Dois irmãos

Dois irmãos Milton Hatoum




Resenhas - Dois Irmãos


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Domingos Coelho 24/02/2015

Livro muito bom, de fácil leitura. Para quem mora em Manaus, é um passeio pela cidade e pela história da mesma também. A alternância da linha temporal da estória ficou muito bem escrita, ajudando bastante na construção dos personagens.
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Erika.Almeida 27/04/2017

Constituição do psiquismo a partir do laço com o outro
Em tempos de supervalorização dos aspectos biológicos, Dois Irmãos, de Milton Hatoum, sublinha a subjetividade e os efeitos do laço com o Outro na estruturação psíquica.
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Andrew 08/09/2011

Resenha: Dois Irmãos
Por Andrew M. M. Santiago

O livro Dois Irmãos (Companhia das Letras; 200 páginas; 22,50 reais), do escritor amazonense Milton Hatoum, conta a história de Yaqub e Omar, dois irmãos gêmeos de origem libanesa que se odeiam e vivem em meio a constantes conflitos. Gêmeos que apesar de idênticos fisicamente, são totalmente diferentes psicologicamente. Yaqub é frio, vingativo, estudioso, determinado a conseguir tudo o que quer, futuro engenheiro. Omar é boêmio, mulherengo, acomodado, preguiçoso, sem perspectivas de sucesso.

Com um texto bem tramado, mantendo clara intertextualidade com o livro Esaú e Jacó, de Machado de Assis, e com a história bíblica de Caim e Abel, Hatoum também discorre sobre outros temas cruciais para compreendermos todo o teor da obra ambientada na cidade de Manaus.

Narrado em primeira pessoa por um personagem deslocado, desencontrado, que mais tarde se revela filho de um dos irmãos com a empregada da casa, Dois Irmãos também é o relato a respeito de uma família desunida, de um lar desestruturado, fadado ao caos e à ruína, como a própria epígrafe da narrativa já anunciava através de alguns versos do poeta Carlos Drummond de Andrade:

A casa foi vendida com todas as lembranças
todos os móveis todos os pesadelos
todos os pecados cometidos ou em vias de cometer
a casa foi vendida com seu bater de portas
com seu vento encanado sua vista do mundo
Seus imponderáveis [...]

Pai omisso diante dos problemas. Mãe que privilegia um filho em detrimento do outro. Irmã que vê em seus irmãos a materialização do homem ideal para sua vida. Emparedamentos existenciais, análises sociais e a presença do diálogo entre o regionalismo e a cultura estrangeira. Essas são algumas das problemáticas e situações que rodeiam a obra e prendem a atenção do leitor do princípio ao fim, sempre numa linguagem simples, porém culta, típica do escritor Milton Hatoum.
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LG 05/01/2019

Delicado para falar de uma família, numa região pouco explorada no imaginário do Brasil. A historia traz o conflito dos dois irmaos, Omar e Yaqub, que afeta toda a familia.

Ressalto aqui estranhesa que e ler sobre a região amazônica e em especial Manaus e seu crescimento.
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Sammi 21/01/2018

Uma grata surpresa
Com uma narrativa envolvente Milton Hatoum, nos conta em romance a estória de uma familia, ora dividida entre irmãos gêmeos.
Os personagens são bens construídos e nos fazem torcer por eles.

Ao que me parece este livro deu origem a uma mini série na tv globo.
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araujo 08/01/2017

Bom livro, bom escritor, boa história
Gostei do livro, como disse no título desta resenha, é um bom livro, com uma história interessante, mas tem alguns aspectos que fazem com que eu não o coloque entre meus favoritos. Primeiro os personagens são muitos simplistas. Quem é mau é mau sempre, quem é bom, o será até o final. Não existem nuances. Alguns diálogos soam um tanto artificiais, por serem literários demais. É um livro de fácil leitura, mas que não surpreende o leitor. No compto geral, é um livro que vale a pena ler, mas não é um livro inesquecível, pelo menos para mim. Como vemos, se presta bem para filme e série de TV, pois não vaii exigir muito do leitor.
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Ozimar Júnior 14/01/2009

DOIS IRMÃOS – MILTON HATOUM
Por Ozimar Alves Cunha (Júnior)



Quem conhece A crônica da casa assinada de Lúcio Cardoso poderá sentir certa semelhança ao ler Dois irmãos. Reservadas as devidas proporções, os dois romances se aproximam ao narrarem a trajetória de uma família que se degenera juntamente com uma realidade que descamba para o seu cadafalso. Hatoum consegue descrever uma família manauara desde a sua formação até o seu desenlace final  ou quase final.

Zana e Halim são os patriarcas desta família. Halim é dominado pelo hedonismo e pelo comércio. Já Zana funcionará como ponto de flexão entre os personagens centrais, sempre divida entre o amor devotado a Halim e ao seu filho Omar. Yaqub e Omar são gêmeos, mas Omar é o caçula e devido à fragilidade da infância leva Zana cobri-lo de mimos.

O grande mote de Dois irmãos, como o título pode sugerir, é o conflito entre os dois gêmeos. Nem o nascimento de mais uma irmã: Rânia, nem a presença contínua de Domingas, espécie de filha adotiva ou criada de Zana conseguirá neutralizar as disputas entre os dois irmãos antípodas. O romance se desenrolará entre as disputas contínuas entre os dois: A paixão por uma mulher entre os dois irmãos que levará Omar a ferir o irmão no rosto. Yakup é quem sofre o castigo e é enviado para uma aldeia no Líbano. Existe ainda o conflito entre as personalidades dos dois: Yaqub se tornará bacharel, enquanto o caçula Omar levará a farra e os calotes as últimas conseqüências. Rânia terá o papel de hiato dentro da história, decidida ao não se casar, ela cultua a imagem mitificada de um homem  meio Omar, meio Yaqub  que a tornará uma solteirona. Dominga dará a luz ao filho Nael  nome também do pai de Halim. Nael é o narrador de Dois irmãos que faz da narrativa um expurgo na tentativa de descobrir quem seria o seu pai  Yaqub ou Omar?

O narrador Nael conduzirá a história até o seu desfecho, sempre pontuando a devoção de Zana e Rânia pelo caçula. O isolamento de Yaqub em São Paulo com sua esposa (a dita mulher fruto da desavença entre os gêmeos na infância) e o sofrimento de Domingas e seu filho como coadjuvantes desta história que se passa numa Manaus em desenvolvimento e em pleno regime militar.

Dois irmãos foi eleito o melhor romance brasileiro escrito nos últimos quinze anos e já foi publicado nos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Holanda, França, Portugal, França, Itália, Espanha, Líbano e Grécia.



TRECHO:

“Lembrava - ainda me lembro - dos poucos momentos em que eu e Yaqub estivemos juntos, da presença dele no meu quarto, quando adoeci. Mas bem antes de sua morte, há uns cinco ou seis anos, a vontade de me distanciar dos dois irmãos foi muito mais forte do que essas lembranças.

A loucura da paixão de Omar, suas atitudes desmesuradas contra tudo e todos neste mundo não foram menos danosas do que os projetos de Yaqub: o perigo e a sordidez de sua ambição calculada. Meus sentimentos de perda pertencem aos mortos. Halim, minha mãe. Hoje, penso: sou e não sou filho de Yaqub, e talvez ele tenha compartilhado comigo essa dúvida. O que Halim havia desejado com tanto ardor, os dois irmãos realizaram: nenhum teve filhos. Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos.”

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Márcio Tigre 27/11/2009

Uma história sobre o ódio.
Impressionante como o ódio desestrutura essa familia, muito bom o livro, ambientado em Manaus, bastante triste, mas com muitas lições.

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Claudia Sanzone 11/06/2009

Resumo da obra (os quatro primeiros livros) do escritor está em:
http://clausanzoner.blogspot.com/2009/05/milton-hatoum-em-desordem-cronologica.html
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IvaldoRocha 14/07/2016

Um belo romance digno de um Prêmio Jabuti, não por acaso.
Professor de literatura francesa da Universidade Federal da Amazônia e professor visitante de literatura brasileira da Universidade de Berkeley, Milton Hatoum é um escritor que chama a atenção.

Seu primeiro livro “Relato de um Certo Oriente” recebeu o prêmio Jabuti em 1990, o segundo livro “Dois Irmãos” recebeu o prêmio Jabuti em 2001 e o terceiro “Cinzas do Norte” o prêmio Jabuti em 2006. Depois que soube disso, me vi quase obrigado a ler alguma dessas obras, afinal ou é muita coincidência ou autor é muito bom.
Acreditem ele é muito bom.

Uma história cheia de personagens fortes, como os gêmeos Yaqub e Omar, o pai Halin perdidamente apaixonado pela mulher Zana, a mãe que vive pelos filhos mas tem em Omar, o caçula dos gêmeos o seu preferido, talvez por ter nascido mais fraco e quase ter morrido após o parto. Além de Rânia, a irmã caçula, bonita e apaixonada pelos irmãos e Domingas, índia que é a empregada da casa e seu filho, “o filho da empregada”, cujo nome só aparece uma vez, é o narrador da história e busca descobrir a identidade de seu pai.

Tendo como cenário uma Manaus após o seu apogeu, a cidade se torna quase que um outro personagem. É um organismo vivo que assim como o casarão e a família, apresenta o seu declínio, após um período de grandiosidade e riqueza.

A narrativa tem um ritmo agradável e a história, que embora narre os relacionamentos problemáticos de uma família em declínio, ou seja, nada de novo, o faz de uma maneira fora do lugar comum, de um jeito inusitado e sutil. Você se surpreende com os acontecimentos e revelações inusitadas.

Embora em um plano secundário a crítica à situação política do país nos anos 60 e 70 não deixa de aparecer. O golpe de 1964 chega em Manaus com seus desmandos e prisões aleatórias e sem legitimidade.
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fabioabu 15/01/2010

Muito Bom!
Este é o segundo livro de Hatoum que leio e como sempre é incrívl como ele me transporta para a amazônia, seus cheiros, sabores, clima... a beleza de uma árvore com suas frutas no chão, o som e cheiro da chuva tropical, o sentimento da mata, do quintal!!! Cresci em uma ilha, Salina das Margaridas, e me lembro de tudo isso. Adorava quando chovia, o cheiro da terra molhada, correndo no chão de barro úmido com suas poças de água barrenta... Araçá no pé, jambo (nunca mais comi, me fartava!), siriguela, pitanga, mané-velho... Obrigado Milton por me transportar para minha infância.

Para mim os livros dele não são importantes apenas pela sua trama, mas sim pela sua ambiência.
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keand 04/01/2018

"Dois Irmãos" é um romace carregado de ódio que transcende a leitura e consegue brotar amargura no coração do leitor.

Tão bem escrito é esse livro que quem o lê sente na carne o que cada personagem sente. Milton Hatoum fez um bom trabalho, criou personagens desprezíveis num drama familiar expondo (voluntariamente ou não) que nem sempre essas relações serão saudáveis - muito pelo contrário -, há muitos problemas dentro dessa instituição tão romantizada e quase sacrossanta que é a família.

Não existe lado. Apenas uma história a ser contada.
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toninho 17/07/2013

Esta obra conta a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar, filhos de imigrantes libaneses que chegaram ao Brasil no início do século - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Na mesma casa moram Domingas, a empregada da família, e seu filho, um menino cuja infância é moldada por esta condição - ser filho da empregada. É este menino que, trinta anos depois dos acontecimentos, vai contar o que testemunhou calado - histórias de personagens que se entregaram ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada.
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