Dois irmãos

Dois irmãos Milton Hatoum




Resenhas - Dois Irmãos


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pablobrodrigues 02/10/2016

Milton Hatoum, Dois Irmãos e Manaus, por Pablo Rodrigues
“Quando os meninos nasceram, Halim passou dois meses sem poder tocar no corpo da Zana. Ele me contou como sofreu: achava um absurdo o período de resguardo, e mais ainda a devoção da esposa pelo caçula. Ele passa o dia na loja, entretido com os fregueses e os vadios que perambulavam pelos arredores do porto […]” (trecho do livro Dois irmãos, Milton Hatoum)

Li Dois irmãos, de Milton Hatoum na disciplina de Fundamento da Cultura Brasileira na Faculdade de Letras. Tínhamos que fazer um trabalho no final do curso, algo que tocasse na literatura brasileira contemporânea. Minha leitura então, foi pautada na busca de possíveis questões para serem problematizadas e desenvolvidas. Dois irmãos se encontrava numa lista de leituras possíveis, entre elas Leite derramado, do Chico Buarque, e também Cidade de Deus e Desde que o samba é samba, ambos de Paulo Lins. Minha escolha se deu mais ao Norte, lá para terras manauenses. E até aquela aula, eu nunca tinha ouvido falar de Milton Hatoum.

Nascido em Manaus, formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e com Pós-Graduação em Literatura Comparada pela Sorbonne (Paris III), Milton Hatoum é um dos atuais e renomados escritores do romance contemporâneo brasileiro, tendo sua obra escrita em dez línguas e publicada em catorze países. Obras que lhe renderam inúmeras premiações, entre elas o prêmio Jabuti na categoria romance para as obras Relato de um certo oriente, Dois Irmãos, Cinzas do Norte e Órfãos do Eldorado.

Foi indicado pela obra Dois Irmãos ao prêmio IMPAC-DUBLIN e eleito o melhor romance brasileiro no período de 1990-2005 em pesquisa realizada pelos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. Foi também finalista do Prêmio Multicultural do Estadão pela mesma obra. Dois irmãos ainda foi adaptada para quadrinhos e minissérie de TV.

O livro conta a história de dois irmãos gêmeos de origem libanesa que residem no estado de Manaus, os irmãos Yakub e Omar. Filhos de Zana e Halim, os gêmeos têm a sua rivalidade iniciada desde o momento de seu nascimento. Diálogos com a tradição literária e o tema da vingança e fraternidade não podem ser descartados. Temos, então, semelhanças entre a narrativa judaico-cristã de Esaú e Jacó (Gên. 25:22), bem como o diálogo com a própria literatura brasileira, a exemplo do livro homônimo de Machado de Assis.

Zana, a matriarca da família, era a mulher que conseguiu dobrar o patriarca Halim. Vemos que Zana é a mulher que influência e gerencia a casa. Da mesma forma a empregada Domingas representa um papel importante nessa narrativa, Yakub a tratava “como se ela fosse sua mãe e não a empregada”. As mulheres devem ser vistas de maneira bem especial nessa narrativa.

É por meio de Nael, filho de Domingas, que a história será narrada. Nael convida o leitor a compreender o universo da vida da famílias dos gêmeos, e também descobrir sobre o paradeiro do seu pai biólogico. Confesso a dificuldade de um “sentença” sobre o possível pai de Nael. Seria um dos gêmeos ou ainda Halim? O que reforçaria e criticaria a estrutura patriarcal brasileira.

Entre as desavenças de interesse dos irmãos, podemos incluir outra personagem que gera tensão entre os dois. Além da rivalidade causada pelo excessp de Zana por Omar, temos a presença de Lívia, que se encanta por Yakub, desde a infância e torna-se sua esposa. Sendo esta a causa mais marcante da rivalidade dos gêmeos. Podemos ver aqui ecos da narrativa machadiana.

Ao ler essa obra de Milton Hatoum eu fique profundamente impressionado com o a relação psicológica dos personagens e sua relação com o espaço literário criado pelo autor. A casa dos irmãos é próxima ao rio Negro, o que convida a gente a pensar sobre as vidas que giram em torno do rio, mas sobretudo, a vida como “devir”, isto é, esse eterno “vir a ser” da metamorfose de Yakub e Omar. Os cenários para mim pareciam sempre carregados de uma certa umidade.

É um livro muito importante para mim, pois foi um dos primeiros a configurar na lista dos “meus livro concluídos” e acredito que todo leitor que se aventura pelas páginas de Dois irmãos, encontrará uma narrativa sensível e profunda. A leitura torna-se portanto, indispensável.

Referências:
HATOUM, M. Dois irmãos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.



site: www.projetoembarque.com e www.blogdopablorodrigues.wordpress.com
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Angélica Roz 07/09/2011

Tornei-me fã do autor!
Milton Hatoum me conquistou com Dois Irmãos.
O autor realmente escreve muito bem!

Os personagens são muito bem construídos e a trama é como uma colcha de retalhos. Aos poucos, as pontas começam a se unir e tudo faz sentido no fim.

A história se passa em Manaus, fato que adorei! Pouco conheço a cultura do local, então o livro foi uma pérola rara para mim.

Os personagens principais são Omar e Yaqub, gêmeos idênticos de personalidades muito diferentes.

Omar é vadio ao extremo e mimado pela mãe até não poder mais! Nunca teve uma responsabilidade na vida, só passa em festas e putarias (o "palavrão" também é dito pelo autor no livro).

Já, Yaqub, foi enviado ao Líbano aos treze anos. A mãe o enviou porque não aguentava mais as brigas intensas entre os irmãos. Sendo assim, foi criado longe da família. Voltou adulto, com mágoas e, ao mesmo tempo, determinado a ter uma vida melhor.

Yaqub foi para São Paulo estudar e tornou-se engenheiro.

No decorrer da história há muita emoção envolvida. Todos os personagens são profundos e com algo a dizer. Você consegue ter ódio e amor por eles a todo momento.

O livro desperta em nós vários sentimentos e nos deixa pensando por dias.

Foi devido a esse fato que ele entrou para os meus favoritos.

Amei Halim, o pai dos gêmeos. Segue uma de suas citações:

"Louca para ser livre. Palavras mortas. Ninguém se liberta só com palavras.

Um dia, eu lhe disse: Ao diabo com os sonhos: ou a gente age, ou a morte de repente nos cutuca, e não há sonho na morte. Todos os sonhos estão aqui."

Também adorei o personagem Nael, o narrador da história.

Quando inicia o livro você não tem ideia de quem é o narrador. Aos poucos, você vai o conhecendo e se encantando.

“Cedo ou tarde, o tempo e o acaso acabam por alcançar a todos.”

Enfim, pelo tamanho da resenha vocês devem ter notado a minha empolgação né?

Quando a gente gosta de um livro fica difícil falar pouco.

Então, fica aí a dica!

Querem ler um livro maravilhoso? Peguem alguma obra do Milton Hatoum. Com certeza vocês não vão se decepcionar!
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valdenio 20/10/2009

Uma leitura regionalista...
Os fatos principais deste livro ocorrem em Manaus- AM, onde uma familia cai em desgraça devido a desavença entre dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar.
Apesar de gêmeos, os irmãos tem temperamentos distintos e por conta disso a familia toma partidos diferentes, ou seja, uns tem afeição por um e outros membros da familia tem afeição pelo outro.
O livro serve para quebrar o mito de que "Mãe ama igual os filhos". No livro, a mãe não esconde sua preferência pelo mais problemático, no caso, Omar.
O livro é contado pelo filho da empregada, Zana, onde este narrador sempre teve a curiosidade de saber qual dos dois era seu pai.
Uma boa leitura!
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Karina 18/01/2017

Resenha | Dois Irmãos - Milton Hatoum

A história que se desenvolve em Manaus, narrada por Nael, conta a relação conflituosa dos gêmeos Yaqub e Omar. O amor que uniu Zana a Halim na adolescência, acaba separando cada filho ao seu nascimento. Enquanto o pai se orgulha de Yaqub vendo-o como um filho de futuro promissor, Zana parece ver Omar como filho único, com excesso de mimo, fazendo todas as suas vontades, sendo fria e indiferente com Yaqub. Até mesmo Rânia, filha mais nova o casal sofre com a postura da mãe que só tem olhos para o caçula.

Admito que o fato dessa trama virar minissérie na TV me deixou curiosa e longo comecei a leitura. Diria que foi uma experiencia triste, cheia de desequilíbrios familiares. Sabia desde o início que um livro como este, não teria um final feliz para os envolvidos. Realmente desejei encontrar um culpado para os atos de Omar, mas não consegui, pois o que leva o personagem ser totalmente sem limites é um conjunto de fatores e pessoas. Em sua fase adulta, você pensa: "Ele poderia mudar, ser alguém diferente" Teve chances para isso, mas ele as despreza pois parece que Zana é dona de seus passos e desejos. Ela não criou e educou o caçula para o mundo, criou para viver embaixo de "suas asas" e isso tem um preço alto para Omar e até mesmo para a própria Zana.

Logo Omar se torna uma pessoa que não suporta ser desprezado, quer ser o centro das atenções sempre e quando não é o escolhido usa a ira para resolver a questão, tornando-se alguém violento. Yaqub, por ser mais reservando tem sua vida moldada pela sombra do irmão, alguém que não se manifesta, que não compartilha suas experiencias em família. Yaqub cresce e amadurece para o mundo. Sem o carinho e proteção materna, Yaqub por vezes se sente reprimido, traído pelo próprio irmão, que lhe rouba algo tão essencial como o amor de mãe. Halim por outro lado era o único personagem estável que buscava alternativas para acabar com o caos dentro de sua casa. Mesmo assim, ele também sofre com as consequências, pois o caçula parece ocupar até mesmo seu espaço como marido, o que o irrita, mas como pai luta para ficar ao lado da mulher independente do que ocorra entre os gêmeos.

Essa relação familiar tempestuosa, têm como testemunhas Domingas (índia e criada de Zana) e seu filho Nael que é na verdade mais uma vitima das atitudes de Omar. Halim como único ser equilibrado, toma a frente da situação, tentando sempre ver os dois lados da balança é por anos a base para Nael, que cresce vivenciando todos os conflitos e entendendo que mesmo não sendo reconhecido, faz parte tanto quanto todos os outros dessa família.

Algo que me surpreendeu foi a vingança de Yaqub, sempre calado arquitetou tudo contra Omar usando todos os contras de seu irmão ao seu favor. Isso mostra que apesar de aparentemente seguir adiante, a cicatriz que Omar lhe deu nunca havia de fato sido esquecida. Que a dor que sentia era maior que a dor física, estava alojada permanentemente em seu interior.

O contexto da história é relevante, e serve para reflexão sobre educação, respeito e orgulho nos tempos atuais. Apesar de ter gostando da história, acredito que criei expectativas que não foram atendidas no final da leitura. Terminou com um padrão que vinha sendo repetindo ao longo do livro. Ninguém foi capaz de unir os gêmeos, nem os pais, nem o amor, nem a vida, nem a morte, nem mesmo o tempo que ainda resta para ambos continuar a viver.


site: http://paraisodoslivros1.blogspot.com.br/2017/01/resenha-dois-irmaos-milton-hatoum.html
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Vanessa 04/02/2010

História ambientada em Manaus, dois irmãos gêmeos, um muito educado e inteligente e o outro o mais bagunceiro e vagabundo mas o mais paparicado pela mãe. Uma história de conflitos e relação humana...
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Marrones 30/01/2017

Sensacional!
Uma história sensacional, escrita com uma cadencia perfeita. Nao há barrigas e zonas de suspiro. Acho que o final poderia ser melhor, mas esta é apenas a minha humilde opinião. Pode comprar e sair pra galera! Este tem o meu aval.
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Prim 24/05/2009

personagens fortes , enredo nem tanto
o mérito do livro está na construção muito bem feita dos personagens e o demérito está na falta de um enredo que faça jus à riqueza de seus protagonistas. de qualquer forma eu recomendo a leitura pois o estilo de Milton Hatoum me agradou nesse primeiro e único livro do autor que li até agora.
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Cah Zenatti 02/10/2017

Agradável Surpresa
Confesso que cheguei neste livro graças a série da Globo, mas não me arrependo. Uma narrativa que não cansa, e um enredo interessante. Conta a história de dois irmãos (não diga! Rsrs), Omar e Yaqub, gêmeos idênticos, que por personalidades inconciliáveis e diferenças de tratamento dentro da própria família, se odeiam. O livro demonstra como uma relação tão nociva pode ser ainda mais intensa quando há laços familiares, perdurando por toda uma vida e refletindo nos demais integrantes. . . .

"Com o fim da guerra, migraram para Manaus, onde ergueram palafitas à beira dos igarapés, nos barrancos e nos clarões da cidade. Manaus cresceu assim: no tumulto de quem chega primeiro. Desse tumulto participava Halim, que vendia coisas antes de qualquer um. Vendia sem prosperar muito, mas atento à ameaça da decadência, que um dia ele me garantiu ser um abismo. Não caiu nesse abismo, nem exigiu de si grandes feitos. O abismo mais temível estava em casa, e este Halim não pôde evitar. "

site: https://www.instagram.com/cahzenatti/
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Jéssica - Janelas Literárias 25/03/2017

Sensível, instigante e poderoso, "Dois Irmãos" é um romance que consegue entrelaçar as relações e sentimentos dos seus personagens com o ambiente. A ruína de uma família de origem libanesa segue a ruína da cidade de Manaus, senão do Brasil. ⠀

O livro é narrado por Nael, filho da escrava da família (dizer "empregada" é um eufenismo tamanho), que busca por suas origens, anseia saber quem é seu pai. Este mistério é o fio condutor da história, mas de modo suave. Aliás, a escrita fragmentada com algumas rupturas e idas e vindas no tempo confere um certo descentramento à narração. ⠀

Nael cria seu passado em um trabalho semelhante à colcha de retalhos, emendando tudo que ouviu e testemunhou num "jogo de lembranças e esquecimentos". É uma criação ou antes uma invenção, que é resgate mas também é fuga. O narrador, que pesquisa sua história, escreve como que para exorcizar seus demônios, revisitar a sua experiência e emancipar-se, enquanto indivíduo e dominado, para abandonar "o filho da empregada" e dar sentido e coerência à sua história. ⠀

O ódio entre irmãos, incesto, exploração e a degradação das relações familiares é muito do que Nael presencia. Os gêmeos Omar e Yakub vão sendo construídos vagarosamente. De início prevalece um certo maniqueísmo do tipo "irmão bom" "irmão mau", um é responsável, outro bebarrão, um agressivo e outro pacífico. Mas na evolução a semelhança que parecia ser só física, revela-se total. ⠀
Se a violência de Omar é física, a de Yakub é simbólica. É o duplo (ser ao mesmo tempo "eu" e "outro"). Cada um, a sua forma, guia-se pelo mesmo sentimento de vingança e destruição do outro. Um só existe em oposição ao outro, e como se sabe, a negação da negação... ⠀

A exploração que Domingas, a escrava índia da família, sofre não termina nem com sua morte, se perpetua antes em Nael, que só se vê livre após a morte da maioria da família e com a demolição (vejam que simbólico) da casa em que moravam. Da casa só restou um pequeno corredor, um quadrado no quintal, a "herança" de Nael. Do passado só restou as memórias que ele pode combinar como bem entender. Agora Nael pode seguir.

Miltom Hatoum desenvolve um trabalho artístico incrível. Com linguagem simples e tom sóbrio compõe um livro de memórias ao mesmo tempo cortante e sutil. Fico imensamente feliz de descobrir um autor contemporâneo que prova que a literatura brasileira ainda vive, ainda respira. Respiremos, então.

site: https://www.instagram.com/p/BR8RNillG1k/?taken-by=janelasliterarias
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Angelo Miranda 27/08/2013

Um drama emocionante
Todo ano quando a Câmara Brasileira do Livro divulga a lista dos ganhadores do Prêmio Jabuti, uma espécie de "Oscar" da literatura brasileira, com um lápis na mão e um caderninho ao lado, anoto, nas muitas categorias que me interessam, como o nome das obras, dos autores e das editoras ganhadoras.

Está claro que há muito tempo o Jabuti deixou de ser uma referência das obras que possuem qualidade ou não dentro da literatura brasileira, mas acredito que ele nos oferece um ponto de partida para termos contato com obras que possuem, no mínimo, uma boa qualidade literária.

Uma dessas obras que eu anotei lá atrás e somente agora tive tempo de lê-la, foi a obra "Dois Irmãos" (Ed. Companhia das Letras), do escritor amazonense Milton Hatoum, premiada com o Prêmio Jabuti de melhor romance em 2001.

O livro narra a história da família de Zana e Halim, filhos de imigrantes libaneses que foram, no início do século XX, morar em Manaus. Mas o que o livro foca não é somente a história do casal, mas sim a dos seus dois filhos gêmeos: Omar e Yaqub, com personalidades completamente diferentes e é isso que o autor vai explorar muito bem ao longo do livro. Por questão de segundos Yaqub nasceu primeiro do que Omar, ficando o último, com o título de Caçula e foi justamente esse o seu apelido.

A história é contada em primeira pessoa por um personagem que somente terá o seu nome revelado nos últimos capítulos. Ele, sendo filho de Domingas - uma índia que trabalhava como empregada na casa - acompanhou todos os acontecimentos que ocorreram na família, principalmente o conflito entre Yaqub, o filho estudioso e responsável e Omar, o mulherengo, aproveitador, bagunceiro e que gostava de festas e atividades ilícitas. Esse conflito, muito bem retratado pelo autor ao longo de doze capítulos, é que leva a decadência da família.

O autor não conta a história de forma linear, ele faz o uso de flashback, um diálogo com o presente e o passado. A linguagem usada é simples e acessível. Frases curtas imprimem no texto um ritmo intenso tornando a história dinâmica. Isso faz com que cada cena ocorra rapidamente sendo trocada logo em seguida por outra. Esse artifício deixa o leitor preso na narrativa na ansiedade dele verificar o que ocorrerá em seguida com um personagem ou como será o fim de uma situação.

O que me chamou a atenção foi o poder de descrição do autor. Há uma riqueza de detalhes em cada cena, que leva o leitor, enquanto lê, a criar em sua mente a imagem dos ambientes e situações tão bem descritas pelo autor. Pesquisando na internet, logo essas imagens sairão das cabeças dos leitores e estamparão a tela da televisão, pois a Rede Globo pretende transformar o livro de Hatoum numa minissérie, que contará com nada mais nada menos, com o ator Wagner Moura, interpretando um dos gêmeos.

Dois Irmãos é um drama que me emocionou do começo ao fim. É interessante lermos a história de uma família, desde a sua formação até a sua decadência. Acabamos por nos tornamos íntimos dos personagens. Analisamos os conflitos, refletimos sobre as escolhas de cada membro, comemoramos os sucessos obtidos e choramos as derrotas conquistadas. Somente um livro bem escrito como esse tem guarda o poder de nos tornarmos membros de uma família que não é a nossa.
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PorEssasPáginas 06/11/2017

Eis um livro que me surpreendi.

No início desse ano houve um certo alarde quanto à série Dois Irmãos, que é baseada no livro homônimo. Eu comprei o e-book do livro acho que uma semana antes de começar a série e o li meio que intercalando os capítulos da série com os capítulos do livro – e aí acabei avançando a leitura, para terminar antes de a série acabar.

Eu simplesmente adorei a forma como o livro foi narrado. É ao mesmo tempo prosa e poesia. Aliás, a frase que inicia o livro é a mesma frase de abertura na narrativa da série.

A história vai além da rivalidade entre os irmãos Omar e Yaqub. Se você for analisar bem, verá que a trama na verdade é a busca do filho de Domingas pelo seu pai – filho esse que só tem seu nome revelado várias páginas depois.

Pela narrativa, nós acabamos descobrindo a história dos irmãos gêmeos desde antes de seu nascimento, como o amor desmensurado de Halim por Zana e como ele fazia seus caprichos. (...)

É complicado tentar explicar a relação entre os irmãos, porque os dois são diferentes por natureza, mas são iguais em essência. Ambos possuem orgulho desmedido, querem fazer as coisas de seu modo, seja mais planejado, ou seja em um impulso. Nenhum deles tem o dom de perdoar, eles alimentam o rancor por uma vida inteira.
(...)
Li algumas críticas negativas quanto à obra, mas já adianto que para mim ela funcionou com maestria e recomendo muito a leitura. Depois, para quem quiser e conseguir, recomendo a série que foi muito bem feita.

***resenha completa no blog!***

site: http://poressaspaginas.com/resenha-dois-irmaos
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Manoel 31/01/2017

Conflitos familiares numa Manaus sempre fascinante
"Dois irmãos", romance escrito pelo amazonense Milton Hatoum. Antes de continuar, devo dizer que ando tão afastado da TV que, um bom tempo depois de começar a ler, é que percebi que a Rede Globo tinha feito uma minissérie baseada na obra (foram dias de fugas de spoilers). Bom, não conhecia nada do Hatoum e acho que foi uma ótima estreia.

O livro narra a história de uma família de origem libanesa, radicada em Manaus, durante a época da Ditadura Militar. A família é composta pelo casal Halim e Zana, e seus filhos, os gêmeos Omar e Yaqub, e a jovem Rânia, além da empregada doméstica de origem indígena Domingas e seu filho Nael que, com o andamento da leitura, descobrimos ser o narrador da história e fruto da relação de sua mãe com um dos gêmeos. A trama se baseia na relação conflituosa entre os gêmeos, influenciada diretamente e involuntariamente por Zana, que protege excessivamente o "mais jovem" deles, Omar. Enquanto o tímido Yaqub estuda e amadurece forçado pelas circunstâncias, o desinibido Omar cresce sem limites e com pouco estudo, protegido pela mãe. Essa disparidade e esse conflito ditarão os rumos da família.

"Dois irmãos" permite diversos tipos de análises, que vão desde o quanto o permissivismo excessivo pode definir o caráter de uma pessoa e como isso pode afetar aos demais, até mesmo, em um segundo plano, a extensão da fúria da Ditadura Militar nos mais distantes locais do país.

Ponto positivo também para a descrição da cidade de Manaus, que já tive o privilégio de conhecer e que, com seus cheiros, sabores e cores, possui uma atmosfera única e rica.

Hatoum possui uma narrativa interessante, ainda que ela perca um pouco de vigor do meio da obra para frente, quando há a inclusão de personagens secundários, menos interessantes do que a dualidade fraterna que conduz a história. Contudo, um ótimo livro!
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Phelipe Guilherme Maciel 12/01/2017

Há ressentimentos que não se curam nunca.
A história de dois irmãos é extremamente perturbadora, no sentido de que ilustra o que pode acontecer quando a mãe claramente demonstra preferência por um dos filhos. Omar e Yaqub, gêmeos, cresceram num lar onde o caçula, Omar, tudo tinha, pois nasceu frágil e quase morreu. Yaqub era sempre preterido, sempre ofuscado pelo irmão. Após uma briga que deixou marcas eternas no rosto e no coração de Yaqub, a relação dos irmãos nunca mais foi a mesma. Zana, a mãe super protetora não via nada disso. Não me prolongarei no enredo, até porque o livro está sendo reproduzido pela rede globo na minissérie de mesmo nome, e estão fazendo um maravilhoso trabalho.

Sobre Milton, é um gênio dos nossos tempos. A história, narrada por Nael (que é filho bastardo de um dos gêmeos), inicia-se no leito de morte de Zana. A frase que ela diz é: "Meus filhos já fizeram as pazes?"
Daí para frente, Nael conta a história da vida deles, misturando presente e passado, baseado no que seu avô, Halim, contava para ele em passeios de barco.
A história é fiel ao crescimento e declínio de Manaus, fiel ao triste relato da ditadura militar, fiel ao inexorável fim que haveria de ter uma história onde um filho era sempre preterido ao outro.

Ler este livro te deixa com um sabor amargo na boca. Você pode odiar todos os personagens deste livro, nenhum é santo, na medida de suas escolhas. Tal como ocorre na vida real. Não há mocinhos nessa vida. Somos dominados por nossos sentimentos mais sórdidos e fazemos coisas que nos arrependemos, ou não... O fim de Omar deixa isso claro.

Um clássico moderno.
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Mandi 10/02/2016

Uma incrível surpresa
Confesso que adiei por anos o meu primeiro encontro com a obra de Hatoum. Isso se deve, muito provavelmente, à típica síndrome de vira-lata brasileira associada ao prejudicial ranço carregado de preconceito no mundo da literatura que cunhou a expressão "escritor bom é escritor morto". Eis que neste feriado resolvi, então, por a afirmativa à prova e li, em rápidos e intensos dois dias, o carro-chefe do autor. Temo que minhas palavras sejam insuficientes para descrever a maestria do autor em descrever um relacionamento familiar intenso, visceral e pautado em ambivalências quase escandalosas. Entremeando as tensões familiares, a evolução da própria Manaus é uma narrativa a ser explorada à parte. Sinceramente, confesso que meu interesse pela trajetória da região amazônica aumentou muito após a leitura da obra.

Enfim, uma excelente e cativante leitura. Recomendo de olhos fechados.
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Teresa 30/01/2010

Manaus, metade do século XX. Estes são o espaço e a época do romance. Seus personagens Zana, Halim, seus filhos Rânia, Yaqub e Omar, e Domingas misturam-se a outros personagens menores, moradores de Manaus às margens do Rio Negro que, de certa forma, também são personagens do livro.
O casarão da família é o principal cenário onde se desenvolve esta história que, aparentemente, trata da conturbada relação entre os gêmeos Yaqub e Omar. Na verdade, seu tema central é a busca de identidade do narrador que é filho de Domingas, a empregada índia da família.
Ele conta a história 30 anos depois de os fatos terem ocorrido. É a testemunha silenciosa de paixões, violência, incesto, incompreensão, mágoas, dores e saudade.
E no fim da história, nós também queremos encontrar sua identidade...

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