O Continente

O Continente Erico Verissimo




Resenhas - O Tempo e o Vento: O Continente - Vol. 1


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Jose.Maltaca 26/08/2019

O tempo passou e o vento levou...
O Tempo e o Vento, obra prima do escritor gaúcho Érico Veríssimo, narra a saga da família Terra Cambará ao longo de várias gerações que se sucedem em meio aos eventos da história riograndense e personagens históricos. Escrita entre 1949 e 1961, o autor dividiu sua enorme história em sete tomos, delimitando arcos com diferentes nomes: os dois primeiros sob a alcunha de “O Continente”, os dois seguintes denominados como “O Retrato” e os três últimos intitulados “O Arquipélago”. Esta edição contempla os dois primeiros volumes, os quais estão também subdivididos em várias histórias que seguem em ordem cronológica, com exceção do segmento “O Sobrado”, o qual conta o fim do arco das diversas passagens. As restantes são “A Fonte”, “Ana Terra” e “Um Certo Capitão Rodrigo” – as quais formam a Parte I –, e “A Teiniaguá”, “A Guerra” e “Ismália Caré”, compreendendo a Parte II.

Em aspectos gerais, a história é excelente. Testemunhar o florescimento da família ao longo de gerações, sua miscigenação, seus traços tipicamente regionais, sua nidificação em torno da cidade de Santa Fé, sua ascensão e seus infortúnios é um processo fascinante. Muitos personagens vêm e vão, vários marcantes, diversos representativos de sua época e local. O arco maior é extensamente desenvolvido, rico em detalhes sem deixar de englobar um escopo panorâmico, dentro do qual a história do Rio Grande se desenlaça à margem do aspecto intimista da narrativa. Um deleite é notar características intrínsecas e extrínsecas se digladiando, misturando-se e se complementando para definir os rumos dos protagonistas, todos frutos de seu tempo e carregando dilemas inerentes ao seu ambiente. Destaques para a corajosa Ana Terra, o maroto Capitão Rodrigo, o resiliente e preguiçoso Carl Winter e o desfrutado Fandango. Estes personagens estão compreendidos ao longo das diversas histórias, mas as facetas idiossincráticas do ramo familiar que geram definem o grau de variabilidade das histórias sucessivas. Doravante, aqui reside uma rusga proveniente da estrutura narrativa, qual seja a repetição sintomática e involuntária de personagens.

É difícil ler estes livros sem se confundir entre as diversas gerações, uma vez que as suas características raramente se alteram. Pedro Terra, por exemplo, tem como filho Juvenal Terra, sucedido por Florêncio Terra. Todos os três têm exatamente as mesmas facetas de comportamento. Praticamente o mesmo vale para Ana Terra e Bibiana Cambará, a qual, após certos eventos, torna-se uma personagem dificilmente defensável. Isso torna, evidentemente, um exercício repetitivo a leitura integral da obra, especialmente nas três histórias derradeiras - não contando “O Sobrado”. O que faz diferir, em aspectos gerais, são as gerações masculinas da família Cambará, os quais, ao longo da narrativa, ganham poder e perdem carisma: Rodrigo é um valente e intrépido mulherengo, Bolívar é fraco e pusilânime, ao passo que Licurgo é inteligente e frio. Apesar de o arco maior evidenciar o poder das figuras femininas como resilientes e firmes de propósito, os homens ainda têm papel preponderante na história, fruto do patriarcado e de suas escaramuças que pontuam a história riograndense. A repetição também ocorre no ambiente em que se desenrola a trama: das sete histórias, somente uma e meia se passa longe de Santa Fé – a ação de Ana Terra é parcialmente dividida em termos de ambientação. Ler O Continente é praticamente morar na cidade e acompanhar a evolução de seus habitantes e suas intrigas.

Não obstante a evidente maior qualidade de quatro das histórias (“A Fonte”, “Ana Terra”, “Um Certo Capitão Rodrigo” e “O Sobrado”), O Continente é uma obra consistente, repleta de detalhes históricos interessantíssimos, diversas personagens cativantes e um enredo envolvente e esclarecedor, pincelando pontos históricos e dando ao leitor a chance de aprender um pouco mais sobre a história do Rio Grande. É um ótimo pontapé inicial para a melhor e mais bem escrita saga brasileira.
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Anienne 09/08/2019

O Continente 1
Qualquer coisa que eu fale sobre esse livro vai ficar incompleto.

Eu já li muito, muito, muito, muito... mas ainda não tinha "livro da vida" porque não tinha lido esse.

Pretendo ler a Série "O tempo e o vento" inteirinha:

O Continente 1
O Continente 2
O Retrato 1
O Retrato 2
O Arquipélago 1
O Arquipélago 2
O Arquipélago 3

Vou deixar as coisas assentarem primeiro. Depois voltarei para falar algo mais. Por enquanto, ainda estou muito impactada.

Ana Terra - melhor personagem! Como amei essa mulher!!!!
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Tina 14/07/2019

A leitura é o passaporte do pobre
Apesar de ter nascido no Rio Grande do Sul, nunca fui o estereótipo da gaúcha, amante do churrasco e do chimarrão, das danças tradicionalistas e da bombacha. Mas, curiosamente, sempre senti um orgulho ferrenho desta terra e da história de suas gentes. No colégio, me dava um orgulho só de ouvir os feitos de Bento Gonçalves e seus apoiadores, de Anita e Garibaldi, de qualquer um nascido em solo gaúcho. Eita povo briguento, trabalhador e defensor das suas terras. E nos dois primeiros tomos de O Tempo e o Vento, eu senti exatamente a mesma coisa. A escrita do Erico é de uma leveza que não dá para explicar. As páginas vão passando e a gente não vai sentindo...as palavras vão nos cativando, e aos poucos já lembramos de ditados gauchescos, conhecemos novos e soltamos algumas boas gargalhadas. "O sol é o poncho do pobre", escreveu o Erico, em um dos trechos em que Fandango estava com a palavra. Eu diria que a leitura é o passaporte do pobre. Porque através dela a gente viaja, e às vezes para muito longe...igualzinho eu viajei lendo esse livro, transportada para o continente de São Pedro de Rio Grande, lá pelos anos de 1700, quando tudo aqui era pasto, coxilha, verde, céu, imensidão. Universo. E com essa sensação gostosa de ter lido um livro maravilhoso, escrito por um gaúcho de renome, eu digo: que venha O Retrato!
Débora 19/09/2019minha estante
Leitura é passaporte de pobre, boa! Esse livro é 10000 amo




Craotchky 21/06/2019

Bastidores: essencialmente Erico por ele mesmo
"Minha saga do Rio Grande devia abranger duzentos anos, de 1745 a 1945. A princípio imaginei que poderia comprimir toda a história duma cidade e duma família num único volume de cerca de 800 páginas, que me ocuparia uns três anos de trabalho. Mal sabia eu que a obra acabaria por transformar-se numa trilogia num total de mais de 2 200 páginas e que eu levaria mais de quinze anos para terminá-la."

Pega teu chimarrão e te aprochega, vivente!, que hoje tenho esta baita resenha tri massa pra ti!, bem capaz que você vai querer perder. Bah, e pior que deu trabalho, tchê!, mas espero que lhe caiam os butiá do bolso que aí já fico faceiro! Que barbaridade!

Deixando de lado o dialeto gaúcho, minha resenha consistirá sobretudo de trechos do próprio Erico falando um pouco sobre O Continente. Meu objetivo é trazer os"bastidores" da obra. Os trechos do próprio Erico além de estarem entre aspas também aparecem em itálico para aqueles que estiverem lendo pelo site e na página de resenhas. Eis, pois 👇🏽:

BASTIDORES
Em seu livro de memórias, intitulado Solo de Clarineta (1973), Erico revela bastidores acerca do processo de criação de muitos de seus livros e personagens, inclusive de O tempo e o Vento. Erico, por exemplo, sobre O Continente, admite que não tinha apreço pela vida do campo: "Apesar de ser descendente de campeiros, sempre detestei a vida rural, nunca passei mais de cinco dias numa estância, não sabia e não sei ainda andar a cavalo, desconhecia e ainda desconheço o jargão gauchesco."

Erico escreve também sobre como alguns conhecidos e parentes mais gaudérios abriram seus olhos para as riquezas da cultura e hábitos tradicionais do estado: "Durante os três anos em que vivi na casa de meu avô materno, observando-o no ato de viver, de ser, mal sabia eu que estava fazendo com ele meu 'aprendizado gaúcho'[...] Assim o velho Aníbal [avô materno] foi, sem querer nem saber, uma espécie de intérprete, de ponte entre este seu neto citadino e a terra e gente do Rio Grande."
"Idiota! Como era que eu não tinha visto antes toda essa riqueza?[...]Era o meu povo. Era meu sangue. Eram minhas vivências, diretas ou indiretas, que por tanto tempo eu renegara."

Ao mesmo tempo, Erico percebe que, até então, suas obras pouco tinham abordado a essência gaúcha: "Procurando analisar com imparcialidade os meus romances anteriores, eu percebia o quão pouco, na sua essência e na sua existência, eles tinham a ver com o RIo Grande do Sul."

Erico, neste livro de memórias, indica também sua insatisfação com a maneira pela qual os livros didáticos apresentavam a história de seu (e meu) estado: "Nossos livros escolares - feios, mal impressos em papel amarelado e áspero - nunca nos fizeram amar ou admirar o Rio Grande e sua gente. Redigidos em estilo pobre e incolor de relatório municipal, eles nos apresentavam a História do nosso Estado como uma sucessão aborrecível de nomes de heróis e batalhas entre tropas brasileiras e castelhanas."

Tudo leva a crer que isso fez nascer em Erico o desejo de contar a história de seu estado e povo de uma forma mais palatável: "E quanto mais examinava a nossa História, mais convencido ficava da necessidade de desmistificá-la"

Seguiram-se então as observações necessárias ao romancista: "Cabia, pois, ao romancista descobrir como eram 'por dentro' os homens da campanha do Rio Grande. Era com aquela humanidade batida pela intempérie, suada, sofrida, embarrada, terra-a-terra, que eu tinha de lidar quando escrevesse o romance do antigo Continente."

CURIOSIDADES
Sobre o sobrenome Cambará: "O sobrenome Cambará foi escolhido conscientemente: além de ser sonoro, designa uma árvore de duro lenho. Se bem me lembro, uma das estâncias perdidas de meu avô paterno chamava-se Cambará."

Sobre o Sobrado: "Outra personagem importante de O tempo e o Vento é o Sobrado, que sinto como um ser vivo, pensante. É, evidentemente, um símbolo uterino, materno, abrigo, fortaleza, aconchego, tradição [...]"

Sobre as mulheres do livro: "[...] declaro em voz alta que tenho um fraco pelas mulheres de O tempo e o Vento, como Ana Terra, Bibiana e Maria Valéria."

📌 Obs: todas as citações foram extraídas do livro Solo de clarineta I, capítulo V, seções 21, 22, 24, 25.

(Adendo: Após vencer certa relutância resolvi assistir ao filme de 2013, impulsionado por saber que parte dele foi gravado aqui, na minha cidade, aproximadamente 6,5km da minha casa. Devo admitir que fiquei encantado, sobretudo pelas muitíssimas passagens em que os(as) personagens reproduzem as falas tais como escritas no livro. Arrepiei-me em vários destes momentos. Muito bem gravado, fotografia excelente, boas atuações de forma geral e magnífica atuação daquela que considero a melhor atriz brasileira: Fernanda Montenegro. O filme vale muito a pena.)
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Carlos Nunes 29/05/2019

A saga O TEMPO E O VENTO - vol. I
O CONTINENTE é o livro que dá início à mais famosa saga literária da nossa literatura: O TEMPO E O VENTO, do gaúcho Erico Veríssimo. E que início soberbo! Também é a parte mais conhecida da saga, transformada em filme e série de TV. Não sei até que ponto isso ocorre no Rio Grande do Sul, mas no restante do Brasil não temos ideia de quão grandiosa é a história desse Estado. Desde os primórdios da colonização, quando a região ainda era disputada entre Portugal e Espanha, pertencendo ora a um, ora a outro país, e atravessando todos os períodos da História do Brasil, praticamente isolados, numa vida quase que à parte do restante do país. Achei muito interessante como os fatos da nossa História vão sendo colocados quase que por acaso, na fala de um ou outro personagem, praticamente sem repercussão alguma na vida daquela gente, exceto quando os homens e os bens são necessários para as constantes guerras e revoluções. Personagens maravilhosamente construídos, especialmente, é claro, os dois mais famosos: Ana Terra e o Capitão Rodrigo, tão importantes que ultrapassaram as páginas desse volume em livros próprios. Uma escrita fenomenal, que nos prende pela narrativa, pelos acontecimentos e, sobretudo, pela beleza. Mais que recomendado, é essencial!

site: https://youtu.be/ZdVp0_XbQ9Q
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Fernanda Sleiman 18/05/2019

O grande
Eu não sei o porque tinha tanto medo de Erico Veríssimo, que obra meus amigos, que obra!
Wanheda 19/05/2019minha estante
Oi tudo bem, a escrita é difícil?


Fernanda Sleiman 20/05/2019minha estante
De jeito nenhum! Eu pensei que seria, mas me surpreendeu!


Wanheda 21/05/2019minha estante
Achei a coleção completinha na minha escola mas estava com esse medo , obgg pela a ajuda


Fernanda Sleiman 21/05/2019minha estante
Você não vai se arrepender! De uma chance para Erico Veríssimo, eu sempre tive um pouco de receio hoje eu vejo que perdi muito tempo fugindo!




Mary Santos 23/04/2019

Pretendo começar perguntando: porque meus professores não me apresentaram esse livro nas aulas de história.
Garanto que eu teria me interessado absurdamente pela Guerra dos Farrapos.
Que diga-se de passagem, agora entendo bem mais, do que na época em que precisei fazer uma prova somente sobre esse assunto.
Também tenho que dizer que não me recordo a última leitura que fiz, onde existiam personagens femininas tão fortes, quanto são Ana Terra e Bibiana Terra Cambará. São personagens tão bem construída, que cheguei até sentir um certo grau de parentesco com elas, haha.
E lendo livros como esse, que retratam tão bem os tempos de guerra que eu penso: ainda bem que já passamos por isso tudo e vivemos em um mundo melhor. Mas de repente, me lembro da guerra da Síria, e me compadeço com pessoas que convivam com esse tipo de realidade.
E mais uma vez ao finalizar um livro sobre alguma guerra passada, eu me pergunto: quando o homem tomará de exemplo os erros passados.
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Felipe 06/04/2019

O livro do Tempo e da Vida.
2012 foi o ano em que a Literatura entrou em minha vida. Minha idade era 15-16. Os livros que mais me marcaram naquele ano foram: Cidade de Deus - Paulo Lins, 1984 - George Orwell, Crime e Castigo - Fiódor Dostoiévski e O Tempo e o Vento - Érico Verissimo. Dos quatro, falarei sobre o último.

O Tempo e o vento, trilogia dividida em três partes: O Continente, O Retrato e o Arquipélago, é a obra-prima de Érico Verissimo. Apesar do tamanho ser equivalente ao da Bíblia Sagrada, sua leitura é fluída e acessível. Todavia, facilidade aqui não deve ser confundida com superficialidade. Ao longo da trilogia, acompanhamos a trajetória da família gaúcha Terra-Cambará, da metade do século XVIII até o final da segunda guerra mundial, de modo que os grandes episódios históricos nacionais estão ligados a vida dessa família, como os conflitos bélicos nacionais, o governo republicano, a tirania dos coronéis, etc.

Para além do enredo e do contexto histórico social da obra, o qual já é amplamente discutido e debatido, quando lemos o Tempo e o Vento, começamos a refletir sobre a vida, sobre a existência e, principalmente, um de seus principais motores: O tempo e seus efeitos sobre os seres . Acompanhamos a vida de muitos personagens, tanto em sua juventude quanto em sua velhice. Isso nos leva a perceber que as pessoas idosas outrora foram jovens e sonhadoras como nós, jovens, o somos no presente momento. Também nos mostra que um dia envelheceremos e, por fim, morreremos. Dar-se conta dessas coisas aos 16, idade que eu tinha quando li esse clássico, causou-me um impacto profundo, trazendo-me a sensação da brevidade que é a vida. Percebi o quanto ela era curta e que eu deveria fazê-la valer a pena.

É um livro que pode mudar e transformar radicalmente o leitor, como ocorreu no meu caso, já mencionado acima. Para mim é o maior clássico da Literatura nacional, com todo respeito a famosa trilogia realista de Machado de Assis, a qual também se encontra entre meus livros favoritos. Pouquíssimas obras literárias conseguem abarcar o fenômeno da vida, do tempo, do nascimento a morte, como faz essa obra. Não preciso mais repetir que vale muito a pena.
Mrs. Helena Gouveia 06/04/2019minha estante
Muito bacana tua resenha. Fiquei mais empolgada quando vc disse que a leitura não é tão complicada assim. Por alguma razão eu achava que seria. E eu passei a gostar mais de literatura em 2011, eu tinha 14, temos a mesma idade lol.


Felipe 06/04/2019minha estante
Kkkkk. Érico Verissimo é de boas, pode encarar sem medo. Além disso, ele é muito profundo na abordagem histórica.


Júnior 13/04/2019minha estante
Tenho esse também, sempre março de ler e acabo adiando a leitura.


Felipe 13/04/2019minha estante
Tem que parar de ficar adiando, man. Rsrs




Nélio 05/03/2019

Um livro (na verdade, uma série de livros!) envolvente e cheia de vida. Eu já sabia que ia gostar, mas o prazer com a leitura foi superior ao esperado. A escrita do autor é um encanto, pois a leitura flui, dando aquele gostinho de "só mais um pouquinho"... Nem parece que li tanto em tão pouco tempo!
A história narrada é de grande valor, claro! Não é possível não se encantar com a família Terra, principalmente com as mulheres. Elas são fortes, apesar de sofrimento que marcou e marca tantas gerações. Mas o fato é que elas estão sempre à frente, em suas percepções, em suas vontades, em seus sentimentos.
Espero que os outros livros continuem com a magia do primeiro!
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Thiago Barbosa Santos 01/02/2019

Tomo 1
Em 2019, estou mergulhando em um dos maiores desafios literários da minha vida. Vou ler toda a saga ‘O Tempo e o Vento’, de Érico Verissimo. É uma das obras mais extensas e importantes da nossa literatura. Conta mais de 150 anos de história da família Terra-Cambará, no Rio Grande do Sul. Ao todo, são três livros: O Continente, O Retrato e Arquipélago, divididos em sete volumes.

É uma obra rica e já adaptada para o cinema e para a televisão. Além da ficção, tem todo um contexto histórico e revisita acontecimentos importantes do Rio Grande do Sul dos séculos 19 e 20. A cada volume lido, farei um resumo nas resenhas.

No primeiro volume desta grande saga, começamos a entender como se formou a família Terra-Cambará. Não acompanhamos essa história de forma cronológica. Passado e presente vão se alternando a cada capítulo. É preciso consultar com certa frequência a árvore genealógica da família para entender melhor quem é quem na história.

Conhecemos a trajetória de duas personagens muito importantes desta saga, a Ana Terra e o Capitão Rodrigo Cambará. Cada um tem um capítulo especial. Ana Terra é uma das grandes mulheres da nossa literatura. Pertence a família Terra. O pai saiu com a família de Sorocaba para buscar uma condição melhor no interior gaúcho. Tinha umas terras por lá. Um dia, lavando roupa do rio, a moça encontrou um rapaz ferido. Assustada, foi avisar ao pai e aos irmãos. Os Terra cuidaram do rapaz. Quando se recuperou, descobriram que era de origem indígena e havia sido criado por um padre jesuíta.

Pedro havia sido ferido em um combate. Era um período de muitos conflitos naquele lugar. Os homens, geralmente, morriam cedo nessas batalhas e as mulheres ficavam com a missão de criar os filhos, manter a família de pé. Pedro foi ficando na casa dos Terra como uma espécie de agregado da família. Ajudava os homens no trabalho. Até que um dia Ana Terra se envolveu em uma aventura amorosa com ele e engravidou. Quando o pai e os dois irmãos descobriram, aconteceu uma grande tragédia. Eles sumiram com Pedro. O rapaz tinha o dom das premonições e havia previsto que seria morto pelos irmãos da amada e enterrado aos pés de uma árvore.

Ficou uma ferida aberta entre Ana Terra, o pai e os irmãos. Tempos depois, a mãe morreu, um irmão foi morar em uma outra cidade e ela foi se reaproximando dos seus. Ana criou o filho sozinha. Até que uma outra tragédia marcou de vez a família. As terras deles foram invadidas por Castelhanos, os parentes mortos e Ana severamente violentada por aqueles homem. Tudo na casa ficou destruído. A personagem, na verdade, deveria ter fugido para o mato com o filho, a cunhada e a sobrinha, mas acabou ficando na casa como um gesto de heroísmo. Na casa havia roupas de mulher. Se ela fugisse, seriam todos capturados no mato. Ela se sacrificou na casa pelos seus. Depois do grande trauma, eles saíram da localidade e encontraram pouso em um povoado que estava se formando distante dali, em Santa Fé.

Lá Ana Terra virou parteira, sustentou o filho, Pedro. Quando o garoto ficou mais velho. Participou de duas guerras, mas sobreviveu, formou família e teve uma filha que também é personagem importantíssima no livro, a Bibiana, neta de Ana Terra.

No povoado, aparece certo dia um certo capitão Rodrigo Cambará. Chega desafiando os poderosos da região, ganhando a simpatia de muitos, o ódio de outros e o amor de Bibiana, que mesmo a contragosto do pai, se casa. Foi desta união que nasceram os Terra-Cambarás.

Capitão Rodrigo tem personalidade forte. Tinha amor imenso por Bibiana, mas dava seus deslizes. A moça se mantinha fiel ao marido. Eles tiveram três filhos, uma morreu ainda pequena. Rodrigo morreu em um combate ao tentar tomar o casarão dos poderosos de Santa Fé em uma das tantas batalhas ocorridas na região.

Esse primeiro volume inicia e encerra com a Revolução Federalista, quando o sobrado da família de Licurgo, neto de Bibiana e Rodrigo Cambará, está cercado pelos federalistas. Mesmo assim, eles resistem bravamente a se entregar dentro de casa.
Silvana (@delivroemlivro) 01/02/2019minha estante
Também lerei em 2019.




Carina.Brito 01/11/2018

História e estória
Erico Veríssimo consegue nos dar História e estória. O continente é uma viagem na História do Sul do Brasi e também do Brasil. Seus personagens são profundo, principalmente as mulheres que carregam o peso de seu papel social daquele tempo e de sofrerem com a perda de seus filhos e marido. Um livro incrível!
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Gabriel Romeiro 15/09/2018

Muito bom
Muito bom o livro, ansioso para ler os outros, só esperando alguém para ler comigo
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Guynaciria 15/06/2018

O Tempo e o Vento, é uma série escrita por Érico Verissímo, em três partes, sendo elas: O Continente ( vol. I e II) dos quais falaremos agora, O Retrato e O Arquipélago. 

Esse romance, narra o período de formação do estado do Rio Grande  do Sul, através dos olhos de quatro famílias: Caré, Amaral, Terra e Cambará.

A narrativa começa com uma índia que deu a luz a Pedro Missioneiro, em uma aldeia Jesuíta, anos se passam, esse garoto é educado, demonstrando um talento nato em algumas áreas, além de possuir o dom da visão. Pedro acaba por conhecer Ana Terra, que torna-se a mãe de seu filho.

Ana era uma mulher forte, decidida, que foi moldada pelas restrições e sofrimentos que lhe foram impostos, ela acaba sendo a matriarca da família terra, portanto esse é um livro escrito sobre o ponto de vista das mulheres a respeito dos 200 anos de conflitos, que dizimaram um grande numero da população sulista do Brasil. 

Ana é avó de Bibiana, é essa não nega o sangue que carrega, a garota esta com seus 22 anos, solteira, recusando pretendentes importantes, pois nenhum lhe agrada, até conhecer o Capitão Rodrigo, eles formas um casal atípico, uma vez que Ana ama seu marido, mesmo esse lhe causando grandes desgostos, mas também grandes alegrias ao longo dos anos.

A partir desse ponto temos as famílias Amaral e Terra unidas, elas formam o eixo da narrativa, pois são as protagonistas da trilogia. 

Nesses primeiros dois volumes, a narrativa nos é apresentada intercalando o presente e o passado. E apesar de começar o livro, já sabendo como a história das famílias vão acabar, o livro acaba sendo muito enriquecedor, pois podemos contemplar a formação de um povo, uma cultura, seus ritos. 

Amei esse livro. 
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J R Corrêa 08/02/2018

O Tempo e o Vento - O Continente - I
O livro é composto por três novelas, A Fonte, Ana Terra e Um Certo Capitão Rodrigo, que aparecem intercaladas por fragmentos de uma outra narrativa, “O sobrado”. Embora independentes, as narrativas possuem traços que as unem, fazendo com que o romance apresente certa unidade.
A primeira novela, A Fonte, narra episódios ocorridos no território conhecido como Sete Povos das Missões no século XVIII. Um dos principais personagens, o padre Alonzo, um jesuíta que trabalha nesse local com indígenas, encontra uma mulher prestes a dar a luz. A mulher morre no parto, mas o bebê, um mestiço que recebe o nome Pedro, sobrevive e se torna objeto de grande atenção do padre. Com o tempo, Pedro cresce e se torna um jovem inteligente e fortemente ligado a religião, narrando com freqüência a ocorrência de visões identificadas com a simbologia católica. Esse capítulo tem fim com a narração da disputa da região por portugueses e espanhóis.
Na novela Ana Terra, a personagem principal dá nome ao capítulo. Ana Terra é filha de um homem que escolheu se estabelecer no Rio Grande do Sul como agricultor. Pedro, personagem apresentado no capítulo anterior, é encontrado por ela ferido na mata e acaba se tornando empregado de seu pai. Ana Terra desenvolve então um forte sentimento de desejo pelo mestiço, que acaba ocasionando sua gravidez. A reação de seu pai ao descobrir o ocorrido é muito violenta, ele ordena aos filhos que levem Pedro para longe da fazenda, mas Ana sente que na verdade eles o mataram. Anos depois, a fazenda é atacada por castelhanos, todos os homens da família são mortos e Ana Terra estuprada. A protagonista sobrevive com a cunhada e o filho, o grupo consegue ajuda para escapar da região. Elas se estabelecem na região de Santa Fé.
A narrativa de Um Certo Capitão Rodrigo tem início com a chegada do capitão Rodrigo a Santa Fé. O protagonista se apaixona por Bibiana Terra, neta de Ana Terra, apresentada no capítulo anterior. Porém, a moça tem como pretendente o filho do homem mais importante da cidade. Além disso, o pai da jovem não simpatiza com o capitão. No entanto, Rodrigo faz tudo o que está ao seu alcance para permanecer na cidade e se casar com Bibiana, entrando inclusive em um duelo com seu rival, que covardemente o atinge com uma bala. Recuperado do ferimento, Rodrigo consegue o consentimento para se casar com Bibiana e abre um armazém com o irmão da moça. O casamento ia bastante bem até que com o tempo e a chegada dos filhos, Rodrigo perde parte do interesse pela mulher, começa a beber muito, a jogar em excesso e a manter amantes. O protagonista morre no fim da narrativa envolvido com outro conflito bélico: a Guerra dos Farrapos.
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Ev 04/01/2018

O Continente vol. 1
"Buenas e me espalho. Nós pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!"
Ironicamente, O Tempo e O Vento ultrapassa ao seu tempo e resisti ao vento. O livro usa a história de várias gerações da família Terra para contar as transformações no Continente do Rio Grande de São Pedro (atual Rio Grande do Sul), ou, então, o livro usa as transformações no Continente para contar a história dos Terras. Não dá para saber o que é mais fascinante.
Veríssimo marca o livro por quebras na narrativa. Porém vai muito além de narrar um pouco do passado e um pouco do futuro até chegar no ponto onde os dois se encontram e se completam. A quebra de narrativa também se encontra nas mudanças de linguagem, de escrita e de narrador.
Nesta leitura, encontramos bastante da história e costumes da época, porém o grande ponto é a aula de sensibilidade literária. Com um olhar cuidadoso, podemos encontrar na face de cada personagem muitos lados da mesma história. Aliás, nenhum personagem é 100% ruim ou totalmente bom. Você pode até escolher um lado, mas a sua consciência dificilmente vai deixar você condenar totalmente alguém (isso, claro, a medida que você conhece a história do Brasil, América do Sul etc.).
Enquanto escrevo esta resenha, estou na metade do volume 2 do primeiro livro. Começo a acreditar que O Tempo e O Vento entrará para o meu cânone literário.

P.s.: Não ia escrever sobre isso, mas decidi de última hora. Após muitas observações, constatei o problema pessoal que tenho com literatura nacional clássica. Geralmente são duras, com uma linguagem distante, costumes distantes e personagens irreconhecíveis. Deixe-me explicar algo mais: sempre que leio um Vidas Secas da vida, me sinto lendo um roteiro de novela da Globo.
Entendo que livros devem ser lidos no seus contextos, pois eles contam a história de seu tempo. Mas um livro se tornar um clássico não significa que ele ultrapassou o próprio tempo?
Há 137 anos de diferença entre esta resenha e a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, entretanto me parece que foi escrito em outro idioma. É uma linguagem que não me reconheço nela, com personagens que parecem de outro tempo, óbvio, mas também de outro país.
A solução? O que há de fazer? Nada. Não devemos ficar alterando obras ao bel prazer, mas precisamos reconhecer esta distância que vai além do tempo sobre a literatura clássica nacional.
Felizmente, em O Tempo e o Vento, eu achei a quebra de todos estes paradigmas.

Portanto, iniciei dizendo o que este livro é e acabei dizendo o que ele não é.
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