A Paixão Segundo G.H.

A Paixão Segundo G.H. Clarice Lispector




Resenhas - A Paixão Segundo G.H.


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Lima Neto 29/01/2017

livro enigmático
de todos os livros que já li ao longo de minha vida, "A paixão segundo G.H." é, sem dúvida, o mais enigmático e posso dizer que "aquele que menos entendi".
o livro é uma grande metáfora, uma obra que precisa ser lida com muita paciência, palavra a palavra, pois quebra todos os padrões da "literatura convencional", o que faz com que muitos leitores (eu inclusive) não o entenda bulhufas numa primeira leitura, mesmo por que exige de nós certo desprendimento, certa compreensão e uma dose extra de paciência até conseguir se acostumar com a forma e entrar na história.
o roteiro e o andamento narrativo são dispersos, sendo a obra um verdadeiro monólogo, um grande fluxo de consciência em que o narrador expõe seus pensamentos e a si mesmo, o que torna a leitura extremamente rica e reflexiva.
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Gabriel 09/06/2013

Profundo desespero e crise existencial.
Bom,na verdade não sei se sou apto a escrever uma resenha sobre este livro,tamanha é sua grandeza de reflexões.
O livro começa quando G.H,o personagem principal do livro,decide fazer uma limpeza no quartinho de sua ex-empregada.
Entre ações e outras, ela depara-se com uma barata e,pelo susto e nojo,decide matá-la.
Entrementes,todas as suas ações anteriores levam-na a se questionar do Por Quê de suas ações, seus resultados, suas escolhas,suas experiências e suas consequências.
Basicamente o livro aborda sobre quase tudo! Pois Clarisse Lispector consegue abordar vários temas diferentes apenas observando a barata morta.Até mesmo uma abordagem religiosa.
Recomendo o livro pra quem nunca leu nada de Clarisse, e também para quem gosta de ler algumas "Esquisitices",pois seu clímax e final realmente surpreendem.
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Juliano Rossin 07/10/2009

Não existe sinônimo para Clarice. Clarice é Clarice e ponto.
A paixão segundo GH não é um livro fácil de se ler (me fez lembrar de Virginia Woolf). As vezes a leitura flui bem com todo seu significado e sua complexidade, e as vezes os pensamentos confusos da persongem confundem a gente tb e é aí que a coisa toda não fica fácil. Mas o mínimo que se consegue sorver do livro ja é o bastante pra se ter grande significado e mudar muita coisa na vida da gente. E é por isso que vale a pena, mesmo sabendo que daqui a algum tempo vou ter que relê-lo para encontrar novos significados.
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Hildeberto 18/02/2016

"A Paixão Segundo G.H." não é um livro fácil.

Talvez não devesse se considerado uma obra de ficção, mas um ensaio filosófico. Pois não há uma estória, apenas diversas reflexão de G.H. sobre a vida.

A mensagem principal é que nós, seres humanos, perdemos o contato direto com a realidade do universo. Que, a partir do nosso processo de socialização, criamos camadas que nos prende. Deixamos de viver o agora, de sentirmos o contato direto com as coisas. Apenas quando nos libertamos dessas "camadas" de humanização encontraríamos a verdadeira felicidade, o verdadeiro amor.

É um livro que me ajudou bastante a refletir sobre aspectos da minha vida, e que em certo sentido me trouxe paz. O ponto negativo é que Clarice Lispector por vezes divaga de mais e desnecessariamente. Mas é um livro essencial para quem quer viajar para dentro de si mesmo.
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Rafaela 24/01/2018

Frases que me marcaram
"A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe."
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Perolitzzz 23/03/2018

Uma pancada
É o Livro mais lido, relido, explorado, degustado e ruminado que tenho. Ler este livro, me traz sempre a mesma sensação de que estou me deparando com a minha própria estranheza, com o que ligeiramente brota lá das minhas entranhas num espaço de tempo onde só é possível saber que aquilo existe mas sem ter tempo de lhe perguntar seu nome, de onde vem, o que quer. Não consigo nem saber se é real.
Se alguém precisa entender o que é um livro visceral, leia este aqui.
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Eduarda 13/06/2018

Curioso e visceral
Ao ficar sem a empregada, uma mulher identificada como G.H. resolve fazer uma faxina na casa. Começando pelo quarto de serviço, essa dona de casa da burguesia se depara com a estranheza de um local que foi modificado por aquela que o ocupava. Ela percebe que não conhecia de fato aquele canto de sua própria casa e é no confronto – pois podemos assim chamar – com uma barata, que irá refletir sobre as percepções que tem sobre a vida, a morte, o ser humano e a paixão.

Em A Paixão Segundo G.H. encaramos um cenário muito diferente do que nos traz, por exemplo, a Macabéa (de A Hora da Estrela). Ao contrário daquela, G.H. é uma mulher que vive no conforto e está acostumada a certas mordomias. Além disso, a história nos é apresentada na estrutura de fluxo de consciência.

Clarice não se prende a reflexões rasas ou mesmo a um sentido. G.H. vê e se assusta com um inseto que até então é asqueroso para ela. Temos acesso a toda e cada sensação que acomete a personagem ao encarar uma “antiga” inimiga. Tudo se intensifica ainda mais quando a mulher decide matá-la. E o choque vem quando do alto de sua contemplação e de seus devaneios, G.H. decide provar do caldo branco liberado pelo bicho.
A Paixão Segundo G.H. parece simplista num primeiro olhar, por apresentar meramente o cotidiano banal. E de certa forma é isso mesmo... a vida como ela é: bagunçada, confusa, curiosa e visceral.

site: http://cafeidilico.com/blog/2018/06/a-paixao-segundo-g-h-clarice-lispector.html
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Marília 21/01/2016

Conheci G.H. E gostei.
O livro se passa em torno de uma mulher, em um quarto, com uma barata. Dessa aparente simplicidade, somos testemunhas de um momento de epifania na vida de G.H., que começa a rever todos seus sentimentos, suas experiências, seus temores… Cada frase é uma bomba. E eu tinha medo disso. Leia mais da minha resenha no meu blog!

site: https://livrosflorindo.wordpress.com/2015/12/02/conheci-g-h-e-gostei/
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Henrique 24/05/2015

resenha completa:
https://www.youtube.com/watch?v=6F9MxBhyu9M

confiram! ;)
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Juca 25/03/2011

A paixão segundo Clarice.
Esse livro mostra o lado mais forte e intenso da escrita de Clarice. As pessoas insistem em dizer que ele não tem uma ordem, mas eu discordo. Há uma ordem, tanto cronológica quanto emocional, mostra a decadência de um ser vivente (um ser vivo em essência, ou seja a essência da personagem G.H.)na qual se sai da rotina de uma vida de conforto, pra se cair num deserto de perdição. Na origem da vida, na origem de tudo, onde a massa de uma barata, e a mesma da sua boca, tudo se torna matéria viva, "matéria neutra". E a personagem cai. E conhece o lado mais obscuro da vida, o lado onde não há compaixão nem por si próprio, o lado do pecado, da perdição. E ela descobre que tudo isso gera uma alegria, uma alegra neutra, como viver. O livro é uma viagem pelos sentimentos de Clarice, e ela expõe tudo de uma forma crua, muitas vezes não literariamente bonita, mas é cru, é insosso, é puro, por isso se torna tão forte.
E é lindo, como é lindo! Porque Clarice fala de amor. Esse amor vem de uma forma tão forte e pura, que representa o tanto de amor que Clarice sentia. Eis um trecho que me toca bastante:
A paixão segundo G.H, pg. 18, 3º parágrafo:
"Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão. Ou pelo menos no começo, só no começo. Logo que puder dispensá-la irei sozinha. Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consigo inventar teu rosto, e teus olhos, e tua boca. Mas embora decepada esta mão não me assusta. A invenção dela me vem de tal ideia de amor, como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que se não vejo, é por incapacidade de amar mais. Não estou á altura de imaginar uma pessoa inteira, porque não sou uma pessoa inteira."
E são divagações, ora em pensamentos, ora em atitudes, que tornam o livro um suspiro de vida e de amor.
Na minha humilde opinião, é a grande obra de Clarice.
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Kelly 02/07/2015

Eu tinha certo receio de Clarice Lipector por ter lido "Felicidade clandestina" por obrigação para o vestibular. Penso que naquela ocasião, eu não estava preparada para Clarice. Não só no aspecto da idade, pois eu já era até bem "velha", rsrs, mas também por não estar com a alma pronta, no momento correto, nem com a expectativa certa. Então resolvi pegar novamente Clarice, agora com "A paixão segundo G. H", que ouvi dizer ser uma das suas obras primas. Ainda bem que fiz isso. Diria que foi uma das melhores reconciliações da minha vida. "A paixão segundo G.H" para mim foi uma experiência sensorial, filosófica e literária. A história seria banal, se não fosse a escrita de Clarice, e não fosse o mergulho que ela nos faz dar na alma de G.H.
G. H. é uma mulher, aparentemente rica, eu a percebi até meio esnobe. Essa mulher está numa fase e num dia de especial reflexão sobre sua vida, seu mundo, sobre como ela se mostra para os outros, etc. Então, ela resolve fazer uma faxina na sua casa, começando pelo quarto da empregada que foi embora. Chegando lá, ela se depara com um local totalmente diferente do que ela imaginava. Ela pensava que aquele quarto ia ser escuro, sujo, entulhado, e o que ela vê é uma limpeza, um cuidado que ela não imaginava. Nesse momento ela encontra o outro, o desconhecido, aquilo que ela sempre procurou manter distante. E essa qualidade, essa clareza, essa limpeza e brilho do outro a chocam de uma maneira que faz desabrochar uma verdadeira torrente de pensamentos. Principalmente ao ver na parede do quarto um desenho mal feito, onde ela se enxerga a si mesma através do olhar daquele mesmo outro que ela desconhecia. A partir daí ela começa a pensar em como esse desconhecido a vê, em como ela construiu sua aparência para os outros. E ao abrir o guarda roupa ela encontra uma barata. G. H., como muitas mulheres tem pânico de baratas. Eu não tenho nenhum problema com baratas, então nesse sentido foi super tranquilo pra mim... hehe.
A partir desse encontro com a barata que ela esmaga na porta, ela começa a descrever a morte do bicho muito detalhadamente, e essa morte e a própria vida anterior da barata a levam a fazer reflexões muito cruas e puras sobre toda sua vida. Sobre morte, Deus, amor, rejeição, perda. E é um desespero. Por vezes eu me sentia como sendo puxada. G. H nos convida a dar a mão a ela para que ela possa seguir esse caminho. E nesse "dar a mão" eu me senti sendo puxada e levada por uma maré poderosa, muito além da linguagem. É uma cena muito rápida, muito banal, mas que G. H. transforma numa revelação. Ali ela pensa no que é Deus, no que é sua vida, no que é seu corpo, no que são os outros, no amor, enfim.
Acredito que a "paixão" se deva ao fato dessa revelação ser um tão desesperado encontro com aquilo que mais nos define, que mais nos faz mal, que mais nos assusta, e que pode ser chamado de paixão. Afinal o que é paixão senão isso, o encontro com o limite entre o humano e o divino, entre a vida e a não vida...?
Foi uma experiëncia! Não serei capaz de falar em tons acadêmicos sobre o texto. Posso falar sobre o que eu senti. Posso dizer que G. H. me puxou pra dentro de si, e que ela me mudou, pois muitas das reflexões dela eram também as minhas. A conclusão é uma desesperança, uma não chegada a lugar nenhum, e algumas descobertas. E no fundo, um certo alívio por podermos voltar a vida cotidiana, e fugir desse encontro com o nosso eu, que nos persegue e nos aterroriza. Um livro para reler muitas vezes.
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Renata 24/07/2016

Segurando a mão de G.H.
A delicadeza de Clarice é inexplicável e incomparável. Ao lermos sobre um assunto tão complexo e profundo quanto a natureza do ser, não é surpreendente sentirmo-nos desprotegidos e com medo de chegarmos à essência de nós mesmos e da vida, mas é preciso ter coragem e pegar na mão de G.H., entendendo finalmente que há coisas além da compreensão humana.

É preciso ler com atenção e indiferentemente, aberto a todos os caminhos pelos quais a mão guia de Lispector nos leva, sem recear onde chegaremos. É preciso deixar a sensibilidade de lado, bem como a vida como a conhecemos até o momento, pois vamos a um lugar muito mais profundo, no qual somos nada mais do que uma barata no auge da vida e da morte. É preciso se render, é preciso ler com calma e sem medo de entender frases tão profundas, e é preciso reler diversas partes para que elas finalmente fixem-se em nós e nos revelem mais uma peça para um quebra-cabeça tão infinitamente ínfimo quanto nós mesmos. Mais do que tudo, é preciso desprender-se da terceira perna, à qual somos tão apegados e da qual supomos ser dependentes, mas que não passa de uma falsa ideia de sustentação e equilíbrio. É preciso largar conformismos e a segurança da vida cotidiana, é preciso ter coragem e vontade, é preciso SER.

"A paixão segundo G.H." é leitura complicada sim, não pelo seu vocabulário, mas pela sua intensidade. Não é um passatempo nem um livro para distrações, e se lido de tal forma, provavelmente será incompreensível e enfadonho. É preciso pegar na mão de Clarice sem hesitar e caminhar às cegas até aquilo que G.H. chama de paixão, para que finalmente sejamos capazes de compreendê-la.
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Queila 14/10/2016

CLARICE, TU É DOIDA MULHER?
Vou te falar, iniciei a leitura sem muita pretenção, mas esperando mesmo que a leitura fosse complicada, porque Clarice - pra mim - sempre foi complicada, aquele papo de que a "A hora da Estrela" era um clássico, leitura obrigatória, nunca foi muito sério pra mim porque não tive aquele Crush que todo mundo que leu teve (desculpa galera), tentei "Perto do coração selvagem" uma vez, e digamos que não rolou, abandonei sem entender nada do que estava lendo (Pode me chamar de burra), daí fomos para "Laços de Família" que se me lembro bem, era um livro de contos e que vejam só... não entendi nada de novo, e deixei lá abandonado pela metade (Metas em aberto para voltar com fé e ler novamente).
Mas esse aí "Paixão segundo G.H" comprei porque a edição era TOP, as frases de capa me chamaram a atenção, e porque desde a adolescência Clarice Lispector era a mulher que eu menos entendi na vida, então era questão de honra!
Iniciei leitura, e não se surpreenda por eu não ter passado da página 100 - SIM, de novo Clarice me venceu... abandonei o livro, talvez por falta de paciência de entender a escrita "falada", desconexa e poética da fofa! Mas coloquei lá na meta de leitura do Skoob de 2016, e voltei do início pro G.H que como a Tati Feltrin, eu também achava que era um personagem masculino - erroneamente.
Depois de finalmente vencer Clarice, e ler e achar que eu entendi o que "Paixão segundo G.H" é, ainda estou pensando se a conclusão que tirei, é a conclusão que é. Por que "a coisa" que é esse livro, não tem nome e definição, não é o amor neutro que ela tentou me explicar, não sei, fiquei confusa. (Esse não é um trecho do livro, mas poderia ser, por que é nesse nível aí!)

Logo na introdução, a Clarice tão meiga e excêntrica já deixa um aviso de que só "Pessoas formadas" deveria ler esse livro aí.
Ok - descobri que ainda não sou uma pessoa formada, porque fiquei/ainda estou digerindo o livro, e o conceito e o objetivo dele existir, fiquei com a sensação de que ela falou - falou, e não saí com nada do que me foi dito, tipo Error 404 do windows, em que não consigo nenhuma conexão com o servidor. HAHAHA

Foi como assistir Matrix pela 30ª vez, e não entender nada novamente, mesmo entendendo o conceito e não aceitando muito bem.
Mas acho que ideia é essa mesmo, fazer você pensar e querer entender a humanização, o objetivo de existimos, ela defende toda uma ideia "religiosa" do deus e seu objetivo de criação, que eu particularmente não concordo porque vai contra o que acredito e tenho por fé, e Deus e amor divino. Mas o discurso dela sobre a existência humana - e posso estar falando uma grande besteira aqui - me lembra um pouco do existencialismo de Sartre, quando ela defende que sua existência não tem um propósito divino, e que ela existe pra encontrar dentro de sí mesmo o propósito. (Bem esquisito!)
O google me disse que a religião da Clarice era Judaica, e sim, nesse livro era usa muito como referência personagens e trechos da bíblia, mas... ela meio que questiona muito, sobre o contexto, e algumas doutrinas. As vezes até ironiza.
Mas ok, segue a vida Clarice, continue buscando seu interior assim mesmo. Neste assunto sim, eu sou uma pessoa formada. (ao meu ver)

No fim de todo esse discurso, eu recomendo o livro. Por que preciso de mais alguém pra discutir sobre ele comigo... por que é tão intenso, e tão reflexivo que preciso discutir sobre ele!!

Darei mais uma chance para que Clarice me explique um dia, talvez quando eu enfim achar que realmente sou uma "Pessoa formada" no sentido de entender o outro e as questões do outro, eu releia, por enquanto, fico aqui achando que a Clarice perdeu alguns miolos nessa busca.
Ayla Cedraz 28/11/2016minha estante
Queila, adorei o jeito que você falou. Tenho uma história com os livros de Clarice, e agora estou em A Paixão Segundo G.H. Quando terminar, acho que voltarei aqui para discuti-lo!


Queila 29/11/2016minha estante
:) Por favor Ayla, volte, ainda não consegui engolir essa história, ela ainda está aqui na minha mente, batendo e batendo. Não tenho com quem dividir minhas inúmeras interrogações. hahaha Boa leitura!


Ayla Cedraz 02/12/2016minha estante
Acho que a dificuldade em ler Clarice está no fato de que ela não escreve, ou pouco o faz, descrevendo fatos; ela descreve sentimentos. E soa estranho. Por isso mesmo, tudo me leva a crer que, quanto mais eu envelhecer, melhor me verei em seus livros. Já me vejo em breves passagens. E fico emocionada. Há pouco tempo li a biografia de Clarice, e te recomendo; talvez depois dessa leitura, você se sinta mais íntima dos livros dela. Verá também que o objetivo de Clarice era justamente esse, onde travamos: atravessar a linguagem. Acho que estamos muito apegados aos significados comuns das palavras e, em seus livros, Clarice dá novos significados às coisas que, penso e espero, só vivendo para se dar conta. Dos livros dela que li, foi em A Paixão Segundo G.H. que mais vi menção a Deus. Talvez descobrir o significado que ela dá a "Deus" seja a chave para chegar perto desse livro... Outra coisa que faço, em livros densos como os dela: sublinho as passagens que mais sinto o toque, e vez ou outra escrevo um pensamento do lado. Ajuda. Na aproximação. É comum mesmo ler uma página e pensar: "oi?" rs. Mas é legal voltar uns anos depois. É uma outra página. É uma outra pessoa.


Queila 06/12/2016minha estante
"É comum mesmo ler uma página e pensar: "oi?" rs. Mas é legal voltar uns anos depois. É uma outra página. É uma outra pessoa." É realmente isto, talvez um dia eu volte e entenda perfeitamente tudo o que G.H realmente quis dizer. Caberia uma nova leitura, mas não sei se agora é o momento, talvez ainda não tenha vivido o necessário pra entender todos os infinitos significados que este livro carrega consigo e que eu compreendi se quer 5%. Anotei a recomendação, e apesar de já ter pego a biografia dela varias vezes na livraria, e largado lá só pela impressão que A Paixão segundo G.H me deixou. Depois da sua opinião, que muito me fez ver alguns pontos que deixei de lado na minha resenha, vou encarar a biografia, e mais tarde A hora da Estrela novamente, e vamos convivendo com essa literatura que me dá essa missão de atravessar a linguagem. Obrigada Ayla! Estou me sentindo mais leve hahaha


Fernanda.Melo 27/01/2018minha estante
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Gabriell 13/02/2019minha estante
Mulheres, me digam que releram esse livro e entenderam. Pq eu tô mega perdido. Tive um senhor bug depois dá página 100.




Bia 20/04/2016

A Paixão Segundo G.H. de Clarice Lispector
"Sei que se eu abandonar o que foi uma vida toda organizada pela esperança, sei que abandonar tudo isso em prol dessa coisa ampla que é estar vivo abandonar tudo isso dói como separar-se de um filho ainda não nascido. A esperança é um filho não nascido, só prometido, e isso machuca."

A Paixão Segundo G.H traz preciosidade em cada frase, a escrita extremamente sensível e poética de Clarice é capaz de nos emergir a tal ponto que a experiência descrita no livro é facilmente sentida pelo leitor.

A visão de um ser vivo ancestral, e repugnante para a maioria, desencadeia na personagem principal uma torrente de questionamentos. A vida, o mundo, o tempo, a essência, o princípio, as esperanças, as decepções e uma série de outros temas e sentimentos são abordados através do pensamento incessante de G.H.

Ao desvendar o labirinto que é sua mente, a personagem mostra que as convicções assumidas por nós durante uma vida inteira podem ser na verdade prisões que construímos para nos defender e, apesar de ser um processo doloroso e perigoso para a sanidade, livrar-se delas é possível.
Lucas 20/04/2016minha estante
parece um livro instigante.


Lucas 20/04/2016minha estante
Bom texto Bea, conclusão incrível! :)




Tarsila 11/05/2011

Sensacional!!!
Clarice Lispector, com um enredo simples, constrói um livro genial. G.H. (não sabemos o nome, apenas as iniciais dela) é uma escultora que sente prazer em arrumar a casa e tem horror a baratas.
Ela narra o que lhe aconteceu no dia anterior, quando decide arrumar a casa começando pelo quarto da empregada que se demitiu. Esperando que estivesse imundo, surpreende-se ao encontrar ordem e limpeza no cômodo. Mas há um desenho de um homem, uma mulher e um cachorro na parede. E quando ela abre o armário, tem uma barata lá.

“O quarto divergia tanto do resto do apartamento que para entrar nele era como se eu antes tivesse saído de minha casa e batido a porta. O quarto era o oposto do que eu criara em minha casa, o oposto da suave beleza que resultara de meu talento de arrumar, de meu talento de viver, o oposto de minha ironia serena, de minha doce e isenta ironia: era uma violentação das minhas aspas, das aspas que faziam de mim uma citação de mim. O quarto era o retrato de um estômago vazio.”
O que o desenho e a barata despertam em G.H. que é fantástico. A mulher simplesmente começa a perder sua “organização humana” e a se encontrar com “o neutro da vida”. Ela deixa de ser a G.H. que aprendeu a ser, aquela que era até nas iniciais das valises e encontra-se com o deserto, com o nada, descobre-o vivo e úmido. Curioso que durante sua desintegração ela começe a desejar que o telefone ou a campainha toque, para que ela possa se libertar de seu estado, como se pela própria vontade não fosse possível.
Tudo que acontece na história é dentro de G.H., passamos o livro inteiro no seu relato sobre o que viveu naquele quarto, em como perdeu sua identidade. Detalhe: Ela só abre a porta do quarto na página 36. Antes disso é só ela adiando o momento de falar. Conheço pessoas que desistiram do livro antes disso, ou seja, não chegaram nem aos fatos.


“Será preciso coragem para fazer o que vou fazer: dizer. E me arriscar à enorme surpresa que sentirei com a pobreza da coisa dita. Mal a direi, e terei que acrescentar: não é isso, não é isso! Mas é preciso também não ter medo do ridículo, que sempre preferi o menos ao mais por medo também do ridículo: é que há também o dilaceramento do pudor. Adio a hora de me falar. Por medo?
E porque não tenho uma palavra a dizer.
Não tenho uma palavra a dizer. Por que não me calo, então? Mas se eu não forçar a palavra a mudez me engolfará para sempre em ondas. A palavra e a forma serão a tábua onde boiarei sobre vagalhões de mudez.”


No começo da história G.H. diz que fará o relato porque “não pode ficar com o que viveu” e se sentindo perdida imagina alguém que lhe dá a mão. É a esse alguém, a quem chama de amor, que por vezes se dirige.


“- Entende, morrer eu sabia de antemão e morrer ainda não me exigia. Mas o que eu nunca havia experimentado era o choque com o momento chamado “já”. Hoje me exige hoje mesmo. Nunca antes soubera que a hora de viver também não tem palavra. A hora de viver, meu amor, estava sendo tão já que eu encostava a boca na matéria da vida. A hora de viver é um ininterrupto lento rangido de portas que se abrem continuamente de par em ar. Dois portões se abriam e nunca tinham parado de se abrir. Mas abriam-se continuamente para – para o nada?
A hora de viver é tão infernalmente inexpressiva que é o nada. Aquilo que eu chamava de “nada” era no entanto tão colado a mim que me era... eu? E portanto se tornava invisível como eu me era invisível, e tornava-se o nada. As portas como sempre continuavam a se abrir.
Finalmente, meu amor, sucumbi. E tornou-se um agora.”
A frase final dos capítulos são as mesmas que começam o seguinte, dando uma sensação de continuidade. Parece que Clarice só dividiu o livro porque sabia que seus leitores precisariam respirar.

Li esse livro sentindo muito. Sentindo-o em toda a sua intensidade. Por isso o livro me arrepiava e enjoava (quem leu o livro sabe do que estou falando). Por isso foi uma leitura exaustiva, na qual me demorei muito. O livro é bem fino, mas eu passava eternidades lendo e quando via só se passava algumas poucas páginas.
Clarice tem uma linguagem fantástica, e usa de metáforas e símiles riquíssimas. Além de ser constantemente paradoxal. E nos surpreender sempre. Pois ela fala de algo que não tem nome, e parece que se desespera na tentativa de achar esse nome. Nisso ela acaba que dando novos significados às palavras. O que ela chama de amor, de esperança, de nada, de dor. Tudo ganha o sentido que ela desejar.


“E a mim – quem me quereria hoje? quem já ficara tão mudo quanto eu? quem, como eu, estava chamando o medo de amor? e querer, de amor? e precisar, de amor?
(...)
De agora em diante eu poderia chamar qualquer coisa pelo nome que eu inventasse: no quarto seco se podia, pois qualquer nome serviria, já que nenhum serviria. Dentro dos sons secos de abóboda tudo podia ser chamado de qualquer coisa porque qualquer coisa se transmutaria na mesma mudez vibrante. A natureza muito maior da barata fazia com que qualquer coisa, ali entrando – nome ou pessoa – perdesse a falsa transcendência. Tanto que eu via apenas e exatamente o vômito branco de seu corpo: eu só via fatos e coisas. Sabia que estava no irredutível, embora ignorasse qual é o irredutível.”


Alguns podem achar exaustivo demais, filosófico demais... Eu digo que é completamente genial. Se não fosse tão intenso, não seria Clarice.
É perceptível como fiquei imensamente apaixonada pelo livro A Paixão Segundo G.H. Com certeza está na lista de favoritos. E os meus trechos favoritos são todos os que compõem o livro, foi um martírio selecionar alguns.

http://desaliene.blogspot.com/2011/05/paixao-segundo-g-h.html
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