explorando uma criança. Ele é arrogante e doente, e passa parte da história tentando justificar suas ações. É irônico o contraste entre o Humbert narrador e o Humbert personagem. Enquanto o primeiro se enxerga como uma pessoa inteligente, sensata e irresistível para as mulheres, o segundo não passa de um velhaco asqueroso e covarde. Ele é ridículo, e Lolita sabe perfeitamente disso.

E nós, os leitores, ficamos resignados ao papel de voyeur, completamente à mercê de Humbert, assim como a própria Lolita. Humbert faz questão de romancear seu relato com ímpetos de lirismo calculado para seduzir o leitor. E mesmo em se tratando de um crime horrendo, ele consegue colocar a sua paixão num patamar acima do que o crime que ela representou. A todo momento ele quer romantizar o que faz, culpando a vítima por seus atos. É o discurso do pedófilo. Não é o sexo que corrompe Lolita: é Humbert colocando-a como um objeto de seu desejo que a arruína e desumaniza. A meu ver, fora do olhar doentio de Humbert, não há ninfeta alguma. A ninfeta Lolita só existe através do obcecado Humbert.

A questão é que, o que chamo de incômodo no romance é justamente o que também representa a genialidade do autor. É que ele nos coloca, com sua narrativa convincente e tendenciosa, o amor acima de tudo, fazendo com que algo tão abominável aparente ser, ao mesmo tempo, um discurso convincente de homem apaixonado. É neste momento que uma angustiante desordem de sentimentos parece desafiar o leitor e o romance mostra-se dos mais desconcertantes, mas não menos cativante. É genial! E Nabokov muito faz uso desse recurso: a obsessão do protagonista é, simultaneamente, sua destruição e seu álibi – se é que pode existir um. Mas é essa a grande energia da narrativa, pois consegue nos lançar em uma profusão de sentimentos contraditórios e embaraçosos, e ao mesmo tempo, envolventes e instigantes. Sim, são páginas muito difíceis de digerir, mas há uma recompensa intelectual para quem conseguir ultrapassar a barreira do desconforto.

LOLITA é um livro maravilhosamente bem escrito. Ele trata de um tema terrível: a pedofilia, mas limitar-se a este argumento para repudiar o livro é absurdo. Também é absurdo alguém ver o livro como uma história de amor, principalmente por causa do final, quando Humbert se arrepende. Arrependimento que não tem nada de convincente, pois ele passa mais de 400 páginas narrando o abuso de uma menina, buscando nos convencer como isso é perfeitamente natural, então não é um parágrafo do suposto arrependimento no remate do livro que o torna uma história de amor.

Sim, é possível gostar do livro sem gostar dos personagens. E mais ainda: sem endossar a pedofilia. Não me apaixonei pela leitura, mas também não me arrependo de tê-lo lido. Portanto, recomendo que você leia LOLITA. Leia para entender o que eu estou tentando explicar e o que todas as pessoas que leram vivem tentando explicar. LOLITA é um romance fora da lei, condenável e, mesmo assim, sedutor.

Vale a cada um ter a sua própria perspectiva.
Hester 27/09/2016minha estante
Este livro está desde sempre em minha listinha, e desde sempre vou protelando.


Natalie 18/10/2016minha estante
Gostei MUITO da sua resenha. Em breve tirarei minhas conclusões sobre Lolita.


Isabelle.Lima 02/02/2017minha estante
Resenha muito bem escrita. Apenas um adendo: Não é mesmo pra gostar de Lolita, até pq ela aparece sob a ótica de Humbert apenas, jamais saberemos como ela é realmente, já que sua personaliodade foi descrita por um louco que tende a parcialidade.




Kivia Nascentes 10/06/2012

Sim, entendo que é um obra prima e reconheço isso, é bem escrito, clássico, porém achei cansativo a primeira parte e os primeiros capítulos da parte II. Felizmente o ritmo melhora depois mas ainda assim acho um livro cansativo. Parágrafos e frases enormes com poucas pontuações e descrições demasiadamente longas e um uso excessivo de expressões em francês sem tradução.

PauloVJCastilho 20/08/2012minha estante
Entendi. A Srta não gostou do livro porque tem muitas letras.


Lissa - @leiturasdalissa 04/10/2012minha estante
abaixo vemos o exemplo concreto de gente que sabe lidar tão mal com a opinião alheia que dá um pouco de pena...


Lu 21/03/2013minha estante
Concordo , o livro é muito cansativo e sem ritmo. Bem escrito, mas sem emoção.


Kivia Nascentes 24/02/2015minha estante
gente que se sente na obrigação de ofender quando a opinião difere da sua. E como disse a Lissa, dá um pouco de pena.


Ana Kah 29/01/2017minha estante
Engraçado, se a opinião difere a pessoa "doída" acaba por desqualificar o responsável pelo comentário e não o argumento em si. Melhore como ser humano rapaz.


Ana Kah 29/01/2017minha estante
Vou ter que concordar com você Kivia. Estou lendo o livro agora e vim aqui nas resenhas buscar incentivo para continuar. Pois além de ficar enojada o livro inteiro, o estou achando lento e absurdamente sem carisma. Acredito que quando não conseguimos achar inspiração em alguma personagem nos identificando com elas, a leitura acaba por ficar mais arrastada.




Queria Estar Lendo 23/06/2015

Abandonei: Lolita
Lolita é um dos clássicos universais mais falados por ser tão controverso: a história de um professor de meia idade obcecado por uma pré-adolescente divide opiniões e já foi banido de diversas escolas pela polêmica.

Faz algum tempo que eu tentei ler Lolita (talvez uns dois ou três anos) justamente por toda a polêmica. Na época eu tinha uma biblioteca enorme a minha disposição com diversos livros e como eu não tinha nada mais para ler, dar uma chance a Lolita parecia sensato.

Errado. Foi uma experiência que eu nunca tinha vivido antes, porque gosto de pensar que sou bastante tolerante com muitas coisas, não achei que um livro pudesse me fazer sentir dessa forma. E não é porque o livro é ruim, muito pelo contrário. Ele é ótimo!

É bem elaborado, inteligente e muito bem escrito, tão bem escrito que se tornou impossível terminar de ler. Nabokov descreve Humbert Humbert - seus sentimentos e desejos - tão bem, que me senti mal, como se estivesse realmente lendo as memórias de um pedófilo. Não consegui chegar nem mesmo a metade do livro, pois a profundidade com a que o professor de meia idade é descrito é de assustar, tamanha realidade que ganha nas palavras do autor russo.

Horrendo e perturbador são as palavras que melhor descrevem a narrativa e, embora sejam palavras de conotação negativas, servem como elogio, pois não é qualquer um que consegue escrever algo tão real.

Ainda quero lê-lo, ainda quero chegar ao fim, mas sou da opinião de que devemos respeitas os nossos limites em qualquer coisa que fazemos na vida - mesmo ao ler um livro - e acho que ainda não chegou a minha hora de saber lidar com Lolita.

Se você, assim como eu, costuma se envolver muito com o que está lendo, recomendo cautela e estômago forte. Acho engraçado que eu consiga ler fantasia com temas tão perturbadores quanto, mas quando falamos de um livro mais "real" eu trave tanto. Mais um item para a minha longa lista de tiques literários.
Hel 06/09/2015minha estante
Ainda não li Lolita, mas já me senti de forma bem semelhante em relação a alguns livros e quadrinhos, então entendo bem seus sentimentos. Não a velha mentirinha do "sei como se sente", eu senti mesmo, tipo enjoos de estômago e pesadelos...não vou mencionar quais histórias, pq ninguém entenderia. Então, se você ainda se sente assim a respeito de Lolita, é melhor continuar deixando de lado. Não vale a pena se torturar por mais que os outros façam propaganda.


ElisaCazorla 15/09/2015minha estante
Obrigada por seus comentários! Eu sou bem o tipo que se envolve muito com o que está lendo. Melhor deixar esse livro de lado =] Obrigada




Leonardo 31/08/2012

Lo-li-ta
Disponível em: http://catalisecritica.wordpress.com

"Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Lo-lee-ta: the tip of the tongue taking a trip of three steps down the palate to tap, at three, on the teeth. Lo. Lee. Ta.

She was Lo, plain Lo, in the morning, standing four feet ten in one sock. She was Lola in slacks. She was Dolly at school. She was Dolores on the dotted line. But in my arms she was always Lolita."

Este certamente é um dos inícios de romance mais famosos da literatura, e está sempre presente nas listas desta espécie, como aqui e aqui.

Lolita conta a história de Humbert Humbert, um homem branco e viúvo e pedófilo. Ele é mais inteligente do que a maioria das pessoas, mais sensível, mais sagaz e exatamente por conta disso sabe o quanto é doente. Escrito no formato de memórias ele relata como conheceu Charlotte Haze, uma viúva com uma filha de doze anos, Dolores Haze, Lolita.

Ao ler um grande escritor, meu foco se divide, inevitavelmente. De um lado, a história, a narrativa; do outro, e talvez com preponderância, o estilo, o feitiço com as palavras que é domínio exclusivo daquele autor. Gosto de listas, e gosto especialmente de listas sobre livros. Naturalmente dou atenção a listas elaboradas por quem merece atenção. Examinando listas como a da Modern Library, da revista Time , Harvard) ou da World Library) é possível ver que Lolita sempre aparece em destaque. Isso foi despertando em mim um interesse em conhecer o romance e ver o que Nabokov tem de mágico, como ele conseguiu transformar a história de um pedófilo em um clássico da literatura mundial.

O começo do livro e a passagem em que Humbert Humbert avista Lolita pela primeira vez (ver em http://catalisecritica.wordpress.com) já são suficientes para identificar um pouco do estilo do russo. Autocrítica, ironia, acidez, uma imensa capacidade de observação e, especialmente, de colocar no papel o que vê, tornam a leitura de Lolita agradável e fluída.

Mas não é o estilo de Nakobov que mais chama a atenção. É Humbert Humbert, o terrível. Com muito bom humor e demonstrando um imenso desprezo pela sua própria pessoa, ele muda seu próprio nome, montando trocadilhos, de acordo com a situação. Humburger, The Humble Hunchback (o corcunda humilde), Humburger, Hummer, Hummerson, Humbert the Hoarse (o áspero), Humbert the Wounded Spider (a aranha ferida), Jean-Jacques Humbert, Hamburg, Humbird, Humbug, Humbert the Hound (o cão de caça), Humbert the Humble (o humilde), Herr Humbert e muitos, muitos outros.

Ele ama Lolita. Mais do que isso, é obcecado por ela, louco, dependente. Ele sabe muito bem o mal que faz à menina, as marcas que ficarão para o resto da vida dela, mas seu desejo é mais forte, sua doença cala sua consciência. Um belo exemplo disso está na passagem que narra o dia seguinte da primeira relação sexual dos dois. Humbert Humbert sabe o ato monstruoso que fez, mas não consegue evitar que o desejo volte mesmo vendo a fragilidade e a dor da sua presa (ver a passagem completa em http://catalisecritica.wordpress.com.

É uma história triste, e não poderia ser diferente. Trata de um tema sério, com consequências terríveis para todos os envolvidos, mas a narrativa é hipnotizante e você quer ir até o fim. E a parte final é bastante louca, ou pelo menos assim me pareceu. Não vou contar o que se passa, mas um terceiro personagem aparece como responsável por uma série de ações passadas, e muda o rumo da trama. Sei que o fato de eu ter lido em inglês, tornou a compreensão de determinados trechos mais difícil, mas quando Lolita está prestes a revelar a identidade deste terceiro personagem, por exemplo, Humbert Humbert antecipa: você, meu caro leitor, sabe quem ele é há muito tempo. Eu confesso: não tinha a menor pista de quem poderia ser. Mas pelo que já pude verificar, há Easter eggs no livro, especialmente um na introdução (ainda não consegui descobrir, mas sei que o farei na minha releitura). Apenas para reforçar o aspecto insano do final do livro, há um assassinato que é uma das cenas mais surreais que se possa imaginar. Nabokov mostra todo o seu potencial narrativo, misturando pastiche, certo clima noir, drogas, nonsense e nem sem mais o quê.

Ao final, a impressão de que Humbert Humbert é real é tão forte que não pude deixar de imaginá-lo como alter ego de Nabokov. A obsessão, as pequenas e grandes perversões, o olhar viciado, a narrativa confessional tão próxima e vibrante Cheguei a pensar: é a confissão de Nakobov. Aí leio uma nota no final do livro, escrita e assinada pelo próprio Nabokov, que desfaz esse encanto maléfico e me faz lembrar: ele é só um escritor de imenso talento, só isso.

Lolita tem uma lição de moral, quer passar uma mensagem? Dentre outras brilhantes observações, Nabokov diz o seguinte a respeito disso (tradução livre minha):

"Há almas gentis que afirmam que Lolita não faz sentido porque não lhes ensina nada. Eu não sou nem leitor nem escritor de ficção didática, e, a despeito da afirmativa de John Ray, Lolita não traz em si nenhuma moral. Para mim uma obra de ficção só existe na medida em que me permite o que eu vou chamar desajeitadamente de êxtase estético, que é a sensação de estar de alguma forma, em algum lugar, ligado a outros estados do ser, onde a arte (curiosidade, ternura, bondade, êxtase) é a norma."

Obra-prima inquestionável, mostra o poder que tem a literatura de criar mundos, de criar indivíduos, de criar tragédias.
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Jennifer 20/01/2015

O que dizer do tão falado e idolatrado livro do Vladimir Nabokov? Linguagem impecável? Confere. Descrições peculiares e intrigantes dos fatos? Confere. Um bom romance? Não, não confere, pelo menos não para mim. Para um livro ser considerado “bom”, em minha concepção, o conjunto deve ser bom e, apesar de achar a construção da linguagem fantástica e sentir inveja do autor, não consegui me identificar. Eu apenas via o relato de um pedófilo representando o papel de pai de uma criança de 12 anos, filha de sua falecida mulher, a qual se envolveu por conta de Lolita.

Quando soube resumidamente do desenrolar da narrativa fiquei curiosa para ler tal livro. Tanto que busquei assistir ao filme, este que conseguiu convencer a ponto de fazer com que eu mesma fizesse uma adaptação em minha mente, fosse a diretora no lugar de Stanley Kubrick. Logo, ao saber que havia muito mais a explorar nas páginas da história escrita por Nabokov, corri atrás de alguém que a emprestasse, que me possibilitasse ver os relatos do charmoso Humbert Humbert.

Inicialmente, fiquei encantada com as discrições impecáveis do narrador. Depois de um tempo fui percebendo a pedofilia e senti-me horrorizada. Inutilmente achei que fosse como na adaptação cinematográfica; inutilmente pensei que a linda Lolita era uma dessas sedutoras, e que Humbert, coitado, seria o alvo da menina, porém, ao entrar na ficção escrita, era como se eu estivesse relendo outra história. Era como se não fosse a mesma Dolores Haze. A menina tinha apenas 12 anos, e seu padrasto tinha 50. As exposições e afirmações dentro dos relatos do próprio contador de experiências de que preferia as “nymphets” (crianças) é claríssima. Ao longo da narrativa cogitei em abandoná-la, esta deixou de ser convidativa, porém (para expor o que penso a respeito) deveria ir até a última página, e fui.

A sério que todos aqui amam esse romance? Vocês não perceberam nada ou estou sendo muito crítica a respeito? O que explicaria o comportamento da menina, a não ser a visível exploração sexual? Que fique a reflexão. Eu, sinceramente, desconfio de quem acha que esse livro possui uma das melhores histórias. O pior é que não sei se desconfio da personalidade ou da infeliz inocência, que também tinha a personagem. Não estou dizendo que devam concordar com tudo que digo, até porque cada um possui suas vivências e fará uma leitura diferente, mas a pederastia é gritante. Enfim, encerro minha pseudoresenha indagando-os: se era Lolita que provocava e queria a quem ela mesma chamava de pai, por que H.H. haveria de “comprá-la”? Que fique de observação para aqueles que marcaram a opção “vou ler” e de reflexão para os que marcaram como “lido”.
Barbara 01/02/2015minha estante
Resenha ótima, até que enfim vejo alguém falando do livro como ele é. Traduziu realmente. Ainda dá para ter esperança nas pessoas!


Edigleisson Alcântara 08/03/2017minha estante
Às vezes, a qualidade da obra consiste na verosimilhança com os dados da realidade


Jennifer 10/03/2017minha estante
Mas o gosto depende do efeito estético gerado no leitor


Pedro 19/04/2017minha estante
O problema (pelo menos é a impressão que ficou depois de ler sua resenha) é justamente que você leu Lolita esperando uma jovem de 12 anos empoderada colocando um quarentão nas suas garras. Lolita está muito longe disso. Aliás, essa é so a premissa que o próprio Humbert tinha em sua cabeça ao se envolver com Lolita - no prazer doentio que sentia em imaginar-se nas garras de uma criança nínfica, ele, em sua esquizofrenia, em sua alucinação doente, destruiu a vida de Dolores Haze e a sua própria.


Jennifer 16/06/2017minha estante
Não, o problema é que fui influenciada pela leitura do diretor do filme, daí fui esperando uma coisa mais romantizada e sai da caixinha quando vi que não era. O livro é foda, gosto da qualidade estética, mas não gosto do enredo, por não ter sido um enredo que me prendeu.


Jennifer 16/06/2017minha estante
Não, o problema é que fui influenciada pela leitura do diretor do filme, daí fui esperando uma coisa mais romantizada e sai da caixinha quando vi que não era. O livro é foda, gosto da qualidade estética, mas não gosto do enredo, por não ter sido um enredo que me prendeu, já que trata da pedofilia. O meu gosto não exclui a qualidade estética da ficção, assim como a qualidade estética não necessariamente influencia nas formulações após/durante a leitura.




Mitri 25/10/2012

Tirem as crianças da biblioteca...
Conheci o livro por um amigo. Eu tinha acabado de abandonar o primeiro guerras do mundo emerso e ele disse que tinha um livro ótimo para trocar... (mais tarde quando falei que gostei ele estranhou...)
Eis que conheço Lolita totalmente desprevenido de preconceitos:


Minha impressão enquanto lia foi se construindo enquanto diferente da maior parte das pessoas que aqui li resenha. Pareciam estar insaciáveis para dele usufruir e fazer seu santo julgamento.
Li uma historia de amor tão real quanto possível, mas ainda assim a quilômetros da linha que separa o comum e o aceitável para a maior parte das pessoas.
Geralmente as pessoas falam de amor, lêem sobre amor, amam o amor, desde que seja politicamente correto ou surreal.
Me refiro a homem e mulher, me refiro a vampiro e humano. Tudo bem o cara matar gente e beber sangue e ficar com a adolescentes, mas quando um tabu é posto em cheque sempre o jogo termina seja entre amor entre o mesmo sexo, seja sobre esse amor distorcido envolvendo a temida pedofilia.
Enquanto ia conhecendo o Humpert e rindo de suas piadas grotescas acabei por entender um pouco daquele modo de agir, de pensar e seus motivos.
Estava torcendo para ele finalmente conseguir o que tanto buscava, o que aconteceu na metade do livro.
A partir desse momento ele mostrou sua verdadeira face, vi um homem apaixonado e nada mais. Me refiro ao ciúmes, ao extremo do sentimento de proteção tropeçando nas próprias pernas para levantar e novamente tropeçar e voltar a cair.
Na garota enxerguei alguém que não tinha opção, uma criança em cada um de seus momentos mesmo no final. Mesmo quando o induzia não me parecia saber o que estava fazendo, mas ainda assim escolhia algo que tinha um efeito desproporcional na contra parte cuja visão já era distorcida e com os pequenos se não nulos impulsos realmente se cegava enlouquecido.
A maior parte das vezes foi por não ter escolha ou não saber, quando finalmente entendeu era tarde demais.
Enfim a máxima de sempre conseguir o que se procura prevaleceu.
Uma historia que conta uma vida acima de qualquer clichê e moral.
Um livro que não é para crianças não só pelo seu teor quanto às paginas escritas ou sua mensagem forte demais e que pode acabar distorcendo o entendimento para casos reais, mas sobre tudo por ser escrito por alguém que provavelmente já amou alguém e enquanto não se sentir isso nunca será possível entender esse clássico como ele é.
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Denise 14/09/2015

Finalizei o livro Lolita e não consigo dar a ele uma nota. Não consigo sequer dizer se gostei ou não. Esse livro provocou em mim sentimentos contraditórios que ainda não tinha experimentado com uma leitura.

Lolita conta a história de Humbert, um homem em torno dos seus 40 anos de idade que se sente atraído por meninas jovens – e por jovens, lê-se de 8 a 13 anos – o que já o classifica como pedófilo. Então ele conhece Dolores Haze, Lolita, de 12 anos e se apaixona perdidamente. Da forma como os eventos acontecem, ele se aproxima de Lolita e o enredo toma rumos inesperados.

Humbert é o personagem central e o mais intrigante. Todo o livro é contado sob o seu ponto de vista e logo no começo ele nos conta como foi que possivelmente começou o fascínio por meninas novas (mas sem tentar se justificar, pois ele não considera suas atitudes erradas). Ele é um pedófilo, mas não se enxerga como tal. Considera seu “amor” tão válido quanto qualquer outro. Sua obsessão é tanta que mesmo em vários momentos, quando ele se envolve com mulheres mais velhas, sempre procura traços infantis em sua aparência e/ou personalidade.
Outra característica de Humbert é que para os que o conhecem ele é uma companhia agradável, mas jamais se conecta emocionalmente de verdade com outro adulto. Sempre age dissimuladamente, sendo gentil e educado para disfarçar o que passa em sua mente. Além disso, Humbert é extremamente autoindulgente e egocêntrico. Ele se coloca em um pedestal de inteligência que ninguém mais alcança e considera todos a sua volta idiotas.
Achei a escrita do livro bem difícil. Além de ter sido escrito no começo do século XX, sua linguagem é excessivamente rebuscada. O autor também gosta de divagar e se perder em assuntos que as vezes fogem da trama, o que, por gosto pessoal, me desagradou e tornou minha leitura muito mais lenta (cheguei até a pular algumas partes).

Mas por outro lado é um livro tenso e chocante, bem escrito e com personagens bem construídos. Se você procura um livro que te deixe revoltado e instigado ao mesmo tempo, a leitura fica recomendada.
ElisaCazorla 15/09/2015minha estante
Obrigada por sua resenha! Estava prestes a comprar o livro agora mesmo e por causa de sua resenha acho que não vou suportar ler este livro. Li Memórias de minhas Putas Tristes do Gabriel Garcia Marquez e detestei! O que esses velhos acham de tão incrível em transformar crianças em objetos?? Já me basta isso com as mulheres! Com crianças e simplesmente insuportável. Obrigada =]


Denise 23/09/2015minha estante
Oi Elisa, desculpe, só vi seu comentário agora
Pois é, se você não ta na vibe de ler algo mais pesado é bom evitar esse livro mesmo
Eu não acho que a intenção do autor era objetificar crianças, acho a intenção era escrever uma estória crua sobre um tema muito delicado para nos deixar incomodados mesmo. Da forma como eu interpretei, não é como se ele se posicionasse a favor ou contra o Humbert, ele apenas mostrou como seria uma possível interpretação do ponto de vista do pedófilo, porque por mais revoltante que seja, esse tipo de coisa acontece. De fato a criança é bastante objetificada no livro, assim como mulheres, mas acho que o autor quis mostrar que é assim que uma mente perturbada como aquela funciona.
Mas realmente algumas passagens são difíceis de digerir, então acho que fez bem em não comprar rsrs =) fico feliz de ter ajudado.
Obrigada pelo seu comentário =D


Silvestarley 02/12/2016minha estante
Li sua resenha e me interessei pela leitura. :) Valeu!


Denise 05/12/2016minha estante
Obrigada ^^ depois que ler, comenta o que achou tb =)


Silvestarley 05/12/2016minha estante
Combinado!




Paty 10/04/2014

Lolita é completo em todos os sentidos, da construção dos personagens ao refinamento irônico da linguagem. O que eu achei o máximo na obra é a capacidade de fazer com que você a odeie e que precise largar o livro e respirar um pouco antes de continuar lendo. Mas como toda boa literatura é capaz de fazer, é uma leitura que desconcerta, perturba, e vale a pena.


Vanessa Amado 25/10/2010

Um livro que surpreende
Quando peguei o livro, esperava algo completamente diferente do que realmente é a obra de Vladimir Nabokov. Bem, vai ver é culpa da mídia, ou talvez do filme de 1997, que passa a idéia de uma perversa garotinha de 12 anos, que seduz deliberadamente um homem maduro.

No começo do livro, confesso que não me senti muito bem com a leitura, é doentia, porém sincera, a forma como HH detalha seu desejo por Lolita. Mas fui me acostumando. O livro de certa forma acostuma e despudora o leitor e o leva, por algumas páginas, ao universo do HH. Mas lá pelos meados do livro, talvez no início da segunda parte, o texto começou a me aborrecer, foi lento, chato, com excesso de detalhes e talvez a verdadeira alma de Lolita tenha se perdido na narrativa de HH, que conta a história apenas do seu ponto de vista, fazendo-me duvidar dessa Lolita sedutora e luxuriosa e então me mostrando possivelmente uma criança sozinha e traumatizada.

Bem, o livro tomou minha atenção novamente no final, e fez com que eu concluísse que de um todo é bom livro. Mas pelo trabalho que é dado, e a paciência que requer, marco como 3 estrelas.
Pedro.Sena 18/07/2018minha estante
Estou lendo e logo nos primeiros capítulos fiquei meio apreensivo, até pensei em abandonar a leitura, algo que não é minha característica. Mas no decorrer da leitura o interesse aumentou juntamente com a motivação para dá andamento a leitura.
Esse livro nos causa algumas sensações estranhas? Sim. O tema abordado no livre é complicado? Sim, mas não é porque o tema é complicado, que o livro é ruim e não deve ser lido. A leitura e Lolita, está me fazendo lidar com sentimentos que são difíceis de lidamos e me faz pensar sobre várias questões relacionada, não a sexualidade,também a questões relacionadas ao comportamento das pessoas de uma forma geral. Ainda não acabei a leitura, mas estou interessado no enredo.




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