Dom Casmurro

Dom Casmurro Machado de Assis...




Resenhas - Dom Casmurro


883 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Rosa Santana 25/05/2011

Não é Capitu que trai. É Bentinho!!!

Só mesmo um escritor com toda a genialidade de Machado de Assis poderia ter criado esse que é um dos maiores enigmas da nossa literatura. Por traz do narrador casmurro ele manipula o leitor. O que Bentinho conta? A história de Capitu? É o que ele quer dar a parecer: a história de Capitu e sua traição. Mas o livro se chama "Dom Casmurro", referindo-se a ele próprio como sendo o desprezado e excluído da boa convivência, quando, na verdade, ele é que despreza as pessoas e delas se isola. Aí o perfeito jogo: ele, o fidalgo (Dom), é que se afasta das pessoas; que se dá a conhecer apenas superficialmente, pois não se aprofunda nas relações; o que se desliga de tudo; o que quer se fazer de coitado para ganhar a piedade dos leitor. Aí a traição de Bentinho. Ele trai o leitor.

Mas essa traição - como todas, é lógico - é escamoteada por seu jogo retórico: o reprimido, o recalcado Bentinho dá-nos a ver suas "desconfianças" (aparência) - que nem precisam de provas - acerca do comportamento de Capitu. Ora, o romântico e imaturo personagem, de índole sonhadora que é hábil em encobrir seus próprios sentimentos até mesmo da própria figura respeitada da mãe, inventa ardilosamente... E só lendo nas entrelinhas para descobrir os ardis do narrador (a essência).

Assim é Bentinho: um personagem romântico que contempla as estrelas (cap. CVI); um narrador "realista" que nos engana mostrando-nos uma Capitu habilidosa, sutil e prática, que calcula os objetivos a atingir, mas esconde essas características - que tb são as dele - ao traçar o próprio perfil. E mais: ele enfatiza a veracidade e objetividade do que está narrando. Mentira dele! Ele não pode ser imparcial, visto situar-se como protagonista do que conta, sendo subjetivo, claro; e parcial, evidente!

Assim é que Bento (a ironia do nome!) trai o leitor desavisado, aquele que se fia nele, que fica no raso (ah! os leitores do Coelho!) através do perfeito jogo retórico em que o engendra.

Mas há um outro leitor - aquele que o desmascara. Desse o narrador não obtém a solidariedade e ele fica cada vez mais solitário, mais casmurro, mais desprezado!

Esse o enigma maior! Penso que, armando-o, para implantar a dúvida no leitor, Machado, com toda a sua habilidade narrativa, mostra-nos que o mundo das aparências é uma máscara que encobre o da essência: o ser humano é frágil e contraditório. É esse o drama da condição humana: as verdades (?) são frágeis; a natureza humana, também.

.
Luiza Machado 17/12/2009minha estante
Adorei sua resenha. :)


SrtaPlens 09/03/2011minha estante
Bem elaborada, ainda bem que li sua resenha antes de ler o livro. Ele é mesmo um CHATO o Bentinho. Merece ser desprezado ò.ó


Rosa Santana 25/05/2011minha estante
SrtaPlens, mas o livro vale a leitura. É muito bem construído e muito interessante. Não deixe de ler, por causa da resenha. Depois que terminar, me diz o que achou. Talvez vc nem concorde com o meu pensamento...


Taiana 29/05/2011minha estante
Que pensamento mais profundo! Já me deixo influenciar por estes conceitos antes mesmo de ler a obra.(=


Mari 25/07/2011minha estante
Essa obra mostra como Machado de Assis foi um gênio da literatura. Muito bem construído mesmo!


Scarllet 01/12/2011minha estante
Incrível sua resenha!


Matt 11/02/2012minha estante
Esse livro é ótimo! Os personagens tem muito carisma.


Katia 21/02/2012minha estante
Muita boa sua resenha!!! O livro é incrivel.


Júlia Emília 12/03/2012minha estante
livro incrível e perfeito! otima resenha


Eliana 31/03/2012minha estante
Rosa,amei sua resenha! Quão profunda e sensível sua análise a cerca desses personagens dessa história ao mewsmo tempo incrivel e tão real. São duas faces da mesma moeda. Todos nós temos nossos segredos escondidos n'alma e no palco da vida criamos vários personagens de acordo com as nossas necessidades momentâneas.
Só um gênio como Machado de Assis para nos levar nessa viagem da essência humana!


Karla 12/06/2012minha estante
Muito boa essa sua resenha,excelente analise a sua.Assim como o livro é de delirar,prende-nos a atenção.Enfim,o ser humano é frágil.Bela resenha!


Vittiez 30/06/2012minha estante
MUITO LEGAL VOCE COLOCAR NA PRIMEIRA LINHA O MAIOR SPOILER DO LIVRO.

AÍ O CARA QUE ENTRA SÓ PRA FALAR QUE TÁ LENDO O LIVRO JÁ BATE O OLHO E PERDE TODA A GRAÇA.


Lara 26/08/2012minha estante
verdade, eu estava lendo o livro, mas foi olhar a resenha pra tudo perder a graça '-'


Rosa Santana 26/08/2012minha estante
Lara, e porque alguém que está lendo um livro interrompe a leitura para ficar lendo resenha sobre ele? No mínimo esse comportamento me parece estranho...
Agora, se vocês, Lara e Vittiez, leram bem a resenha, a traição de que falo nela não se refere ao triângulo amoroso(?), de que desconfia o narrador, Bentinho. Ela se refere, sim, a uma traição em uma outra esfera: no plano da narrativa, não no da história, como vocês lamentam...
Pode ser que isso lhes tenha escapado.


Karina 28/08/2012minha estante
Sua resenha está perfeita. Concordo totalmente com o que escreveu acima. Esse livro é fascinante devido a genialidade do Machado de Assis, que foi e sempre será, na minha humilde opinião, o melhor escrito que já nasceu em terras brasileiras


Lari 02/10/2012minha estante
Concordo plenamnte!
Fica evidente no livro que Capitu traiu Bentinho, mas se o leitor prestar bem atenção em alguns detalhes perceberá que não houve traição.


Marcelo 22/11/2012minha estante
Concordo que a traição ou não de Capitu é a parte menos importante do livro. O que Machado busca realmente caracterizar (pelo próprio título da obra) é uma personalidade infeliz, ranheta, voltada para si mesmo e que, por ser incapaz de amar, torna-se acabrunhado. A dúvida do personagem em relação à traição de Capitu (questão sem resposta) busca pintar com cores lúgubres uma mente doentia.


Vismael 19/04/2013minha estante
Só uma pergunta:
"Ah, os leitores do Coelho".

Qual o problema? Porquê as pessoas "intelectuais" e os "entendedores" fazem questão de demonstrar ódio gratuito ao Paulo Coelho? Já li dois livros dele e são sim mais simples e diretos, mas e daí? Todo livro tem que ser difícil, cheios de metáforas e mensagens subentendidas?

Acho muito bom q leiam também "o Coelho" como você diz ironicamente. Dom Casmurro é legal, e tem a coisa da traição ou não (e é uma tremenda bobagem ficar discutindo isso, pq claramente não há uma resposta final) e só.
Sejamos realistas, NADA acontece em 85% do livro, só bla bla bla. Mas a maneira que o Machado conversa com o leitor é bem legal e diferente.


Rosa Santana 19/04/2013minha estante
Vismael, eu disse "os leitores do Coelho" ou seja, aqueles leitores que pararam nele. Como professora de literatura, sei que tem muitos e muitos que ficaram por aí, não amadureceram como leitores, entendeu? Eu me referi a esses, aos que, segundo pesquisa da UNB, não são capazes de ler uma página e entender o que leem. Não se sinta ofendido, não foi essa a minha intenção.
Você alude ao trecho: "Assim é que Bento (a ironia do nome!) trai o leitor desavisado, aquele que se fia nele, que fica no raso (ah! os leitores do Coelho!) através do perfeito jogo retórico em que o engendra." Veja bem, o verbo FICAR denota um estado de quem não o tinha, o atingiu e ali permaneceu. É desses leitores que eu falo!!!


Douglas 06/07/2013minha estante
Adorei a resenha. Só acho que sua descoberta prejudica quem não leu o livro, pra tentar descobrir sozinho quem é o traidor. Deveria ter sinalizado spoiler.


Marina 02/08/2013minha estante
Adorei sua resenha. Mas como uns disseram não se sabe ao certo o que de fato é o final. Mas mesmo assim gostei da sua hipótese sobre a traição. Parabéns! :)


Yasmine 10/08/2013minha estante
Francamente! Dom Casmurro é um livro para ser lido infinitas vezes.


Tanny 12/09/2013minha estante
esse livro realmente é uma obra prima perfeito! o melhor livro de todos os tempos!!!


Camila 09/11/2013minha estante
Excelente resenha!


Érick Ramos 20/11/2013minha estante
Estou lendo o livro e achando bastante interessante! Muito bom!


kellytchya 15/01/2014minha estante
Uau!!! garota, garota vc arrasou com essa resenha, é perfeita, parabéns!!!


Marcos Martins 12/04/2014minha estante
fantástico comentário, acho inclusive que por todo o livro compartilhei dele sem nunca tê-lo lido (o comentário). Ao amigo abaixo, Eduardo Azzolin ela não deu nenhum Spoiler, ela te deu um ponto de vista...


Gabi 18/04/2014minha estante
Não sei aonde esse Eduardo Azzolin encontrou spoiler nesse texto. E não sei aonde ele encontrou o direito pra chamar ela de idiota ;)


Dana 24/04/2014minha estante
Seu ponto de vista é fantástico, eu nunca tinha pensado nisso.... Se ponto de vista é sem palavras!!! AMEI, AMEI


Dana 24/04/2014minha estante
Seu ponto de vista é fantástico, eu nunca tinha pensado nisso.... Se ponto de vista é sem palavras!!! AMEI, AMEI
Mais é claro... Tudo faz sentido agora, o fato do filho dele se parecer com Escobar não muda nada, pois ele mesmo diz que eram muito parecidos quando criança


Rosa Santana 24/04/2014minha estante
Eduardo Azzolin, spoiler conta parte do texto; opinião de resenhista, é OPINIÃO DO RESENHISTA, é um ponto de vista que ele/a teve, ao ler o livro.
Agora, não é nada educado da sua parte chamar os outros de idiotas, né?


Fábio 29/04/2014minha estante
SPOILER
...
...
...
"Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. [...] Uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me"

Pela visão de bentinho, você percebe que Capitu é sim dissimulada, e calculista sempre com segundas intenções. Escobar também não é tão amigo quanto aparenta ser.

Vamos aos fatos, Betinho é um personagem fraco, sem opinião própria, criado como filhinho da mamãe. Controlado na adolescência pelas vontades de Capitu. E já adulto, vive nas sombras de Escobar. É tão fraco de opinião que no começo do livro, ele só "percebe" que é apaixonado por Capitu quando escuta o agregado insinuar isso.

A meu ver, Capitu não traiu bentinho. Ele sim traiu ela e o amigo, eu explico. Antes da morte de Escobar, ele sente atração pela esposa do amigo, e logo em seguida vem a morto a morte do amigo, sentisse culpado pelos pensamentos impróprios. Como já disse, penso que ele vivia na sombra de Escobar, e não aguentou a perda do amigo, principalmente depois dos seus pensamentos. Acho eu, que ele surta com essa perca, e seu imaginário, projeta o amigo em seu filho (que quando pequeno gostava de imitar os jeitos dos outros). Para ele, é mais fácil pensar que os dois o traíram, do que ter a coragem de confessar sua própria traição.

Acho que Capitu não o traiu, ela é muito esperta é ardilosa (no ponto de vista do casmurro), mas também o amava. Não seria burra de trair o amor da infância (e sua melhor amiga) logo com o amigo dele.

Hoje, após terminar de ler, conversei com uma amiga sobre o livro, e escrevi minha opinião (essa acima pra ela) e agora ao entrar no skoob, deparei com essa resenha de que gostei muito.


Marcus 15/06/2014minha estante
Até que enfim alguém pra fugir dos clichês daqueles que só ouvem falar desse livro e percebe que a "traição de Capitu" não é o mistério a ser descoberto, como dizem. Muito boa a resenha!


Vanessa 29/06/2014minha estante
A melhor resenha já escrita sobre esse livro.


Limao 14/07/2014minha estante
Gostei muito da resenha, a li duas vezes: a primeira antes de ler o livro e a segunda após ler.
Assim me pareceu ter lido duas coisas diferentes, já que após a leitura do livro passei a ter minhas próprias ideias, e vim aqui conflitá-las com a resenha já lida.
Não costumo comentar, mas precisei, pois achei hilário os comentários abaixo reclamando ser um spoiler kkkkkkkkkk Não é preciso ler o livro para saber que é uma incógnita eterna se houve traição ou não, e que sempre haverão pessoas dizendo que sim, e outras contra. Portanto não importa a opinião do outro, quando é preciso ler para se tirar as próprias conclusões. Sem contar é claro que sua resenha não trata da traição entres os personagens...
Sempre me surpreendo, e repito o que já vem se tornando um clichê aqui: é impressionante, numa comunidade de leitura, a maioria das pessoas não ler as informações.


Edu 08/08/2014minha estante
Não acho que seja primeira necessidade dizer que Capitu traiu ou que não traiu Bento. Muito menos é possível dizer, de forma não literal como está na resenha acima, que Bento traiu o leitor. Todos contam sua história a partir do seu ponto de vista.
Pode-se questionar a honestidade do narrador, mas não exigir que este tenha outro ponto de vista que não o seu.

Sobre esta questão banal, acho que a traição ou não de Capitu foi uma graça de Machado de Assis. Em meio a uma obra marcada pela caracterização de Bento, ele inclui um capricho: uma dúvida eterna.
Não passa disso. E a vida é assim, sem certezas.

Quando terminei de ler o livro pensei: "Como seria bom ler a versão de Capitu". E só isso poderia, de fato, trazer luz a esta questão.

No mais, são suposições.

Rosa Santana fez boas observações, gostei bastante de sua análise. Só achei desnecessário cair no lugar comum de criticar quem lê Paulo Coelho. Não é um escritor brilhante, mas não deixa de ser digno por ter uma linguagem um pouco mais literal, menos dada aos simbolismos e longe de ser rebuscada. Se for o casso de compararmos com Machado de Assis, 90% da literatura mundial é medíocre. Não serve.


Gabriela 13/10/2014minha estante
SPOILER!

Sobre o comentário do "Fabin":

ABSOLUTAMENTE PERFEITA a sua fala!!!

Conseguiu transmitir exatamente a ideia que ainda não tinha conseguido expressar. Obrigada!

Desde o início já trazia em mente essa possibilidade. O fato de Ezequiel ter o hábito de imitar as pessoas próximas pode ter influenciado, nem que seja um pouco, nessa reação de Bentinho. E, por isso, o menino acabou sendo vítima desse "luto".

E, tanto faz sentido essa ideia que, se afirma pelo fato de que a todo momento ele cita a semelhança do menino com Escobar mas quase não cita a suposta traição (aliás, cita sim, mas não com a ênfase característica de um homem traído. E quanto finalmente toca nesse ponto com Capitu, a separação já é certa) e, quanto ao amigo, só é lembrado que ele também o "traiu" no finalzinho do livro ("...a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me...").

Também acredito que Capitu não o traiu, até pq, em toda a narração da infância é explicitado o calculismo de Capitu, e se confrontarmos esse aspecto dela com algumas situações (em relação à semelhança entre Ezequiel e Escobar) anos depois veremos que a relação Capitu criança x Capitu adulta não se sustentaria. Se ela realmente tivesse traído Bentinho, jamais diria ao marido, em pleno jantar, que o filho lembra o outro homem (e meu lado boazinha grita dentro de mim que ela o amava).

Quanto a Escobar, acho sim que ele era um bom amigo.

(E uma pergunta: só eu tive a impressão de que, no início, Escobar tinha algum interesse na mãe de Bentinho? Rs)

Bom, é o que penso. Acho mesmo que Bentinho não conseguiu superar a morte do amigo, mas aceito opiniões opostas porque todas têm fortes argumentos para sustentá-las.

(E também pq ainda não consigo entender se a percepção de Bentinho em relação ao distanciamento que D. Glória toma de Ezequiel tem algum fundamento, ou se foi apenas um impressão equivocada, ou se a mãe realmente sabia de alguma coisa sobre Capitu e Escobar...)

De verdade, terminei o livro tem menos de 2 horas, ainda estou meio anestesiada com toda a história, mas meus primeiros pensamentos e conclusões foram compatíveis com as ideias do "Fabin" e com o que falei acima.


Thatyana 14/12/2014minha estante
Concordo em gênero,número e grau!
Parabéns pela resenha :D


Lord Cachimbus 22/12/2014minha estante
caramba, adorei sua resenha, você aprofundou em um ponto imperceptível da historia, algo que é ocultado do leitor, parabéns mesmo, talvez tenha sido esse o jogo do Machado, ele vem como um ilusionista, atrai nossa atenção para um ponto distante para não percebermos seus truques, ele nos faz voltar os olhos à Capitú e esquecermos de Bentinho.


Nat ☆ 14/01/2015minha estante
Gostaria de dizer primeiramente que amei sua resenha.
E concordo totalmente com os comentários do Fabin e da Gabriela. Eles transmitiram exatamente os meus pensamentos sobre esse livro que acabei de terminar há cerca de 20 minutos e precisei vir aqui correndo ver as opiniões alheias.

Não acho que Capitu traiu Bentinho, tendo em vista que lemos apenas o ponto de vista do próprio Bentinho que deixa bem claro algumas vezes que é ciumento, e bem, o que os olhos não vêem, a mente ciumenta inventa, certo?

Essa é a minha opinião, mas quanto a traição, o grande Machado levou essa resposta junto com ele.

Abraço amigos Xx


Jordan 27/05/2015minha estante
Ótima resenha!


Iris 02/02/2016minha estante
Muito boa a resenha. Confesso que não gostei do personagem se isolar e deixar na inocência de suas suspeitas o menino, que verdadeiramente o tinha como pai. Dom Casmurro mereceu terminar sozinho e rabugento.


Leticia 16/03/2016minha estante
Muito pretenciosa essa "resenha." Você analisa Bentinho como se ele fosse um enganador, mas nas entrelinhas do texto, nota-se que vc mesmo se acha superior demais, uma pessoa inteligentíssima que conseguiu desvendar o mistério (a comparação que faz com os leitores do coelho, haha, isso era mesmo necessário?). Isso só me faz crer que esse mistério realmente não tem solução, e me faz gostar ainda mais do livro. Bentinho podia sim ser um narcisista, mas isso não o impede de estar contando a verdade. A vida raramente é tão preto no branco.


Alves.Ruthinha 22/03/2016minha estante
Este livro dá uma angústia, ele sempre está desconfiado da Capitu e com ciúme doentio pela personagem nos deixa pensar que Capitu é a vilã, esperto esse Bentinho. Adorei a sua resenha, parabéns! Eu li, adoro essa obra de Machado de Assis como outras, e vou ler de novo. Ele nunca esclarece direito quem é a vítima e quem é culpado, acho que depende da imaginação ou do ponto de vista do leitor, deixa um mistério no ar.


Rosa Santana 13/09/2016minha estante
Alves.Rutinha, a boa literatura sempre trabalha com os mistérios.
Quanto mais nos fazem pensar sobre o problema deixado, mas ela se firma como obra de arte!


kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk 11/01/2017minha estante
Desculpe-me mas, por mais que explique..Foi arrogante e preconceituosa. Eu não aprecio Paulo Coelho (meu gosto particular) e o fato nem foi por este autor somente- que fica no raso, segundo suas palavras - mas pelo fato de achar que leitores de Paulo Coelho não poderão entender um Machado de Assis (mesmo que fale dos leitores que "param" no Paulo Coelho, o que acho bem improvável encontrar na vida uma pessoa que nasça, cresça e morra lendo apenas Paulo Coelho). Não tem desculpas. Antes alguém que leia Paulo Coelho diante de nada ler. Nada sabemos da vida, somos muito pequenos. Pena ver preconceitos entre leitores. Objetivo é refletir e não criar confusão. Att.


Rosa Santana 15/02/2017minha estante
Mei, e assim vamos indo: eu criticando os leitores do Coelho, vc me recriminando por criticá-los...
Mas, o melhor de tudo, (sic!), é vc se eximir e me taxar de preconceituosa!!
Ora, ora...

E se vc prefere que deem glória a um charlatão como paulo coelho, isso é com vc...
E, para terminar, transcrevendo do seu comentário: "Não tem desculpas"! Eu as pedi?
Ora, ora...


Bruno.Defaveri 23/03/2017minha estante
Me prendi muito no intuito de saber sobre a traição, que me perdi no sentido de "olhar" no livro o aspecto do Bentinho.
Mas, se do ponto de vista dele, ele próprio se denomina Casmurro, imagina se fosse contado por outro personagem do livro, exemplo ezequiel, o quão Bentinho seria mais carrancudo e triste.


Gabriel 09/04/2017minha estante
Não é Capitu quem trai. Não é Bentinho. É Machado. Esse sim, escreveu cada linha com o objetivo de dissimular. Assim como Bentinho, julgamos. Apontamos o dedo, ora para Capitu, ora para o casmurro. Mal percebemos que assim como ele não somos imparciais. Machado nos ganhou, mais uma vez. Somos bentinho. Apontamos, sempre.


Maria 24/05/2017minha estante
Excelente resenha!


Figueira de Meireles 09/06/2017minha estante
Cara, essa discussão é intrigante e controversa. Só o Assis poderia nos deixar com cem por cento de certeza. Mas, eu estou com você. Creio que o Bentinho é um personagem paranoico e inseguro, e se estivermos certos, a personagem Capitú passou por maus bocados. Porém, é certo que, levando-se em conta que é mencionado que o Ezequiel era cópia exata de Escobar(esse fato é no mínimo estranho), a discussão ganha vida e voltamos para a dúvida inicial. Eu não me arriscaria a afirmar com tanta certeza um ou outro ponto de vista!




Gláucia 06/12/2010

Dúvida eterna.
Li, reli e treli com o intuito de achar uma pista, um indício da traição de Capitu e conclui que talvez nem o próprio Machado de Assis tenha essa resposta.
A genialidade dessa obra reside justamente aí. O autor consegue satisfazer quem acredita e quem não acredita na traição, dando fortes argumentos e indícios para as duas conclusões. Impossível ter certeza.
Eu, particulamente, creio que Bentinho imaginou tudo. Quem pode saber?...
U.F. 24601 14/01/2011minha estante
Pensei que só eu tinha lido várias vezes tentando achar algo desapercebido, mas vejo que estamos no mesmo barco :p


Paulo Silas 12/02/2011minha estante
É verdade! Concordo plenamente:"A genialidade dessa obra reside justamente aí. O autor consegue satisfazer quem acredita e quem não acredita na traição" Tenho pra mim que este era o objetivo de Machado de Assis:provocar dúvida insanável! E até que é legal! Eufórico!


May 13/02/2011minha estante
Gláucia, era exatamente isso que M. de Assis queria. Por se tratar de uma obra pós-romancista, criticava toda aquela paixão avassaladora e todos os finais ou totalmente trágicos, ou totalmente felizes. A realidade (como é uma obra do realismo) é exatamente essa, Nada é totalmente trágico, e nada é totalmente feliz. A E com isso, continuaremos da dúvida eterna se Capitu traiu ou não Bentinho.


Alexandre 02/03/2011minha estante
Além disso, se não houvesse essa intriga, o livro terminaria com um ?felizes para sempre? antes do Capitulo ?A mão de Sancha?. Teria que acontecer alguma coisa.


Juliana 31/03/2011minha estante
Também acredito nessa hipótese do Bento ter criado tudo, pois o livro deixa bem claro como ele ciumento, mas o fato do Ezequiel, seu suposto filho, ser bem parecido com seu amigo Escobar era um fato que não era somente ele que via.


Matt 13/08/2011minha estante
Eu acho que ela traiou, por conta dos "Olhos de resaca" que ela joga em cima do defunto!! Na hora do velório, mas vai saber né?


Thaty Furtado 22/08/2011minha estante
Se traiu eu não sei, mas acho que o menino não era filho do Escobar, já que ele pensava casar a filha com o menino. Naquela época, (e hj também) não se via pecado tão grande quanto incesto; ele não falaria isso sabendo que os dois são filhos dele. A não ser q não soubesse, o que acho improvável


Karla 12/06/2012minha estante
Ah!Muito boa essa sua analise.De fato é de se deixar pensando,estou lendo e vou reler,quero tirar tudinho dele,cada detalhinho.Eis a pergunta que eu também fiquei,será que até o próprio Machado tinha a resposta?Em um dado capítulo o próprio Bentinho diz que sua imaginação é muito fértil,isso deixa a questionar.Bem,enfim,gostei do seu ponto de vista!


Gláucia 19/04/2013minha estante
Oi Vismael, tudo bem com vc?
Que tal acha sobre respeitar o espaço alheio? Em que passagem de minha resenha de Dom Casmurro vc viu me referir ao Paulo Coelho? Devo estar cega pois não achei essa passagem a qual vc se refere e vem armado de agressividade numa página que não é sua.


Dana 24/04/2014minha estante
Nossa eu amei, se for isso mesmo, acabou minha dor de cabeça!!!!!!, nossa seu ponto de vista é fantástico!


Deivi.Lucio 08/09/2019minha estante
Terminei de ler hoje e acredito que houve traição .....ele menciona que poderia ter tido outros filhos e pq não teve?(esterilidade).Capitu resolveu o problema da infertilidade dele com o amigo Escobar já que era o sonho de ambos....Com o passar dos anos ele começou a reparar em Ezequiel o jeito de comer,sorriso o jeito de virar os olhos e me parece que até a mãe dele percebeu porem nada comentou....agia de uma forma fria com a Capitu.




victor lopes 29/08/2018

Alguns pontos sobre o livro:

1 - Bentinho e Escobar não são héteros;
2 - Quero uma história entre Bentinho e Escobar no seminário;
3 - Apesar de não ser hétero, Bentinho tem atitudes de homem hétero, portanto é o famoso boy lixo;
4 - Capitu não traiu Bentinho.

Fim.
Arthur 29/08/2018minha estante
Melhor resenha que já li na minha vida


victor lopes 29/08/2018minha estante
kkkkkk Veio do fundo da minha alma


Arcan 01/09/2018minha estante
Lembrando que isso é somente sua interpretação.


victor lopes 01/09/2018minha estante
Eu escrevi a resenha, portanto é a minha interpretação, é claro.


LílianRoberta 01/09/2018minha estante
BERROOOOO
Agora quero ler mais ainda ahsuahuahs


Lana 02/09/2018minha estante
TOTAL!!!!!!!


Ana Gabriela 03/09/2018minha estante
Hahahahah sensacional


Tamires.Isis 10/09/2018minha estante
Não traiu mesmo. Ele é que era um louco.


lee 26/09/2018minha estante
Resolvi ler pq vi essa teoria e claramente concordo com ela agora.


Derby 18/10/2018minha estante
É o melhor entendimento da história até agora kkkk




Inugami 23/07/2009

Eu levei esse daí pro lado pessoal.

ODIEI.

Li, reli, tresli, quadrili... Ouvi até o audiobook.
Vestibulando faz de tudo pra passar, né?

Machado de Assis tem o meu mérito porque esse livro é perfeitamente construido pra ninguém saber o que REALMENTE aconteceu. Por isso levou uma estrelinha a mais.

Só que pra mim, que decorei essa merda e não caiu NADA na prova de literatura, BENTINHO É UM CORNO E CAPITU É UMA PUTA
Camila 10/01/2012minha estante
Lendo comentários assim percebe-se quão bem você iria se tivesse caído a obra.


Danielle 17/06/2012minha estante
Concordo, Camila. Se isso é tudo o que você conseguiu tirar dessa obra que chega a ser um mito por sua perfeição, é porque não sabe realmente perceber a essência de palavras bem escritas, frases filosoficamente criadas e um mistério genial, o qual ninguém conseguiu decifrar depois de mais de um século.


Cinthia 17/06/2012minha estante
Por isso que eu não li na minha época de vestibulanda, só depois quando tive vontade. Não me arrependo. :)


andre 24/03/2013minha estante
O livro é monotono e superestimado pra quem nao gosta do genero, verdadeiro absurdo tentarem forçar as pessoas a lerem um livro pq é considerado um classico da literatura brasileira, tentando enfiar goela abaixo literatura como se isso fosse despertar o interesse do leitor. sou totalmente contra isso, somos obrigados a ler dom casmurro por ¨livre e espontanea pressão dos vestibulares¨ e acabamos traumatizados com literatura brasileira achando que todas sao tão monotonas quanto dom casmurro, triste isso,um verdadeiro repelente de jovens leitores que estao iniciando no mundo dos livros, se uma pessoa nao gosta do genero pode ser o melhor livro do mundo que ela nao vai gostar, sera que nao percebem isso? o mais engraçado sao os pseudointelectuais
(sem generalizar) que por gostarem do genero e por este ser um classico acham que todos tem a obrigação de gostar tbm, caso contrario é um ignorante/analfabeto/burro como citados em alguns comentarios...pra finalizar, nao quero tirar os meritos de machado de assis, mas Dom Casmurro É CHATO, MUITO CHATO!!


Natalia 02/10/2013minha estante
Mas como tem gente que não tem senso de humor mesmo kkkk
Meu caro, eu te entendo, fui forçada a engolir guela abaixo esse livro pela escola, e o povo fica tentando desvendar um "enigma" que sinceramente, aposto como nem Machado esta aí para isso, mas ok.



Yasmine 17/10/2013minha estante
kkkkkkkkkkk


kellytchya 15/01/2014minha estante
haha, pra quem leu tanto e chegou a essa conclusão, vc teve mesmo muita sorte de não ter caído nada na prova, rsrsrsrsrs


Limao 14/07/2014minha estante
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Te entendo perfeitamente!
É muito chato quando somos forçados a ler algo!
Ninguém é obrigado a gostar do livro, eu achei monótono.
Como aluna eu entendo como é ruim ler os livros impostos, mas como futura professora eu sei da importância de se "obrigar" a leitura. Se a vida me permitir jamais iniciarei meus alunos com obras clássicas, elas são chatas e exigem experiência do leitor. Mas meus alunos terão de ler, nem que eu invente níveis de dificuldade literária rsrsrs


Dean Tarik 27/02/2015minha estante
KKKKKKKKKKKKKKKKKK


Eduardo Ramos 26/07/2017minha estante
Acabei de ler e acho o mesmo. Tomou uma bola nas costas linda. O moleque era a cara do Escobar! rs




Brutal 11/05/2010

Critica (ao skoob)
Para Dom Casmurro não tenho comentários.
Mas fico indignado quando olho para suas avaliações.
São quase 200 avaliações em ruim (1 estrela).
xD
Eláia... "Brazil" que não sabe prestigiar seus próprios mestres.
Aline Gomes 27/05/2010minha estante
Concordo plenamente com vc! Para esse povo só Meg Cabot e Stephenie Meyer são boas escritoras(eu adoro os livros delas, mas não são os melhores do mundo!)

Pra mim que estudo Letras isso é lamentável...Tem duas pessoas que votaram no tag "Chato"!



Dom Casmurro é a obra-prima de Machado de Assis! Nem tem palavras pra descrever


Aline R. 06/06/2010minha estante
A crítica não seria ao Skoob, e sim aos "skoobers".


camila 06/07/2010minha estante
O fato me indigna mas não me impressiona. Não é de se esperar que uma maioria nacional analfabeta funcional aprecie um livro que pode ser de entendimento mais complexo.


maevsi 11/05/2012minha estante
Não apenas aos skoobers, mas aos brasileiros em si que ignoram uma obra tão linda como Dom Casmurro. Que leiam Stephenie Meyer, J. K. Rowling, Rick Riordan, mas não esqueçam de ler as obras primas, os escritores que se tornaram lendas.

Machado de Assis é comparado a Shakespeare e Camões, e é brasileiro!! E o pior de tudo isso é q o ignoramos!! Hj muitos preferem ficar lendo resumos para o vestibular ao invés de se dignar algumas poucas horas da sua vida para ler um livro q considero muito pequeno e uma obra prima brasileira.

Somos uma sociedade de idiotas.

Concordo com todos os comentários abaixo...


Cinthia 17/06/2012minha estante
Ah gente, pelo amor de Deus, gosto é gosto. Eu leio todos esses autores que foram considerados ruins aí embaixo, e adoro Dom Casmurro do mesmo jeito. A diferença tá no gosto pela leitura, uns tem, outros não. Simplesmente leem algo só porque tá na moda ou porque são obrigados (vide vestibulandos), aí é complicado mesmo conseguir apreciar um clássico. Acho inclusive que as pessoas deviam tirar seu próprio tempo pra ler um livro desse, alcançar a maturidade necessária primeiro. A educação primária e secundária no Brasil também peca muito na iniciação de seus alunos na leitura. Enfim, fazer o quê... Pior seria se a maioria das avaliações não fosse de 5 estrelas (como de fato é).


Ju ALivreira 28/06/2013minha estante
Brasileiro é além de hipócrita, um mal educado que não sabe e nem teve o costume de ler. Daí querer ler somente os livros de fora e mal pegar numa obra-prima brasileira.
Se soubessem as raridades que temos!
Nenhum escritor já inventou um mistério de mais de séculos que até hoje nenhum mestre conseguiu desvendar! Mais uma das genialidades de Machado. ;)


Natalia 02/10/2013minha estante
Então quer dizer, que para sermos considerados de bom gosto literário, temos todos que apreciar as mesmas obras? Ou ainda, que somos obrigados a admirar as obras brasileiras apenas pelo fato de serem brasileiras? Não concordo. Eu particularmente, gostei de Dom Casmurro, e apesar de ter gerado um "enigma" que nenhum "mestre" conseguiu desvendar, o resto é pura encheção de linguiça, o tem de genial em 90% do livro? Acho Machado de Assis um bom escritor, gostei dessa obra, o que não me faz apontar o dedo para quem não gostou e criticar. Sou contra quem lê por modinha, mas não generalize, gostos literários não se discutem.


Tamiris 19/11/2016minha estante
me poupe! não é pq o livro é um clássico que deve agradar a todos
gostos são singulares




Natalie 22/05/2017

Já se falou muito acerca de Dom Casmurro mas nunca é o bastante. É sempre um debate rico sobre um livro que desperta sentimentos únicos em cada leitor. Com uma ironia fina, Machado de Assis nos leva ao Rio de Janeiro do final do século XIX para conhecermos as memórias de Bentinho, o ex-seminarista mais conhecido do país. Quem nunca ouviu falar da casa de Mata-Cavalos, do Protonotário Apostólico e do "supertlativíssimo" José Dias? São personagens que já fazem parte do imaginário popular brasileiro. A adjetivação dos "olhos de ressaca", de "cigana oblíqua e dissimulada" de Capitu é, talvez, a mais famosa da literatura nacional.

Em capítulos curtos e de constante conversa conosco, é inevitável não formar juízo de valor sobre a existência ou não do adultério e da paternidade de Ezequiel. É a quarta vez que leio Dom Casmurro e em todas elas não encontrei motivos para duvidar de sua palavra. Não vejo indícios de alucinação ou ciúme doentio. Enxergo a amargura de quem foi traído por quem mais estimava. Acredito que o argumento de que só temos acesso à sua versão dos fatos não é válido para tachá-lo de paranoico, pois se fosse assim não poderíamos crer em nenhum outro livro narrado em primeira pessoa. Já que não há outro ponto de vista escrito pelo autor, presumo que este é verdadeiro.

Especulações á parte, Dom Casmurro é esplêndido em sua estruturação: bom humor ácido, curiosidades minuciosas sobre o protagonista e suas relações interpessoais, caracterização profunda do caráter dos envolvidos no enredo com tremenda concisão e objetividade, sem falar dos comentários sobre os costumes sociais da época. Excelente em todos os aspectos.
Wagner 22/05/2017minha estante
Saudações Natlie.
Excelente resenha para um livro fantástico. Nota dez, com louvor.


Natalie 22/05/2017minha estante
Obrigada, Wagner.


Babi 22/05/2017minha estante
natalie, já que li esse ano também vou até deixar um trecho aqui rs

"Nada se emenda bem nos livros confusos, mas tudo se pode meter nos livros omissos. Eu, quando leio algum desta outra casta, não me aflijo nunca. O que faço, em chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as cousas que não achei nele. Quantas idéias finas me acodem então! Que de reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não vi nas folhas lidas, todos me aparecem agora com as suas águas, as suas árvores, os seus altares, e os generais sacam das espadas que tinham ficado na bainha, e os clarins soltam as notas que dormiam no metal, e tudo marcha com uma alma imprevista que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas."

aah, vc viu a edição dele da editora carambaia? bonito & caro :(


Craotchky 22/05/2017minha estante
Um dos livros nacionais que mais gosto. Interessante você ser bem enfática na sua posição quanto a grande questão do livro. Só o li apenas uma vez e acho difícil dizer se sim ou se não. Esse negócio de primeira pessoa não confiável é de enorme discussão; lembro imediatamente em Lolita. Eu penso: se tem penas o narrador em primeira pessoa eu vou confiar em quem além dele?


Albert 23/05/2017minha estante
Excelente. Concordo com você na questão do adultério, e acredito que o Machado quer chamar a atenção para o perdão por parte do Bentinho, pois o garoto não tinha culpa dos atos da mãe.


Andrade 09/06/2017minha estante
Que resenha! Parabéns, garota!




spoiler visualizar
Danielle 28/04/2019minha estante
Lembre-se de que o narrador, se não me engano, era o próprio Bentinho, então a semelhança da criança com Escobar pode ser loucura da cabeça dele.


Maura 28/04/2019minha estante
Eu pensei nisso também, mas é impossível saber, se eu levar só em consideração o que o bentinho escreveu, na minha opinião a Capítulo traiu, mas se eu pensar fora da caixinha assim como você, é provável que ela não tenha traído, fico confusa kkk


Maura 28/04/2019minha estante
Capitu***


Danielle 28/04/2019minha estante
Quando eu reler a gente conversa novamente ;)


Maura 28/04/2019minha estante
Beleza ^^


Karolina 25/06/2019minha estante
Semelhança é coisa da cabeça ciumenta de bentinho, nenhuma outra pessoa do livro fala sobre isso... apenas comentam q o menino gosta de fazer imitações




Fernando Lafaiete 23/01/2019

Dom Casmurro: A psicologia literária Machadiana como forma de questionamento do ser que chamamos de humano.
******************************NÃO contém spoiler******************************

É com a pena na mão, a alma no passado e o corpo no presente, que o perturbado protagonista, a versão Machadiana de Otelo de William Shakespeare, começa a narrar sua história de vida. Uma narração parcial, subjetiva e, portanto, nada confiável. A intenção? Expor os fatos que o levaram ao estado em que se encontra no presente. Atar as duas versões de si e se libertar do que lhe atormenta. Com apresentações e argumentos “racionais”, Dom Casmurro tece uma teia, como uma aranha, e te envolve em um lema que mesmo após o lançamento da obra em 1899, ainda nos perturba. Afinal de contas: Capitu traiu ou não traiu Bento Santiago?

O enigma criado pelo protagonista tem a intenção de nos levar a um estado de desconfiança extrema, onde nos vemos presos em um labirinto no qual não conseguimos sair. Ou como Borboletas em estado primitivo, presos em um casulo que se nega a rachar. Somos manipulados e mergulhamos nas palavras muito bem escolhidas pelo narrador. Um mar de loucura ou de sensatez, deixo tal escolha a sua decisão. Dom Casmurro não passa de um ser doente que caminha sobre a terra, não tendo mais condições de viver. Vive e sobrevive como uma alma penada presa ao passado. Ou seria ele um homem injustiçado, traído tanto pela esposa quanto pelo melhor amigo?

“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi e nem o que fui. ”

O importante é sabermos que Dom Casmurro é uma obra-prima com foco no ciúme. O verdadeiro mote central que deixa a sombra até mesmo os tido protagonistas. Não se trata de uma narrativa com foco na traição. A traição é apenas uma suposição feita por Casmurro e sustentada pela maioria dos leitores. Podemos embarcar na verdade que nos é entregue ou podemos questionar sua veracidade. Tudo vai de analisarmos e decidirmos se os discursos articulados por aquele que Machado de Assis criou, são fortes o suficiente para nos persuadir. Podemos acreditar no que no que nos é entregue e assim nos tornarmos os verdadeiros Casmurros, ou podemos deixar esta adjetivação apenas a Bento Santiago, a quem verdadeiramente lhe serve este vocábulo.

São várias as interpretações e teorias aplicadas à obra. Seria Dom Casmurro um romance focado no homoerotismo? Não seria Bentinho apaixonado por Escobar (seu melhor amigo) e impossibilitado moralmente e socialmente de seguir com esta paixão, projetado tal imaginação em uma suposta relação clandestina entre sua esposa e seu melhor amigo? Esta teoria ganhou força com uma publicação detalhada publicada por Rosa de Nagasaki, uma usuária do Twitter no dia 9 de Novembro de 2018. Porém, já é uma teoria bastante antiga e já levantada por várias outras pessoas. Encontrei questionamentos do tipo que remontam desde 2007. Dom Casmurro seria na verdade gay e a injustiçada na verdade seria Capitu. O avesso do que a obra te faz querer acreditar.

“Os olhos de Escobar eram dulcíssimos (…) Realmente era interessante de rosto, a boca fina e chocarreira, o nariz fino e delgado”

“Apertei as mãos de Escobar, foi uma total ausência de palavras, assinamos o pacto. Elas vieram depois, de atropelo, afinadas pelo coração. ”

“Ia alternando casa e seminário. Os padres gostavam de mim. Os rapazes também, e Escobar mais do que os rapazes e os padres. ”

Capitu... Ah Capitu!!. A figura emblemática que possuía olhos de cigana oblíqua e dissimulada. A personificação feminina de Casmurro, venerada por muitos e criticada ainda mais pelos Casmurros, que alimentam a certeza de sua infidelidade. Seja caçando pistas de sua suposta traição através da obra original, através de sua adaptação em minissérie ou através da quadrinização de Ivan Zaf, a certeza que temos é que não temos certeza. O quebra cabeça nunca é totalmente montado independente de onde você procure peças para completá-lo. Dom Casmurro foi concebida como uma obra dúbia e permanecerá assim até o fim dos tempos. A genialidade de Machado de Assis é tanta, que o mistério criado por ele causa uma rixa entre os mais diversos tolos intelectuais que tentam desvendá-lo.

Uma obra atemporal, onde o ciúme, o pai da loucura, domina a narrativa e nos deixa pensativos. Até que ponto temos controle de nossa consciência? Até aonde conseguimos nos manter sãos, e a partir de que momento perdemos a noção de que somos seres racionais, passando a distorcer a realidade a fim de alimentar nossas incertezas? Dom Casmurro é mais uma obra que sacramenta a importância reflexiva da literatura psicológica. O tipo de literatura que nos desafia a desvendar as camadas psíquicas que nos tornam humanos.
Thaís Damasceno 23/01/2019minha estante
Fernando, essa resenha ficou ótima. Parabéns!Faz anos que eu li Dom Casmurro e não aproveitei a leitura, pelo menos não com a experiência que eu tenho hoje, quero reler ainda esse ano e sei que vai ser uma outra experiência e dessa vez vou aproveitar a leitura dignamente Hahaha...Essa sua resenha me deu uma animada a mais para ler, não só Dom Casmurro mas as outras obras de Machado.


Fernando Lafaiete 23/01/2019minha estante
Olha Thais, gosto demais da trilogia realista de Machado de Assis. Já havia lido este livro quando ainda estava no ensino médio e tive uma experiência nula, assim como você, acredito eu. Tenho certeza que em uma releitura, você de fato terá uma experiência muito mais proveitosa e significativa, principalmente no que tange o que frisei na resenha: Reflexão psicológica e acréscimo intelectual. Se gosta de outras obras de cunho psicológico como O Morro dos Ventos Uivantes, Crime e Castigo, Lolita... acho que é praticamente impossível não gostar de Dom Casmurro. E muito obrigado pelo comentário e por ter gostado da resenha. Sempre que demoro uma eternidade para escrever uma, é um verdadeiro alívio receber feedbacks como o seu. Rsrsr


Thaís Damasceno 23/01/2019minha estante
Coloquei na minha meta desse ano, borá conferir ;)


Fernando Lafaiete 23/01/2019minha estante
Ficarei de olho no seu processo de leitura. Torcendo pra você gostar.


Mirzão 15/03/2019minha estante
Parabéns pela resenha; argumentos bem pontuados!


Fernando Lafaiete 23/03/2019minha estante
Obrigado pelo comentário Mirzão. Fico feliz de saber que gostou da resenha. :)




Nathy B.W. 03/08/2009

Dom Casmurro?! Não, não dá!
Odeio abandonar livros, mas esse é simplesmente horrível demais para ser lido.
Eu juro que tentei... comecei umas 4 ou 5 vezes, mas nunca consegui passar do terceiro capítulo.
Amo ler, mas esse nem o fato de ser "super importante para o vestibular" me deu coragem suficiente.
OBS: Não foi nem um pouco necessário, passei no vestibular mesmo sem ter lido! =P
-Shadowcat- 09/08/2010minha estante
Bem, esse é o típico livro que a maioria das pessoas odeiam quando são adolescentes e amam quando adultas. Comigo não foi diferente, odiei ao 17, amei aos 25. Quem sabe algum dia você aprecie a densidade psicológica e o cinismo típico de Machado.


Larissa Pinto 18/01/2011minha estante
Esse é o tipo de livro que qualquer um abandona, não importa a idade...


May 13/02/2011minha estante
a questão não é ler somente pra vestibular. Você tem que estar na história, tenho 16 anos, li o livro pensando no vestibular do ano que vem, ams também por que pode vir a ser uma leitura interessante. A leitura é um pouco cansativa devido ao uso das palavras, e por ser uma obra realista, mas é ótima quando você continua a ler!


Débora 13/09/2012minha estante
Amei aos 18, amarei aos 50.


Jacy 08/03/2013minha estante
Amei aos 18, amarei aos 50. [2]




Marcos 01/08/2009

Era uma vez ...
Um cara que não sabia se era corno ou não. Fim. Ohhh, que profundo, que legal.

Resenha em homenagem à minha amiga Sonja :)
Maria 07/10/2010minha estante
Hahahahahahaha

1 estrela para uma das maiores obras da Literatura Brasileira de todos os tempos, Marquito?
Quanta insensibilidade!
Aposto que Machado de Assis revirou-se no túmulo no momento em que a sua resenha foi concluída...la la la la la
Para ser sincera, concordo com você, embora não seja ousada o bastante para conceder apenas 1 estrelinha a "Dom Casmurro".Mas a verdade é que considero tal obra do Machado de Assis um tanto superestimada, especialmente pelo fato de que jamis teria existido se não fosse a obra "Otelo", do Shakespeare";esta, sim, merecedora de 5 estrelas...hohoho


Marcos 07/10/2010minha estante
Uma estrela foi uma trollada de leve, questão puramente estética, pra chocar. Há de se exaltar a forma, por exemplo, além do jogo psicológico criado pelo Machadão. Mas eu acho o livro "overrated". Não gosto muito de nada que fale de uma coisa só e fique girando nisso o tempo todo. Pra piorar, autores que ficam em cima do muro, não encerram uma questão.

Compare, por exemplo, com Irmãos Karamázov. Não só a obra aborda com profundidade vários temas importantes, como fala da questão da dúvida de uma forma muito mais produtiva e abrangente. E não a deixa pela metade, desenvolve.

Infelizmente, a cultura nacionalista dita a necessidade de criarmos a qualquer culto o mito do escritor brasileiro de nível mundial. Escolheram o Machadão para ser esse herói. Não que eu odeie o país, só acho que a literatura brasileira está num nível bem abaixo dos clássicos mundiais. E como em terra de cego, quem tem um olho é rei, daí explica-se esse exagero em torno de Machado de Assis.

Pra ser justo, daria 3 estrelas.


Maria 08/10/2010minha estante
Olha...
Confesso que até hoje eu não sei quem matou Fiódor Karamázov, se foi realmente Dmitri ou Smerdiakov.
Dostoiévski planejava escrever uma continuação desta que, na minha opiniãozinha (e, certamente, de uma centena de pseudointelecuais...hohoho), é a sua obra-prima...:P
( Por que não fui diretamente a sua resenha de "Os irmãos Karamázov"?)
Quanto ao mito "Machadão", já li autores nacionais muito melhores do que ele.Há um autor baiano que considero genial e, incrivelmente, é um quase desconhecido do Grande Público, Adonias Filho.Ele escreveu duas das maiores obras da nossa Literatura "Os servos da Morte" e "Memórias de Lázaro".Outro grande nome é o Lúcio Cardoso.Sua obra "Crônica da casa assassinada" é impecável!Suas descrições psicológicos são magistrais e não ficam a dever nada aos barbudões russos de "séculos" atrás ( talvez eu esteja sendo um tanto hiperbólica, mas a obra é realmente perfeita)...:P
Eu realmente aprecio o Machadão, mas o considero um tanto superestimado.E "Dom Casmurro" é a mais superestimada de todas as suas obras...hohoho.Gostei imensamente de "Memórias póstumas de Brás Cubas".
(Eu percebi a "trollada".Na verdade, achei divertido e interessante a sua estrela única para Dom Casmurro.Minha ousadia não chega a tanto.Sou sempre generosa ao avaliar as obras que leio.Dou 5 estrelas até para aqueles livrinhos puramente comerciais...:P)


Marcos 08/10/2010minha estante
Quem matou Fiódor certamente foi Smierdiákov, Maria. Pois o que estava em questão não era um mero assassinato, mas toda uma ideologia. Dostoiévski queria provar a autonomia da vontade, como um homem pode decidir o que quiser, ainda que as circunstâncias favoreçam completamente o ocorrido. Isso se fundamenta pelo disposto em sua bibliografia. Veja que em Notas do Subsolo, por exemplo, o homem do subsolo desenvolve toda uma teoria em torno disso. Que mesmo se a matemática disser que 2 + 2 são 4, se a pessoa decidir que é 5, serão 5. Mais existencialista, impossível. O homem é condenado a ser livre, de modo que sempre é plenamente responsável pelas suas escolhas. Não é o meio que o obriga, se tratando de mera influência. A palavra final é sempre nossa.

É, ainda, uma crítica à justiça, que presume coisas pelas circunstâncias e historicamente condena pessoas injustamente por isso.

Eu já li bastante coisa de literatura brasileira, na escola os clássicos me eram empurrados aos montes ... nunca me passaram um livro sequer de literatura estrangeira. Mas é claro que podem surgir bons nomes ... não necessariamente só o que é famoso é bom.


Ramires 15/12/2015minha estante
Seu comentário abaixo sobre Dostoiévski e literatura nacional é exatamente o que eu penso...
Está de parabéns.
Acho esse livro chatíssimo, seco e de leitura entediante. A obra, por si só, não se perpetuaria se não fossem os vestibulares obrigando a lê-la e outros incentivos mais. O próprio José de Alencar é mais agradável.
As aulas de Literatura nas escolas do Brasil são um verdadeiro castigo! Hahahaha! Só se aprende nomes! Pouco se lê, porque tudo é imposto e desagrada!




Renata CCS 02/02/2013

Ciúmes, traição e muitas leituras possíveis
DOM CASMURRO é um clássico da literatura brasileira, conhecido mesmo por aqueles que não leram o livro. Com uma trama envolvente e misteriosa, o livro é considerado a obra mais reverenciada de Machado de Assis e um dos mais aclamados da literatura nacional. A complexidade de sua narração e de sua história o tornam um grande mistério até hoje. Afinal, Capitu traia ou não Bentinho? A história se baseia no romance entre Bento e Capitu e num possível romance entre Capitu e Escobar, melhor amigo de Bentinho. Tudo o que sabemos deste suposto triângulo amoroso é através da visão de Bento, que é o narrador da história, e esse fato faz com que não seja possível saber se a traição ocorreu ou não. O enredo começa no ano de 1857, na rua de Mata-Cavalos, quando Bentinho, com 15 anos, se apaixona por sua vizinha adolescente e grande amiga Capitu. Devido a uma promessa feita por Dona Glória, a mãe de Bento, os dois acabam separando-se. Ao perder o primeiro filho, a mãe prometeu que se tivesse outro filho homem, ele seguiria carreira religiosa. Bento, mesmo contrariado, foi mandado para um seminário. Lá ele conhece Escobar, também seminarista e que vem a tornar-se seu melhor amigo e futuro marido de Sacha, a melhor amiga de Capitu. A desconfiança de Bentinho se inicia quando Escobar morre devido à reação de Capitu no velório do amigo. A partir desse momento começa a paranoia: ele nota que seu filho se parece muito com Escobar e que já havia encontrado o amigo e a esposa algumas vezes sozinhos em sua casa. Deste momento em diante o ciúme e as suspeitas de traição só crescem. A narração feita por Bentinho pode ser considerada questionável: ele tenta convencer a si mesmo e ao leitor de que suas suspeitas são válidas. Mas o livro também nos fornece material para duvidar do narrador. Quando li o livro pela primeira vez, na adolescência, cheguei à conclusão de que Capitu tinha traído Bentinho. Entretanto, ao ler novamente anos depois, já tive uma visão completamente diferente de Capitu. Apesar de achá-la dissimulada e muito mais inteligente do que aparenta, agora acho que ela não traiu Bentinho. Trata-se de um romance sobre o ciúme, não sobre traição. O interessante da obra é sua capacidade de enganar: a possível inocência de Capitu permaneceu despercebida durante tanto tempo porque se acreditava que o que estava escrito era o real e esqueciam que era apenas a visão de um dos personagens. DOM CASMURRO É envolvente, misterioso, único e brilhante! É uma obra que deve ser lida por todos.
Aline 08/05/2013minha estante
Quando você é ciumento e ler um livro como esse, você de questiona se todas as vezes em que você sentiu ciúmes foi real ou loucura.


Renata CCS 13/05/2013minha estante
Aline, interessante a sua observação. Muitos leitores criticam a atitude de Bentinho, mas não sabemos se agiríamos da mesma forma se estivéssemos na mesma situação.


Limao 14/07/2014minha estante
Concordo com você Aline. Ou a pessoa ciumenta passa a concordar com Bentinho e dar razão aos questionamentos dele


Mariana Cardoso 15/01/2016minha estante
Dom Casmurro é um dos livros na minha estante que eu conhecia "de cabo a rabo" sem jamais ter lido. Mesmo sabendo dos encontros e desencontros que me esperavam, era incapaz de imaginar o sabor das minúcias da narrativa de Machadão nesta fase (estava mais acostumada ao escritor de Helena, que insiste em morar no meu coração).
E uma pergunta agora me atormenta mais do que a dúvida da traição de Capitu: por que não li Dom Casmurro antes? :) Ótima resenha, Renata!
(E olha, minha vontade é que dona Capitolina tenha metido um par de chifres bem bonitos na cabeça do doutor Santiago. Ô, entojo!)




MaywormIsa 15/09/2016

Nem condenada, nem absolvida.
Claramente Capitu é a personagem mais incompreendida do livro, o que não é novidade para os que desejam ler a obra. O que me incomoda nessa incompreensão é que o foco das expectativas está na possível falha da mulher casada e não nas paranoias de Bentinho desde os tempos do Seminário.

Capitu no início do livro é contada a nós por Bentinho como uma menina travessa e poucos acham seus modos bons para a idade. Na realidade Capitu é uma menina brincalhona e sorridente, talvez possamos imaginá-la espoleta. Acontece aos 15 anos uma paixão mútua entre Bentinho e sua vizinha e ambos prometem casar não importa o que haja. Bentinho afinal vai para o seminário. Nota-se que até aqui, Capitu é descrita por José Dias como travessa de olhos de cigana oblíqua e dissimulada e só depois Bentinho a atribui mais uma característica que são os olhos de ressaca, vale lembrar que essa ressaca é referente às ressacas do mar e não uma ressaca de bebedeira, o que muita gente confunde acabando por manchar a reputação de Capitolina.

Nos tempos do seminário Bentinho e José Dias tentam arquitetar planos para sua saída, numa das visitas do agregado, é dito que Capitu anda bem e risonha e só esse fato faz com que cresça em Bentinho um ciúme possessivo " Porque ela está sorrindo se estou chorando tanto?" " Há de ser um namorado" entre outros pensamentos que passam na mente de Bentinho. Numa das visitas à sua casa de Matacavalos, o encontro com a vizinha é um misto de desconfiança e ciumes sem motivos reais. Capitu explica que se faz necessário dissimular uma felicidade para que não haja suspeitas de seu amor proibido por Bentinho. Há uma cena em que fica claro que Bentinho está paranoico de ciumes, que é quando despede-se de Escobar e dá de cara com Capitu na janela, rapazes passam na rua à cavalo e um breve olhar é trocado entre um deles com Capitu, só isso bastou para que Bentinho se corroesse de ciumes.

Bentinho fica amigo de Escobar na época do seminário e essa amizade se estende , sobrevive por muitos anos. Capitu e Bentinho se casam e vale uma nota sobre o casamento: pouco interessante. Um amor que era tão bonito e forte, justo no dia do casamento é narrado de forma pouco interessante, que decepção. Escobar acaba por se casar com a melhor amiga de Capitu, Sancha. Os casais passam a visitar-se toda semana e tudo vai bem até que Bentinho e Capitu se veem na dificil situação de não conseguirem ter um filho. Um tempo depois de tantos pedidos à Deus, Capitu dá a luz a Ezequiel ( nome de Escobar, uma homenagem digamos).

Escobar sai de cena sem antes ser quase corno. Sancha e Bentinho trocam olhares intensos e apertam-se as mãos em uma das noites de visita e Bentinho passa a sentir uma atração pela esposa de seu melhor amigo. Essa atração passa com a morte de Escobar. A partir daí tudo começa a dar errado no casamento porque Bentinho vê semelhanças demais do amigo em seu filho e começa a desconfiar que o filho não seja dele.

Bentinho fica recluso, quieto, introvertido e aos poucos se afasta da esposa e do filho, chegando a confessar que não suportava a criança. Chega um dia em que Bentinho já carrancudo demais, despacha a família para a Europa e vive sozinho a partir de então. Antes porém há um momento de briga de casal onde Bentinho acusa Capitu nas entrelinhas, e esta defende-se mas não há jeito.

O que posso achar de tudo isso é que desde menino, Bentinho era paranoico e fresco. Preferia manter-se preso aos pensamentos obscuros do que procurar a luz e as respostas, comporta-se como um mimado que acredita somente no que sua mente acredita que seja a verdade. Faz pequenas investigações ocorridas pelo acaso e toma suas próprias conclusões sem consultar outra pessoa.
Capitu é condenada a algo que TALVEZ possa não ter acontecido.

Não condeno-a e tampouco absolvo-a, simplesmente porque há um único fator que não há como saber se é coisa da cabeça de Bentinho ou se é realmente verdade: O quanto Ezequiel é parecido com Escobar fisicamente.

No mais a pontuar, esperava mais da narrativa no que diz respeito ao amor do casal principal, e confesso que gostaria de ter conhecido mais a pequena Travessa Capitu, que se mostrou uma mulher comum ao longo da obra. Sobre o último superlativo, ameaçou mas não me arrancou lágrimas, talvez melhor que isso, conseguiu um espaço especial no meu coração e enquanto a memória permitir não me esquecerei do queridíssimo agregado.
Craotchky 15/09/2016minha estante
O livro é muito interpretativo então vai de cada um. Gostei do fato de você, na maior parte da resenha, ter defendido uma opinião, inclusive argumentando em favor dela. A capa dessa edição é bem sugestiva...E ah, os olhos de Capitu!


Louise 26/10/2016minha estante
Adorei sua resenha. Muito bem escrita!
Concordo com a sua opinião. Bentinho me pareceu absurdo, até paranóico. Na cena de ciúmes na janela, ele perdeu toda a credibilidade pra mim. Ele chora e se descabela por causa de uma olhadela. E chega a dizer: "A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até ver-lhe sair a vida com o sangue...". !!!
E o final.. Achei ele cruel. "Pagaria o triplo para não tornar a vê-lo".
Enfim, gostei muito do livro e da narrativa do autor.
Acho que seria bastante interessante ler a mesma história contada do ponto de vista de Capitu.


MaywormIsa 10/11/2016minha estante
Isso! Isso mesmo Louise, eu adoraria ver com os olhos de cigana oblíqua e dissimulada da capituzinha


Louise 10/11/2016minha estante
:D




Polly @blogmadrugadaliteraria 11/05/2018

Dom Casmurro: paranoia ou traição? (#037)
Já perdi as contas de quantas vezes reli esse livro, que, aliás, é um dos meus “preferidos da vida”. A primeira vez que o li foi por influência total de um professor do ensino médio, eu devia ter 14 ou 15 anos. Professor Antônio falava de uma forma tão apaixonada sobre literatura, que era quase impossível não ser contaminada pelo “bichinho” da curiosidade. Lembro que ele era especialmente encantado por Machado de Assis e, por causa disso, acabei lendo todos os livros que eu tinha dele aqui em casa e também os que tinham lá na escola. E não foi diferente com Dom Casmurro.

Dom Casmurro é aquele tipo de livro que a cada vez que você o reler, você consegue alcançar uma nova perspectiva sobre ele. É um livro “vivo” que mesmo que se passem séculos e séculos, ele ainda assim vai continuar fazendo sentido. Isso acontece porque ele fala de algo intrínseco à alma humana, fala de sentimentos que todos nós sentimos ou sentiremos algum dia, mesmo que, às vezes, nós não nos orgulhemos tanto assim deles. E o mais fantástico de Dom Casmurro é que Machado de Assis não nos deixa nenhuma brecha para certezas. Com as mesmas palavras, Capitu pode ser culpada ou inocente. E tal sentença só depende do leitor, da “bagagem” que ele carrega na vida.

É certo que desde a sua primeira publicação, no ano de 1900, até a década de 1960, quando uma nova interpretação foi dada pela americana Helen Cardwell, Capitu era definitivamente culpada. Bentinho era, sem sombra de dúvidas, a vítima da história, mesmo ele sendo o único a ter voz na narrativa. O machismo que vigorava na sociedade, por décadas a fio, impediu que a maioria das pessoas conseguisse identificar a genialidade machadiana. O tempo inteiro o próprio Bentinho, enquanto nos conta a história, desdiz o que, ao que parece, ele tem certeza: a traição de Capitu e Escobar.

Eu, particularmente, sou da opinião de que Capitu era inocente. E logo deixo avisado que esse texto é praticamente uma defesa dela. Desde a primeira vez que o li, Bentinho não conseguiu me convencer de que ele era a vítima. Confesso que pareço com Bentinho muito mais do que gostaria. Tenho, infelizmente, um quê de Casmurro e consigo identificar um ciumento de longe (olha a minha pretensão!...). Desconfiado por natureza, o ciúme é presença constante no coração e na mente do Casmurro. E todo mundo sabe que quando o ciúme entra numa relação, o amor sai pela outra porta.

Os motivos pelos quais Bentinho condena Capitu são, no mínimo, duvidosos. O momento no qual ele tem certeza da culpa da sua esposa é durante o enterro do Escobar. Capitu chora e não podia ser diferente. Afinal, Escobar é também um amigo para ela, além de ser marido de Sancha, sua melhor amiga. Sem contar na habilidade humana, sobretudo nas horas de dor, de se colocar no lugar do outro. Quem sabe Capitu, naquele momento, não se enxergasse em Sancha ao se imaginar perdendo Bentinho?

Outro fato em que se fundamenta a certeza de Bentinho são os olhos de Ezequiel, que a princípio, era tido apenas como um bom imitador. O menino era bom em imitar José Dias e a prima Justina, mas era incomparável na imitação a Escobar. O pai até então nada de estranho achava, mas depois do episódio do enterro, o Casmurro começa enxergar Escobar no olhar e nos trejeitos do pequeno. Betinho simplesmente não suporta a visão do filho, ao ponto de até tentar oferecer-lhe veneno.

Mas, como já disse, nosso narrador duvida toda hora da sua certeza. Por exemplo, ele põe em dúvida se aquela semelhança entre Ezequiel e Escobar é mesmo fruto da traição de Capitu ou apenas coincidências estranhas da vida. Quando ainda está no seminário, Bentinho vai visitar Capitu na casa de Sancha, que na ocasião estava doente. Num quadro na parede, está uma pintura da falecida mãe da enferma. Bentinho repara como é surpreendente a semelhança entre a defunta e Capitu, mesmo elas não tendo parentesco algum. Mais tarde, alguns capítulos depois, Bentinho evoca essa mesma constatação para por a prova a sua certeza.

Vale ainda ressaltar que é a própria Capitu que constata a semelhança entre Ezequiel e Escobar. E ela mesma comenta isso com o marido. Assim, fiquei imaginando: a troco de que ela incutiria uma dúvida na cabeça do marido, caso fosse realmente culpada? Sobretudo, sendo Bentinho ciumento do jeito que era... Quem não lembra do episódio dos braços de fora? Se não o lembra, vide o capítulo 105. Bentinho é paranóico!

Bem, eu até poderia escrever um outro livro, explicando os motivos por que a Capitu é inocente. E um outro alguém poderia escrever outro, explicando por que ela é culpada. E usando os mesmos fatos para isto! É isso que a genialidade de Machado de Assis faz... Mas acho que vou parar por aqui. Acho que meu papel está feito. Espero ter lhe despertado a vontade de ler a obra, se é que ainda não a leu. E também espero ter lhe convencido que Capitu era inocente, mesmo que ela tivesse olhos oblíquos de cigana, e culpado mesmo nessa história era o ciúme de Bentinho.


site: https://madrugadaliterarialerevida.blogspot.com.br/2018/05/dom-casmurro-paranoia-ou-traicao.html
Samila Moura @soresenhasdelivros 11/05/2018minha estante
Paranóia com certeza kkk


Isa 25/06/2018minha estante
Ótima resenha.


Grazi 31/07/2018minha estante
undefined




Edson Camara 30/05/2018

Para mim um livro é apaixonante quando deixa saudade dos personagens já na última página, Dom Casmurro é um desses livros.
Os dois maiores e melhores escritores brasileiros do século XIX são José de Alencar e Machado de Assis em minha modesta opinião.
Um é melhor que outro a cada livro que leio.
Desta vez li, Dom Casmurro, uma obra prima, muito bem escrita, com uma trama relativamente simples, mas desenvolvida para prender a atenção.
O livro foi publicado em 1899, e muito do comportamento dos personagens é explicado por este fato.
Era o retrato do comportamento social da época.

Dom Casmurro é um livro bem conhecido pelos brasileiros, principalmente aqueles que um dia já prestaram vestibular.
O enredo conta a historia de Bentinho e Capitu, desde o inicio da adolescência até a idade adulta.

Capitu era uma menina esperta, inteligente, envolvente que sabia o queria da vida.
Há varias passagens que mostram Capitu por inteiro, mas a que mais gosto é esta:
"... Capitu ia crescendo às carreiras, as formas arredondavam-se e avigoravam-se com grande intensidade; moralmente, a mesma cousa. Era mulher por dentro e por fora, mulher à direita e à esquerda, mulher por todos os lados, e desde os pés até à cabeça".
Machado mostra aqui que três homens estavam apaixonados por ela, o próprio Machado, Dom Casmurro e finalmente, Bentinho.

Já Bentinho, era um menino e por final homem fraco. Dominado pela mãe que queria vê-lo Padre.
Bentinho vai ao seminário e fica alguns anos, até que uma solução brilhante o tira de lá sem comprometer a promessa de Dona Glória a Deus.

A primeira metade do livro se passa morna, apresentando os personagens e os eventos em si.
Aparece Escobar, que tem um papel importante, vital na verdade, na trama.

Machado então dá um bom pulo no tempo e descreve o casamento de Bentinho e Capitu

Depois de casados, Bentinho e Capitu se tornam amigos do casal Escobar e Sanchinha.
Bentinho que formara-se advogado, está bem sucedido e feliz, exceto pela falta de um filho
O filho do casal, entretanto, nasce logo depois.
A semelhança do garoto com o amigo Escobar começa a armar um gatilho emocional na cabeça de Bentinho
Um evento importante acontece, a morte de Escobar, no dia do enterro, um gesto de Capitu confirma a bomba nuclear na cabeça de Bentinho.

O casal se separa, Capitu e o filho vão morar na Suíça
Bentinho fica para manter as aparências.
Mas não consegue esquecer ou perdoar Capitu.

Capitu morre na Europa
Ezequiel o filho vem visitar o pai, que vê nele, uma cópia do amigo Escobar
O filho morre
Bentinho fica sozinho.

Minha conclusão é que Capitu realmente se envolveu com Escobar.
Por amor a Bentinho que não conseguia dar-lhe um filho, Capitu seria capaz de tramar esse envolvimento para suprir esta falta.
Não fosse a genética e o evento do dia do enterro de Escobar, talvez Bentinho nunca desconfiasse. Ele era feliz com o filho.

Não vou julgar o caráter de Escobar, que pode sim ter se motivado e justificado pelas razões de Capitu, que a felicidade de Bentinho se completaria com um filho.
O fato é que o plano não deu certo e só causou infelicidade.

Muita gente tem opinião contraria e acha que Capitu era inocente e que a aparência de Ezequiel era uma coincidência do destino.

Machado deixa esta duvida, que vem se arrastando e fornecendo argumento para discussões há mais de 100 anos.
Para mim, Capitu foi vitima do seu tempo, da própria ingenuidade e do amor por Bentinho

Bentinho por sua vez, não sofreu muito, sua cabeça estava bem tranquila ao ponto de levar a vida adiante, só a duvida o atormentava vez por outra.
Mas a duvida de perdoar ou não Capitu, não do evento em si.
O livro termina com esta reflexão de Bentinho, Casmurro e Machado:
“O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquele por efeito de algum caso incidente.

Para mim um livro é apaixonante quando deixa saudade dos personagens já na última página, Dom Casmurro é um desses livros.


Jessica Isidoro @talitaisidoro 31/05/2018minha estante
Quero ler esse livro algum dia.


Edson Camara 31/05/2018minha estante
leia já, você vai gostar, é leitura rápida.


Jessica Isidoro @talitaisidoro 31/05/2018minha estante
Sempre quis ler ele. Mas espero ler logo. Obrigada pela dica.




Katy 01/08/2016

Resumo + análise: Dom Casmurro - Machado de Assis (leituras UFRGS 2017)
Escrito em 1899, Dom Casmurro é uma das maiores obras de Machado de Assis. A história se popularizou pelo triângulo amoroso que apresenta, além da dúvida principal que deixa para o leitor, que não tem uma resposta exata quanto ao possível adultério de Capitu.

Entretanto, esse livro vai muito além das questões à respeito do romance. Ele trás um grande conhecimento sobre os hábitos da época, uma análise clara da sociedade do Rio de Janeiro e dos costumes religiosos (forte característica apresentada).

A história é narrada pelo próprio Dom Casmurro, um advogado de meia idade, amargurado pelo rumo de seu amor de juventude. Já nos primeiros parágrafos ele explica o apelido devido ao fato de ser um homem calado, fechado em si, e então começa a contar o por quê de ter se tornado assim.

Desde jovem, Bento Santiago sabia que estava destinado à ser padre. O primeiro filho de seus pais
não chegou à nascer, então sua mãe, Dona Glória, promete que se Bentinho "vingasse" ela lhe faria padre. O seu pai morreu antes de saber da promessa, mas o fato é que Bentinho nasceu e cresceu forte e saudável, motivo pelo qual tinha destino certo. Nesse ponto já percebemos o quão forte são os costumes religiosos da época: em muitos momentos Dona Glória parece arrepender-se de ter feito uma promessa tão séria a ponto de tirar o livre arbítrio de seu filho, mas uma promessa feita jamais poderia ser desfeita, era uma dívida com Deus.

Então, em uma tarde comum, Bentinho está ouvindo atrás da porta quando ouve José Dias lembrar a mãe da promessa, falando que a mesma deveria fazê-lo padre logo, uma vez que o menino já está crescendo e apresentando uma relação cada vez mais estreita com a vizinha Capitu, e que ambos estão sempre "de segredinhos e metidos pelos cantos".

O narrador então se desvia contando a história de José Dias, personagem de grande importância para a narrativa. O mesmo não faz parte da família, é um agregado. Mentiu que era médico e trouxe a cura para escravos enfermos anos atrás, conquistando a simpatia da família, que convidou-lhe para morar junto. José Dias não aceitou e partiu, mas meses depois voltou arrependido, contando que nunca foi médico de verdade e aceitando o abrigo.

É importante ressaltar que nessa época era muito comum que cada família tivesse um ou mais agregados morando em suas casas. José Dias desempenha então inúmeras funções como uma forma de gratidão pela acolhida que recebeu. É conselheiro, mandalete e um grande bajulador. Outra característica a ser observada nele é o constante uso de superlativos em sua fala: belíssimo, amaríssimo, gravíssimo... tudo é exagerado, teatral.

Após apresentar o personagem. a narrativa volta então para o momento em que Bentinho ouvia atrás da porta e o narrador deixa claro que a denúncia de José Dias também serviu-lhe para que notasse que de fato sua relação com a vizinha Capitolina está cada vez mais íntima.

Para continuar lendo estas e outras resenhas, visite o meu blog!

site: https://bloggerculturando.blogspot.com.br/2016/06/resumo-analise-dom-casmurro-machado-de.html
Pathy Gonçalves 14/08/2016minha estante
Como é o nome de seu Blog ?


Katy 15/08/2016minha estante
É culturando! Segue link
https://bloggerculturando.blogspot.com.br/


Pathy Gonçalves 16/08/2016minha estante
Obg




883 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |